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Agronegócio e evangélicos montam ofensiva contra plano de ensino do governo Lula

Agronegócio e evangélicos montam ofensiva contra plano de ensino do governo Lula

Por João Grabriel/Folhapress

24/01/2024 às 19:45

Atualizado em 24/01/2024 às 19:45

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Educação, Camilo Santana, com o presidente Lula

As bancadas ruralista e evangélica do Congresso Nacional se mobilizaram contra o PNE (Plano Nacional de Educação) do governo Lula (PT).

Em nota conjunta publicada nesta quarta-feira (24), os dois grupos, além de outras frentes do Congresso ligadas a movimentos conservadores, pedem o adiamento da Conae (Conferência Nacional de Educação) deste ano e tecem críticas às políticas educacionais da gestão petista.

A ação dos parlamentares acirra ainda mais os ânimos da relação entre o governo petista e a ala mais conservadora do Congresso, e coloca novamente a educação como palco dessa disputa política.

Em novembro de 2023, a bancada ruralista já havia criticado o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e pedido anulação de questões relacionadas ao agronegócio —as perguntas, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, tinham sido elaboradas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Mais recentemente, após Lula revogar uma norma que suspendia um benefício tributário a pastores, a bancada evangélica fez críticas à gestão petista e pediu a retomada da vantagem.

A Conae de 2024 foi convocada de forma extraordinária pelo governo Lula para debater o Plano Nacional de Educação e está marcada para começar em 28 de janeiro. A programação vai até o dia 30.

As frentes parlamentares criticam trechos do documento de referência da conferência e que deve balizar as discussões do grupo. Elas afirmam que há pontos com viés político e ideológico no documento.

A Conae propõe, por exemplo, a desmilitarização das escolas, critica a prática de "homeschooling" (ensino em casa), o movimento Escola Sem Partido e políticas chamadas de ultraconservadoras. Também defende temas como diversidade de gênero e religião, debates sobre questões LGBTQIA+ e ambientais.

"O texto base expõe diversas questões político-ideológicas, sem embasamento científico, ao qual recomendamos a suspensão para que todos os setores econômicos e sociais possam participar ativamente das discussões", reclamam evangélicos e ruralistas, em nota.

Trata-se de mais um capítulo da tensão entre Executivo e Legislativo durante o recesso do Congresso Nacional.

A bancada evangélica se mobilizou contra Lula após a revogação dos benefícios tributários para pastores.

No início de 2024, cumprindo um acordo firmado no início de 2023, a Frente Parlamentar Evangélica voltará a ser comandado pela ala mais conservadora e bolsonarista –avessa à gestão petista.

Após ser comandada por Silas Câmara (Republicanos-AM), deputado que mantém diálogo com integrantes do governo Lula, o grupo passará a ser liderado por Eli Borges (PL-TO), do partido de Bolsonaro.

Já a bancada ruralista se consolidou durante o governo Bolsonaro como uma das frentes mais poderosas da Câmara dos Deputados.

Em 2023, liderou não só os movimentos contra o STF (Supremo Tribunal Federal), mas também aplicou derrotas importantes no governo Lula.

Também assinam o documento contra a Conae outras frentes parlamentares, como a de Comércio e Serviço, da Segurança Pública (ligada à bancada da bala) e a do Brasil Texas.

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