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Sem previsão de regulação, homem com funções hepáticas alteradas corre risco de morrer em UPA; médico pede para "orar"
Sem previsão de regulação, homem com funções hepáticas alteradas corre risco de morrer em UPA; médico pede para "orar"
Por Redação
05/08/2024 às 10:17
Atualizado em 05/08/2024 às 17:41
Foto: Divulgação/Arquivo

Um homem de 30 anos está internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris, em Salvador, com alterações severas nas funções hepáticas. Desde a última sexta-feira (02), Gilberto Barreto dos Santos Júnior aguarda regulação para o Hospital Couto Maia ou algum leito capaz de oferecer o tratamento necessário. (Atualização ao final da reportagem)
Em contato com a reportagem, o paciente, cujo número de regulação é 4131059, enviou o resultado de um exame que mostra a TGO/AST em 2,426,8 U/L, quando o normal seria até 40U/L. "Aqui não estou sendo tratado, estou à base de água apenas porque não se sabe o que é. O Couto Maia não aceita, nunca tem leito. A médica do laboratório ligou desesperada, dizendo que eu não podia ficar só", diz.
Ele relata ainda que deu entrada na UPA às 22h, mas só conseguiu atendimento às 5h do dia seguinte. Na manhã deste domingo (04), tanto a urina quanto as fezes já apresentavam sangue, mas não havia qualquer previsão de regulação. "O médico pediu só para orar e esperar Deus. Ou seja, sem previsão", diz.
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) afirmou apenas que o caso está sendo analisado pela equipe de regulação. "Em 2024, a Central Estadual de Regulação já atendeu mais de 160 mil pacientes, registrando uma taxa de resposta de 98,75% às solicitações feitas por unidades de saúde nos 417 municípios da Bahia. O caso do paciente está sob avaliação da equipe de médicos reguladores da Central, que está em busca de um serviço de saúde adequado ao perfil do mesmo em uma unidade pública, filantrópica ou privada. Ressaltamos que 50% dos pacientes são regulados em até 24 horas e 80% em até 72 horas", diz o texto.
O líder da oposição na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Alan Sanches (União Brasil), ao tomar conhecimento do caso, disse que além dos problemas persistentes no sistema, pacientes das UPAs de Salvador estariam sendo ainda mais prejudicados. "Quando a gente fala que existem pessoas que estão esperando 60 dias na UPA, um local feito para ficar no máximo 24 horas, podemos acreditar no sistema da regulação? Precisamos criar leitos, não substituir leitos existentes. Há um impasse muito grande na fila da regulação e principalmente há perseguição quando estão nos leitos das UPAs de Salvador. Pacientes de Salvador acabam sofrendo uma perseguição muito grande do governo do Estado no quesito regulação", disse.
Questionada na manhã desta segunda-feira (05), diante da falta de atualização do caso, a Sesab informou:
Cumprindo determinação do Conselho Federal de Medicina (CFM), a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) não comenta ou fornece informações sobre pacientes da rede de assistência estadual". Essa medida, que resguarda o paciente e equipe profissional, tem amparo no Código de Ética Médica, Capítulo IX, Artigo 75, em que é vedado "fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos, em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente". Ainda no Artigo 73, parágrafo único, a divulgação permanece proibida "mesmo que o fato seja de conhecimento público ou o paciente tenha falecido".
O respaldo dessa medida de não divulgação também está na Lei de Acesso à Informação (art. 31, & 1º, I da Lei nº 12.527), norma que garante 100 anos de sigilo para informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem.
Atualização (segunda-feira, 05, 17h40)
Em contato com a reportagem, a Sesab informou que o paciente foi regulado nesta tarde para o Hospital Couto Maia.
