Bolsa dispara e dólar cai a R$ 4,89 após dados fracos de emprego nos EUA
Por Folhapress
03/11/2023 às 10:51
Atualizado em 03/11/2023 às 10:51
Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

A Bolsa brasileira registrava alta de mais de 2% no início das negociações desta sexta-feira (3), acompanhando os índices americanos, enquanto o dólar operava abaixo dos R$ 4,90, após a divulgação de dados de emprego mais fracos que o esperado nos Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, a abertura de vagas fora do setor agrícola do país subiu para 150 mil postos em outubro, e os números de setembro foram revisados para baixo, de 336 mil para 297 mil vagas criadas.
Os novos dados deram alívio a investidores, que ainda temem uma possível nova alta nos juros americanos neste ano. Com sinais de desaceleração da economia, a tendência é que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) avalie que um novo aperto monetário não será necessário.
"Os investidores interpretarão o fraco relatório de emprego de hoje como um sinal de que a demanda no mercado de trabalho está diminuindo", disse Richard Flynn, diretor-gerente da Charles Schwab UK.
"Para os banqueiros centrais, um mercado de trabalho mais flexível é outra razão para evitar novos aumentos das taxas de juro —algo que os investidores podem ver como uma fresta de esperança."
Além disso, a Bolsa também era apoiada por um movimento de correção da véspera, quando não houve atividade no Brasil por conta do feriado de Finados.
Às 10h42, o Ibovespa subia 2,15%, aos 117.528 pontos, enquanto o dólar recuava 1,64%, cotado a R$ 4,888.
Na quarta (1°), o Federal Reserve (banco central americano) manteve os juros dos EUA na faixa entre 5,25% e 5,50%, o que apoiou os ativos de risco globais. Os principais índices acionários americanos fecharam em alta, e a Bolsa brasileira subiu 1,68%, aos 115.052 pontos.
No câmbio, o dólar registrou forte queda ante o real, pressionado justamente pelos juros americanos. Após o anúncio da decisão do Fed, os rendimentos dos títulos americanos, os chamados "treasuries", caíram para 4,76%.
Quedas nos rendimentos dos títulos costumam pesar contra o dólar e favorecer a renda variável pois diminuem a atratividade da renda fixa americana, o que faz com que investidores aloquem seus recursos em ativos de maior risco, como o mercado de ações e países emergentes.
Além disso, novos dados de emprego nos EUA foram divulgados pela manhã e vieram abaixo das previsões do mercado, o que também pressionou o dólar. O Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrou que o setor privado americano criou 113 mil postos de trabalho em outubro, abaixo da expectativa de 150 mil.
Com isso, a moeda americana recuou 1,38%, cotada a R$ 4,970.
