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Dólar fecha em R$ 5,73, maior valor desde 2021, após decisão do Copom e tensões no Oriente Médio

Dólar fecha em R$ 5,73, maior valor desde 2021, após decisão do Copom e tensões no Oriente Médio

Por Tamara Nassif/Folhapress

01/08/2024 às 17:30

Atualizado em 01/08/2024 às 17:30

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Dólar fechou em alta firme de 1,43% nesta quinta-feira (1°)

O dólar fechou em alta firme de 1,43% nesta quinta-feira (1°), cotado a R$ 5,734, com investidores repercutindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e as decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos.

A cotação desta quinta é a maior desde 21 de dezembro de 2021, quando marcou R$ 5,729. No ano, a moeda tem alta acumulada de 16,52%.

Já a Bolsa fechou em queda de 0,19%, aos 127.412 pontos, segundo dados preliminares.

A justificativa para a disparada do dólar recai no acirramento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, na visão de André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online.

Um dia depois do ataque que matou Ismail Haniyeh, líder político do Hamas, em Terãa, o governo de Israel anunciou a morte do chefe da ala militar do grupo terrorista da Faixa de Gaza. Mohammed Deif morreu, segundo o Estado judeu, em um bombardeio no mês passado.

"O ataque de Israel é muito significativo, porque agora parece haver um aval do líder iraniano para que Terãa faça uma retaliação", afirma.

No funeral de Haniyeh, o chefe supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, jurou vingança pela morte do aliado. O mesmo foi visto em Beirute durante o enterro do chefe operacional do grupo Hezbollah, bancado por Teerã e aliado do Hamas e outros, como os houthis do Iêmen.

Para os mercados, a escalada de tensões "tem levado parte dos investidores a buscar ativos mais seguros, como ouro e o dólar", explica Galhardo.

Isso ainda se soma à resposta dos investidores à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na véspera após o fechamento dos mercados.

A cúpula do BC (Banco Central) optou por manter a taxa básica de juros do país —a Selic— em 10,50% ao ano. No comunicado emitido após a decisão, adotou um tom mais duro ao enfatizar a necessidade de "maior vigilância" diante das conjunturas doméstica e internacional, que demandam "acompanhamento diligente e ainda maior cautela".

"Os impactos inflacionários decorrentes dos movimentos das variáveis de mercado e das expectativas de inflação, caso esses se mostrem persistentes, corroboram a necessidade de maior vigilância", disse o Copom em trecho do documento.

O colegiado ressaltou o cenário global incerto e o ambiente doméstico marcado pela resiliência da atividade econômica, pela elevação das suas próprias projeções de inflação e pela piora das expectativas.

Para alguns analistas, no entanto, o fato de o Copom não ter sinalizado uma possível alta nos juros é motivo de preocupação.

O comunicado "não foi tão agressivo quanto poderia ter sido dada a deterioração das perspectivas de inflação e do equilíbrio de riscos", disse Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs.

O Boletim Focus desta semana apontou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fechará 2024 em 4,10%, ante avanço de 4,05% na semana anterior, segundo estimativas de analistas consultados pelo BC.

As previsões vêm na esteira dos últimos dados de inflação medidos pelo IPCA-15, que, pelo período de coleta, funciona como uma espécie de prévia do indicador oficial. Apesar de terem desacelerado em relação ao mês anterior, os preços subiram mais do que o esperado, a 0,30%, com a taxa de 12 meses batendo 4,45%.

O BC trabalha com a meta de inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para cima e para baixo. Com a base anual próxima ao teto de 4,50%, a dúvida agora é se o atual patamar da Selic é contracionista o suficiente para levar a inflação de volta à meta.

A autoridade monetária "se comprometeu com maior cautela, até mesmo maior vigilância, mas não conseguiu dar nenhum sinal claro de que está contemplando uma reação mais forte", disse Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, em relatório a clientes.

"Esperamos que a taxa de referência permaneça inalterada até o fim do ano, apesar das crescentes preocupações sobre esse nível ser suficiente para promover a convergência."

O contexto, para Galhardo, da Remessa Online, mostra que "o real não está seguro nem mesmo com o início do ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos", possibilidade que foi ofuscada nesta sessão diante do balanço de riscos feito pelos investidores.

A tese de que os juros podem cair nos EUA na próxima reunião de política monetária ganhou força ontem, após o Fed manter a taxa de referência inalterada na faixa de 5,25% e 5,5%.

No comunicado, a autarquia afirmou que os preços agora estão apenas "um pouco elevados", a primeira suavização na linguagem desde que o banco central deu início à batalha contra a inflação, classificada como "elevada" nos últimos comunicados.

Isso abriu espaço para interpretações de que o ciclo de afrouxamento monetário poderá ter início na reunião marcada para 17 e 18 de setembro, à medida que a inflação continua convergindo à meta de 2%.

A autarquia usa o PCE (índice de preços de gastos com consumo, em inglês) para balizar a inflação. O índice subiu 2,5% em junho, depois de ultrapassar 7% em 2022.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o comunicado "não foi explícito" em sinalizações sobre futuras reuniões, mas "abriu muito a possibilidade de um corte em setembro, a partir dos dados monitorados pelo Fed".

"Temos um processo de desinflação acelerado, e, ao mesmo tempo, a percepção de que a própria atividade econômica está desacelerando. Se os juros não caírem em setembro, certamente cairão nas outras duas reuniões do ano", afirma.

Em coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o comitê "não tomou decisão nenhuma sobre reuniões futuras". No entanto, acrescentou que, como a autarquia tem ganhado confiança de que as pressões sobre os preços estão mais moderadas, "a economia está se aproximando do ponto em que será apropriado reduzir nossa taxa de juros".

Uma taxa alta nos Estados Unidos, tidos como a economia mais segura do mundo, desestimula investimentos em ativos de risco por puxar os investidores aos títulos ligados ao Tesouro norte-americano, chamados de Treasuries.

Isso significa que, quanto mais o banco central norte-americano cortar os juros, melhor para o real e outras moedas emergentes, além do próprio mercado acionário. No entanto, nesta sessão, as incertezas externas e domésticas minaram o otimismo dos investidores.

Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,64%, cotado a R$ 5,653, e a Bolsa avançou 1,20%, aos 127.651 pontos.

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