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Lula volta a acusar EUA de manipulação em visita a refinaria símbolo da Lava Jato
Lula volta a acusar EUA de manipulação em visita a refinaria símbolo da Lava Jato
Por José Matheus Santos/Renata Galf/Folhapress
18/01/2024 às 18:46
Atualizado em 18/01/2024 às 20:03
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira (18), em referência à Lava Jato, ainda que sem mencioná-la explicitamente, que tudo que aconteceu no Brasil foi uma mancomunação de alguns juízes e procuradores brasileiros "subordinado ao departamento de Justiça dos Estados Unidos que queriam e nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a Petrobras".
A fala foi feita durante visita para anúncios de investimentos na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, a 43 km do Recife.
"Tudo o que aconteceu nesse país foi uma mancomunação entre alguns juízes desse país, alguns procuradores desse país, subordinado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que queriam e nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a Petrobras".
"Eles não queriam que a gente tivesse a Petrobras em 1953", afirmou logo após a fala sobre os estadunidenses.
"Somente cinco anos depois [de deixar a Presidência] começou o processo de denúncia contra a Petrobras, que, na verdade, não era contra a Petrobras, se quiser apurar corrupção, apura-se. O que não pode punir é a soberania do país e da sua empresa mais importante que é a Petrobras", afirmou.
Lula também afirmou, no discurso, que o Brasil tem "uma elite com complexo de vira-lata, subordinada aos interesses dos outros e com pouco interesse nesse país".
Um dos símbolos da Lava Jato, a refinaria de Abreu e Lima esteve na sentença condenatória de Lula em primeira instância no caso do tríplex, em Guarujá (SP), assinada pelo então juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Lava Jato e que foi depois anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
O empreendimento, lançado em 2005 em parceria com a estatal venezuelana PDVSA, sob o governo de Hugo Chávez, não foi completamente terminado e, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), já gerou perdas de aproximadamente R$ 15,5 bilhões, operando com menos da metade da capacidade projetada.
Moro afirmou na sentença condenatória que o petista havia recebido vantagem indevida pela OAS, participante de consórcio para construção da refinaria com a Petrobras.
Após deixar a magistratura e se tornar ministro de Jair Bolsonaro (PL), o hoje senador pela União Brasil foi declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal em sua atuação nos processos de Lula e teve suas decisões anuladas.
Lula foi à região anunciar investimentos ao projeto, previstos pelo novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e pelo Plano Estratégico da Petrobras, de 2023 a 2027.
O projeto de expansão do chamado trem 2 da refinaria acrescenta capacidade de refino de 150 mil barris de petróleo, com a produção de 300 milhões de litros de diesel ao ano. Ele foi aprovado ainda no governo Jair Bolsonaro (PL), após dificuldade na venda do ativo por não estar concluído.
