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Na prática, Gleisi libera petistas para votar em Kleber em Salvador, por Raul Monteiro*
Na prática, Gleisi libera petistas para votar em Kleber em Salvador, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
03/10/2024 às 08:05
Atualizado em 03/10/2024 às 08:10
Foto: João Valadares/Divulgação/Arquivo

Os passos recentes da presidente nacional do PT na Bahia, Gleisi Hoffman, não deixaram dúvidas: faltando quatro dias para a eleição, o candidato do governo do Estado à Prefeitura de Salvador, Geraldo Jr. (MDB), foi definitivamente abandonado pelo partido que foi obrigado pela cúpula local a apoiar seu nome, indicando a vice em sua chapa, pelas siglas que integram sua coligação e, principalmente, pela militância petista, conhecida, entre outras características, pelo espírito aguerrido e, exatamente por isso, a única capaz de levá-lo nos braços neste momento em que, para quem está perdido, todo mato é caminho.
Sempre atenta ao clima nas bases, a representante máxima do PT, cuja conexão direta com o presidente Lula é pública, mostrou que veio à Bahia a trabalho, imbuída de mobilizar ainda mais a militância onde a legenda tem possibilidade concreta de levar as eleições, e não para mascarar os fatos e aumentar o grau de incredulidade com a desastrada escolha do emedebista pela elite petista baiana para concorrer ao importante cargo de prefeito da terceira capital do país. Por isso, Gleisi não teve constrangimento em declarar logo na chegada quais são as cidades vistas como prioritárias nestas eleições para seu partido no Estado.
Tratam-se, nesta ordem, de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari e Lauro de Freitas, municípios nos quais o partido do governador Jerônimo Rodrigues aposta todas as fichas de olho em sua reeleição, em 2026. A presidente nacional do PT, por outro lado, não deu sequer um pio sobre a natimorta - para o governo - disputa em Salvador. Com efeito, estivesse Geraldo Jr. em situação levemente melhor, o posicionamento dela poderia ser tratado como um escândalo. Como, pelo contrário, o candidato, como tudo indica, caminha para os estertores, o claro descarte de sua figura pela presidente do PT não foi capaz de produzir a menor reação.
Para cravar em definitivo o sepultamento do defunto político, ela só precisaria ter aparecido numa foto ou mesmo feito um discreto aceno para o companheiro do PSOL Kleber Rosa, candidato que, por mérito próprio, o que inclui tanto sua trajetória como suas posições políticas claras e verdadeiras, tem funcionado como verdadeiro receptáculo de cada vez mais numerosos grupos de petistas que consideram uma sandice prosseguir com o apoio a uma candidatura inexpressiva e invertebrada, em tudo fake, inexplicavelmente imposta pelo comando do PT local à custa de enorme sacrifício para sua bancada municipal.
Mas o que Gleisi pretendia fazer, fez, ainda que de forma simbólica: na prática, liberou os petistas que ainda se sentiam, por pura disciplina partidária, comprometidos com a candidatura de Geraldo Jr., a desembarcarem, no próximo domingo, desta aventura desvairada. Sem dúvida, perdem força os apelos em favor do voto nele que o senador Jaques Wagner, patrono do candidato em Salvador, passando por cima do PT e das forças aliadas, pretendia fazer diretamente às bases. Nem é justo que agora o governador Jerônimo Rodrigues (PT), por meio de qualquer esforço nesta reta final pelo emedebista, associe sua boa imagem à da iminente derrota.
*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
