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Artigo: Bahia, para onde vamos?, por Jesus Pablo Barbosa*

Artigo: Bahia, para onde vamos?, por Jesus Pablo Barbosa*

Por Jesus Pablo Barbosa*

04/09/2024 às 08:50

Atualizado em 04/09/2024 às 08:50

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Jesus Pablo Barbosa

Será apenas uma mera coincidência que o Estado que tem os piores índices de violência do país seja também aquele que pior remunera os seus policiais?

A Bahia, hoje, vive um panorama assustador de descontrole da criminalidade. Esta constatação não é uma opinião qualquer, mas um fato indiscutível. A realidade de violência no Estado é algo terrível e é percebido indistintamente por toda a sua população. Não é preciso que se diga ao cidadão baiano que a segurança pública do Estado não vai bem, pois isso é claro, já que ele sente na pele um constante temor, decorrente de sua eterna intranquilidade.

Segundo o levantamento do Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) junto ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Bahia não apenas é o estado mais violento do Brasil, como aqui estão seis das dez cidades com a maior taxa de homicídios do país. Aqui também é um dos estados em que há o maior número de óbitos de policiais em serviço. Isso é extremamente significativo e evidencia de maneira estridente a tragédia da insegurança em que vivemos.

Enquanto isso, os profissionais da Segurança Pública da Bahia recebem uma baixíssima remuneração, incompatível com a intensidade, a complexidade e a periculosidade do seu trabalho. Após anos sem sequer receber a reposição das perdas inflacionárias, os policiais baianos recebem hoje salários verdadeiramente aviltantes. Por outro lado, a cada dia são maiores os riscos a que esses profissionais se expõem, realizando a sua tarefa de combate direto ao crime e aos malfeitores.

Há anos, o governo que geria a Bahia, do mesmo grupo político que o atual governo, optou por fazer outros investimentos em detrimento de ações estruturais de repressão à criminalidade. Sobre os policiais baianos, não houve atenção ao seu clamor por valorização, a ponto de o ex-governador afirmar que, por ele, podiam fazer “mil dias de greve”. Restou ali evidente que não eram conferidos aos bravos guerreiros o reconhecimento e a valoração aos seu abnegado esforço.

Segurança pública é uma atividade feita por homens e mulheres e depende de muita expertise e dedicação. Lançar os policiais à vala do desestímulo e do desânimo, definitivamente, não parece ter sido uma boa opção política.

Hoje, no meado do seu primeiro governo, o governador Jerônimo Rodrigues tem um desafio e ao mesmo tempo uma oportunidade: manter a política de desatenção à segurança pública e de desvalorização dos policiais baianos ou investir nesses profissionais para que a Bahia possa retomar o alento para um melhor enfrentamento à criminalidade do Estado.

Assim, o destino da segurança da nossa Bahia depende bastante do ímpeto e do comando do governador do Estado, que definirá se será um coadjuvante da administração anterior, seguindo a sua desastrosa ausência na segurança pública, ou se terá protagonismo e saberá buscar êxito, construindo a sua própria história, como a liderança que fez a paz voltar a ter morada no coração e na mente dos baianos.

*Jesus Pablo Barbosa, delegado de Polícia Civil, especialista em gestão da segurança pública.

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