Servidores do IBGE criticam direção por proposta de novo estatuto
Por Leonardo Vieceli/Folhapress
05/09/2025 às 20:45
Atualizado em 05/09/2025 às 20:45
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Uma proposta de novo estatuto para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) virou alvo de críticas da entidade sindical que representa os servidores do órgão, a Assibge. A situação marca um novo capítulo da crise que se arrasta há cerca de um ano entre os funcionários e a gestão do instituto, presidido pelo economista Marcio Pochmann.
Para a Assibge, a principal alteração proposta é que o estatuto deixe de prever a estrutura das diretorias do IBGE, que passaria a ser definida em regimento interno. Enquanto o estatuto é modificado por meio de decreto presidencial, o regimento interno é estabelecido por ato do presidente do instituto, segundo nota publicada pela associação nesta quinta (4).
"Dessa forma, pela alteração proposta, o presidente do IBGE passaria a ter carta branca para unificar diretorias hoje existentes, dividir, alterar suas atribuições e redistribuir cargos entre elas, sem se submeter ao escrutínio público, técnico e jurídico envolvido na produção de um decreto presidencial", disse a Assibge.
"Essa mudança implica instabilidade administrativa e sugere uma redução da autonomia das áreas técnicas", completou. A entidade afirmou ainda que o texto foi apresentado de forma vaga, em vídeo sem abertura de fala ou chat para servidores.
A reportagem pediu um posicionamento para a direção do IBGE na manhã desta sexta (5), via assessoria de comunicação, mas não recebeu retorno. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em julho, Pochmann declarou que recebia de "forma democrática" as críticas a projetos de sua gestão e disse seguir em busca de mudanças no órgão. "Agora, não há transformação sem resistência", afirmou à época.
