O “Grande” Paulo Manso, por Pacheco Maia*
Por Redação
07/04/2025 às 21:00
Atualizado em 08/04/2025 às 05:45
Foto: Divulgação

Ele era Barreto de Araújo, mas se tornou conhecido como Paulo Manso Cabral. Nunca entendi a razão da redução do sobrenome tampouco lhe perguntei. Acostumei-me a chamá-lo de apenas Paulo Manso, assim como muita gente. Ninguém se engane com sua nomenclatura. Ele não tinha nada de manso. Estava sempre irrequieto, envolvido em muitas atividades.
Durante muito tempo foi diretor do Sebrae Bahia, cargo que não lhe impedia de participar ativamente dos muitos eventos da entidade pela difusão do empreendedorismo na Bahia. Foi lá que o conheci pessoalmente há 21 anos. Antes, repórter da Gazeta Mercantil, já ouvira falar nele.
Tinha a fama de ser um jovem talentoso que encantava as plateias em suas palestras e até jornalistas nas entrevistas pela clareza de pensamento, rapidez de raciocínio e solidez de conhecimento. Uma colega da Gazeta chegava à redação depois de entrevistá-lo sempre com os olhos siderados. Ela era fã do “Grande”.
Assim Paulo Manso era chamado pela minha querida amiga Martinha, minha chefa no Sebrae, local onde iniciei a minha amizade com ele. Pude constatar que o epíteto não correspondia apenas ao seu 1,90 metro de altura. Ele era uma grande alma, um grande ser humano e um grande amigo, o que atestei na nossa convivência, celebrada em happy hours no saudoso Bar da Ponta, no extinto Trapiche Adelaide.
A conversa com ele era prosa rica em inesgotáveis assuntos: política, economia, estoicismo, coisas da Bahia e até o movimento New Age. Paulo Manso era amigo do escritor Fritjof Capra, autor do livro “O Tao da Física”. Ciceroneou o americano nas vezes em que esteve pela Bahia.
Embora talento e preparo não lhe faltassem, o “Grande” evitou participar diretamente da política. Preferia ser um observador arguto da cena e fazer certeiras análises. Sem lhe consultar, certa vez o inscrevi para Líder Empresarial da Gazeta Mercantil. Não é que ele acabou sendo eleito? Participou de encontros em São Paulo e conquistou a todos com sua incandescente verve e loquacidade.
É, irmão, você se despediu da gente na tarde desta segunda-feira. Ao tomar conhecimento da notícia, bateu aquela saudade que não dá para matar mais agora com uma ligação telefônica. Mas fica a sua lembrança eternizada nos corações de todos que tiveram a dádiva de sua amizade. Meus sentimentos à querida Isabela e a Lélio.
*Pacheco Maia é jornalista e foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Salvador
