Inflação fica acima das projeções em janeiro com pressão de alimentos
Por Leonardo Vieceli/Folhapress
08/02/2024 às 09:21
Atualizado em 08/02/2024 às 09:21
Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), até desacelerou em janeiro, mas veio acima das projeções de analistas do mercado financeiro.
A alta foi de 0,42% no primeiro mês de 2024, após taxa de 0,56% em dezembro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 0,34% para janeiro.
Com o novo resultado, o IPCA atingiu 4,51% no acumulado de 12 meses, diz o IBGE. Nesse recorte, a alta dos preços era de 4,62% até dezembro.
De acordo com o IBGE, a alta em janeiro foi puxada pela carestia dos alimentos. A maior variação (1,38%) e o principal impacto (0,29 ponto percentual) vieram do grupo alimentação e bebidas, que acelerou em relação a dezembro (1,11%).
O centro da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) é de 3% para o acumulado de 2024. A tolerância é de 1,5 ponto percentual para menos ou para mais. Assim, a meta será cumprida se o IPCA ficar no intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Na mediana, projeções do mercado financeiro apontam que o IPCA fechará 2024 em 3,81%, conforme a edição mais recente do boletim Focus, divulgada pelo BC na terça-feira (6). A previsão está abaixo do teto da meta (4,5%).
Nos últimos meses, o Brasil atravessou eventos climáticos extremos, como ondas de calor no Sudeste, seca no Norte e tempestades no Sul. O país vive os reflexos do fenômeno El Niño, conhecido por afetar a distribuição das chuvas.
Segundo analistas, os episódios climáticos tendem a pressionar em 2024 os preços dos alimentos, que afetam principalmente o bolso dos consumidores mais pobres. As famílias com renda menor destinam uma fatia maior do orçamento, em termos proporcionais, para a compra de comida.
