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Fazenda admite discutir opção para 'itens isolados' da alta do IOF após reunião com os bancos
Fazenda admite discutir opção para 'itens isolados' da alta do IOF após reunião com os bancos
Por Idiana Tomazelli/Folhapress
28/05/2025 às 14:55
Atualizado em 28/05/2025 às 14:55
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira (28) que a pasta está disposta a discutir alternativas a "itens isolados" do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), implementado na semana passada e que vem sendo alvo de críticas de setores empresariais e de parlamentares.
A sinalização foi dada após uma reunião do ministro Fernando Haddad (Fazenda) e secretários da pasta com membros da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e representantes dos maiores bancos privados do país.
A principal preocupação do setor é com a elevação do custo do crédito, em decorrência do aumento do IOF na contratação de operações pelas empresas. Do lado do governo, o aperto nas condições de crédito foi, na ocasião do anúncio das medidas, elencado como uma forma de ajudar o Banco Central na tarefa de esfriar a economia e controlar a inflação.
"A gente discutiu alternativas apresentadas pela Febraban, outras que a gente trouxe para o debate, e é natural que a gente avance nesse debate sobre o que poderia ser uma alternativa a itens isolados desse ajuste no IOF. Seguimos em diálogo para estudar, entender o que tem de alternativa e poder tomar uma decisão no momento seguinte", afirmou Durigan nesta quarta.
Estiveram na reunião o presidente da Febraban, Isaac Sidney, e os presidentes do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, do Bradesco, Marcelo Noronha, do Santander Brasil, Mario Leão, e do BTG Pactual, Roberto Sallouti.
A sinalização do governo de que pode rever outros pontos do decreto ocorre num momento em que há forte pressão do Congresso Nacional para derrubar a medida como um todo.
Na reunião, Sidney apresentou estimativas de como o IOF pode encarecer a tomada de crédito pelas empresas. Segundo a entidade, as mais afetadas serão as micro, pequenas e médias companhias.
Ao contratar uma operação de crédito, as empresas pagavam um IOF fixo de 0,38%, mais uma alíquota de R$ 0,0041% ao dia, o que resultava num teto de 1,88% ao ano. Com a mudança, as pessoas jurídicas passaram a recolher uma alíquota fixa de 0,95%, mais 0,0082% ao dia (ou seja, um teto de 3,95% ao ano).
No caso das empresas do Simples Nacional, o IOF previa uma alíquota fixa de 0,38% mais 0,00137% ao dia (juntas, representam um teto de 0,88% ao ano). Com a mudança, a cobrança passou a ser de 0,95% fixo mais 0,00274% ao dia, totalizando um teto de 1,95% ao ano.
O governo também passou a cobrar IOF nas operações chamadas de "risco sacado", usadas principalmente por varejistas para conseguir antecipar pagamentos a seus fornecedores via convênio com instituição financeira. Antes, essas transações eram isentas do imposto.
Sidney disse que as mudanças têm um "impacto severo" nas empresas e ressaltou que o foco do debate com a Fazenda foi o IOF sobre as operações de crédito. O aumento do imposto também incidiu sobre outras transações, como câmbio e seguros.
"Nós temos uma posição contrária ao aumento do IOF, só que, neste momento, criticar seria a parte mais fácil. Optamos por um debate construtivo", disse. "Estamos diante de uma situação que o país precisa ter as suas finanças públicas equilibradas, o setor bancário tem essa compreensão, mas achamos que esse equilíbrio das finanças públicas não deveria se dar por meio de aumento de imposto, sobretudo de um imposto regulatório".
O presidente da Febraban não detalhou quais alternativas a entidade apresentou ao governo, mas afirmou que "o diálogo foi aberto e o ministro está disposto a construir".
Durigan, por sua vez, disse que o governo vai se debruçar sobre as alternativas e fazer uma "avaliação cuidadosa e célebre", levando em consideração "o que é melhor para o país neste momento".
O governo já precisou recuar em dois pontos do decreto original, editado na quinta-feira (22). Em um deles, o Executivo restituiu a alíquota zero sobre remessas feitas por fundos brasileiros para a realização de investimentos no exterior. Uma segunda mudança buscou esclarecer que remessas de contribuintes brasileiros ao exterior que sejam destinadas a investimentos continuarão sujeitas à alíquota atual de 1,1%, sem alterações. Pela versão anterior, essa cobrança subiria a 3,5%.
A mudança reduziu em R$ 1,4 bilhão o potencial de arrecadação com a medida, calculada originalmente em R$ 20,5 bilhões para 2025. No ano que vem, a estimativa gira em torno de R$ 40 bilhões.
Os valores ajudaram o governo a reduzir o tamanho do congelamento de despesas para cumprir regras fiscais, que ficou em R$ 31,3 bilhões. Caso o decreto seja derrubado na íntegra, o Executivo precisará ampliar a trava, o que respingará inclusive sobre emendas parlamentares.
Durigan disse que a equipe econômica vai se reunir com lideranças do Congresso ainda nesta quarta-feira para discutir o tema.
"A orientação que eu tenho, tanto do Planalto quanto do ministro Fernando Haddad, é fazer o diálogo no Congresso, apresentando as nossas razões. A gente tem hoje durante o dia algumas reuniões que vão acontecer, é a oportunidade de mostrar, discutir, poder entender quais são as demandas que têm chegado", afirmou.
