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Caiado critica Haddad e diz que estados estão de mãos atadas no combate ao crime organizado
Caiado critica Haddad e diz que estados estão de mãos atadas no combate ao crime organizado
O chefe da pasta disse a jornalistas que, na parte econômica, o governador do Rio, Cláudio Castro, não fez "praticamente nada" para a prevenção à lavagem de dinheiro das facções criminosas, principalmente no setor de combustíveis, onde Castro poderia ter atuado, segundo Haddad, por meio do combate ao contrabando.
Por Stéfanie Rigamonti, Folhapress
30/10/2025 às 16:03
Foto: Divulgação/Arquivo
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado
Aliado do governador Cláudio Castro no embate com o governo Lula no contexto da Operação Contenção, que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou, ao Painel S.A., o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por uma fala recente sobre o combate ao crime organizado no Rio.
O chefe da pasta disse a jornalistas que, na parte econômica, o governador do Rio, Cláudio Castro, não fez "praticamente nada" para a prevenção à lavagem de dinheiro das facções criminosas, principalmente no setor de combustíveis, onde Castro poderia ter atuado, segundo Haddad, por meio do combate ao contrabando.
"Para você pegar o andar de cima do crime organizado, que é quem efetivamente tem o dinheiro na mão, e municia as milícias, tem que combater de onde está vindo o dinheiro", afirmou o ministro Haddad.
Caiado rebateu a fala, dizendo que as autoridades locais estão limitadas à fiscalização de postos e à investigação restrita da atuação dos criminosos no setor. Segundo o governador, as polícias estaduais não conseguem ir a fundo nesse trabalho porque não têm acesso a relatórios de inteligência produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
"Hoje só o governo federal tem acesso a essas informações. E você só pode fazer uma operação dessas [como a Carbono Oculto] se tiver os dados do Coaf. Os estados precisam dessas informações para rastrear o dinheiro do crime organizado. Essa é exatamente a minha grande luta para que a gente possa ter esses resultados", afirmou Caiado à coluna.
A medida consta na proposta alternativa à PEC da Segurança Pública que Caiado apresentou no fim do ano passado a governadores e ao Ministério da Justiça.
"O compartilhamento de informações é fundamental para que os estados possam entender cada vez mais a maneira das facções de moldar, desviar e lavar dinheiro de diferentes formas. Se nós, estados, tivéssemos acesso, é lógico que teríamos como chegar muito mais rápido às pessoas que transformam o Caixa 2 em verdadeiros impérios imobiliários, industriais, de refinaria, ou, amanhã, em investimento em criptomoedas", disse o governador.
"Na parte financeira, ficamos de mãos atadas. Temos toda a suspeita, mas precisamos provar. Por isso insisto que uma autoridade do estado precisa ter acesso ao Coaf, para combater esse crime que é diferente do que conseguimos enfrentar hoje."
Operações recentes tiveram colaboração com estados, diz ministério
Consultado, o Ministério da Fazenda disse em nota que as grandes operações recentes de combate à lavagem de dinheiro do crime organizado, como a Carbono Oculto, a Bóreas e a Cadeia de Carbono, foram feitas em parceria com os estados, com compartilhamento de informações.
"Foi justamente essa integração que fez da Carbono Oculto a maior operação da história do país e alcançou o topo de uma organização criminosa. Além disso, os principais cadastros e fontes de informação da Receita são compartilhados com os fiscos estaduais", disse a pasta em nota.
"A inteligência da Receita Federal tem canal direto e constante de diálogo e colaboração com as entidades análogas em todos os estados, com intensa cooperação."
