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Duda Salabert apaga post em que dizia ser contra abandonar cargo para disputar eleição
Duda Salabert apaga post em que dizia ser contra abandonar cargo para disputar eleição
Por Artur Búrigo/Folhapress
17/07/2024 às 21:45
Atualizado em 17/07/2024 às 21:45
Foto: Reprodução

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), pré-candidata à Prefeitura de Belo Horizonte, apagou uma publicação em uma rede social em que afirmava ser contra abandonar o cargo para disputar outra eleição.
A informação da exclusão do conteúdo foi confirmada pela assessoria da deputada.
"É uma postagem de quatro anos atrás. Dois anos após a postagem, fui eleita deputada federal, fato que exemplifica que a postagem não fazia sentido, por isso a deletamos. Minha prioridade continua sendo fazer o melhor por Belo Horizonte", disse a deputada, em nota.
Na publicação, Salabert dizia ser "contra abandonar o cargo para disputar outra eleição. Caso eleita, não disputarei daqui dois anos outro cargo. Meu compromisso é com BH, com os problemas da cidade e com a organização do campo progressista daqui. Assim, cumpriria os quatro anos de vereadora de BH".
Em 2020, Salabert foi a vereadora mais votada em Belo Horizonte, com 37.613 votos. Dois anos depois, concorreu ao cargo de deputada federal, quando foi eleita com 208 mil votos. Em fevereiro de 2023, deixou o mandato de vereadora para assumir a cadeira no Congresso Nacional.
Pré-candidata para as eleições deste ano, Salabert tem citado sua posição nas pesquisas eleitorais para afirmar que é a postulante mais competitiva da esquerda e que não irá retroceder em sua intenção de concorrer à Prefeitura.
Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no dia 5 de julho, Salabert aparece com 10% das intenções de voto, enquanto o deputado Rogério Correia (PT) pontuou 8%. Com margem de erro de quatro pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Correia ainda tenta atrair Salabert a uma eventual chapa única da esquerda para as eleições de Belo Horizonte e, para isso, deixa a vaga de vice em aberto.
O petista defende que as pesquisas não devem ser o único critério para a escolha da cabeça de chapa e cita ser o candidato escolhido pelo presidente Lula (PT) como trunfo para angariar o apoio da esquerda.
Na semana passada, as deputadas estaduais Bella Gonçalves (PSOL) e Ana Paula Siqueira (Rede), que eram pré-candidatas, anunciaram apoio à candidatura de Correia, que passou a reunir cinco partidos (PT, PV, PC do B, PSOL e Rede) em torno do seu nome.
O presidente do PDT em Minas Gerais, deputado federal Mário Heringer, descartou a possibilidade de o partido apoiar outro candidato nas eleições enquanto Salabert mantiver o interesse em concorrer no pleito.
"A esquerda ainda vê a Duda de maneira estigmatizada, preconceituosa. Ela é muito mais que uma personagem trans a que as pessoas estão querendo restringi-la. A Duda tem mais voto que os outros candidatos e eles querem que ela seja a vice", afirmou Heringer à reportagem.
Em meio à pressão sobre Salabert, entidades e movimentos sociais ligados à causa trans elaboraram uma carta em que manifestam apoio à deputada e defendem a manutenção de sua candidatura.
No documento, os signatários afirmam que a política exclui pessoas LGBTQIA+ de seus espaços decisórios e citam como exemplo a Câmara dos Deputados, que em toda a sua história só teve duas travestis eleitas —Duda e Erika Hilton (PSOL-SP).
A disputa deste ano em Belo Horizonte é considerada como uma das mais emboladas do país. São mais de dez pré-candidatos que concorrem no terceiro maior colégio eleitoral do país.
O deputado estadual e apresentador de TV Mauro Tramonte (Republicanos) aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto. A corrida eleitoral também deve contar com o atual prefeito, Fuad Noman (PSD) e o deputado estadual Bruno Engler (PL), apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O governador Romeu Zema (Novo) diz apoiar a ex-secretária de seu governo Luísa Barreto (Novo).
