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Tiago D. Oliveira lança novo livro de poemas no dia 15 de agosto

Tiago D. Oliveira lança novo livro de poemas no dia 15 de agosto

Por Redação

31/07/2024 às 10:21

Atualizado em 31/07/2024 às 10:22

Foto: Divulgação/Arquivo

Tiago D. Oliveira lança novo livro de poesias no dia 15 de agosto

O poeta baiano Tiago D. Oliveira lança, no próximo dia 15, o livro "Caramelo quer ver o mar", no Goethe-Institute, em Salvador, a partir das 18h. O evento terá mediação de Alex Simões e participação de Matheus Peleteiro.

A obra

A princípio, a voz que se exerce ao longo do livro não fala, escreve. Segundo o poeta, escreve-se com o rabo, faço pequenas lutas com o rabo, com o maxilar, tornando os poemas objetos pontiagudos, como têm de ser, que na medida em que desenha a cartografia das cidades, todas portadoras de realidades imaginárias, todas vivas, essa voz não se esquece de sutilmente ferir o que venha reduzir sua potência de expansão. É necessário que comecemos a perguntar a partir do livro de Tiago D. Oliveira, onde e a partir de que instante começa a voz de alguém, de um lugar, de uma sensação ou de um poema. Uma voz jamais é una e sim um composto variável de sonoridades animais, históricas, afetivas, musicais, portanto é neste sentido que um poema se torna uma garganta aberta, não de uma pessoa, mas de um coro informe, assim como você surpreenderá em flagrante através do mutismo falante de Caramelo quer ver o mar.

Esse coro informe (geografias, laços de amizade, atos, voz de cão) dá contorno ao livro que agora levamos nas mãos. Sua trama é feita por meio de dois vetores: do poeta-que-lê e do leitor-que-escreve, pois há por toda parte, desde o título dos poemas até as lacunas entre as estrofes, o suporte de muitas vozes. Elas aparecem como condutoras do espírito do caminho do autor - vozes de sua biblioteca íntima – apesar da reapropriação de alguns versos não significar uma homenagem, e sim, um procedimento.

Ao rasgar versos de uma constelação de escritores, e costurá-los em seus poemas de tal maneira que, esses versos, ganham uma luminosidade diferente tanto pela ocupação de um outro espaço, passam a estar instalados em poemas radicalmente heterogêneos, quanto a conquista de uma forma nova, outro fogo. Quando cultiva e escolhe, endereça e alimenta por meio de seus cortes e suturas, o poeta que Tiago D. Oliveira é, apresenta-se como um rapsodo, um artista da colheita. Isso pode ser dito em relação ao Caramelo, à proporção que vai farejando nas ruas a força das ruínas modernas com as quais se defronta. Claro que Caramelo não se refere a um personagem: caso sim, trata-se de um personagem só voz, só rabo e faro. Podemos considerá-lo uma coleção de atos, um amplificador de sensações, além de proposições de vida forte.

Diante disso, Caramelo quer ver o mar não escapa de ser um nome de um livro, uma imagem, mas também um campo de desejo, cuja abertura principal é a possibilidade dele andarilhar com as nossas vivências, nossas vitalidades firmes, e por isso mesmo reiteradamente ameaçadas, andar junto ao ponto de fazer das patas uma religião. Isto quer dizer: estar presente com, estar presente pela cidade, por nós, se torna uma espécie de reza, a essencial forma de oração.  Este livro nos propõe, a todo momento, a necessidade de caminharmos coletivamente, esclarecendo que andar é uma ação pública, que realizamos entrelaçados com a multidão.  E sobretudo, é preciso não esquecer que, o cão que somos quer é ver outro para cheirar o rabo e seguir. Acho um livro mágico, e como é de praxe nas alquimias, os elementos cortantes são a energia motriz do pensamento aliados a uma serenidade irradiante.

Moisés Alves

Trecho do livro

Madame Bovary, c’est moi

(p. 22)

a cidade sou eu,

cortando, a quatro patas, o verbo  que a todos sustenta, por onde  passam dúvidas e sonhos.

a cidade sou eu,  escrevendo com os dentes  afiados na dúbia maestria  viva de mostrá-los –  veja!

a cidade sou eu,  tateando o que me foi legado:  a herança Macro-jê,  a diáspora atlântica,  marcas no fundo branco  do olho de toda gente.

a cidade sou eu,  revirando os ossos,  costurando na rabiola  do tempo o tempo.

a cidade sou eu.  não há crime maior,  o de existir

Sobre o autor

Tiago D. Oliveira é de Salvador-BA, escritor, poeta, professor e pesquisador. Tem poemas publicados em revistas e jornais especializados no Brasil, Portugal e Espanha. Publicou As solas dos pés de meu avô em 2019 no Brasil, e em 2021 em Portugal. O livro Mainha, em 2021. Para além de 22 – um roteiro poético da semana de arte, em 2022, entre outros. Foi finalista do prêmio Oceanos 2020 e Vencedor do Selo João Ubaldo Ribeiro 2020 com o livro Soprando o vento.

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