Dólar abre em queda com juros americanos no radar
Por Folhapress
08/09/2023 às 09:41
Atualizado em 08/09/2023 às 09:41
Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

O dólar abriu em queda nesta sexta-feira (8), em sessão que deve ter volumes reduzidos na volta do feriado de 7 de Setembro. O mercado aguarda dados de inflação dos Estados Unidos da semana que vem antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, marcada para este mês.
No exterior, o clima segue negativo para ativos de risco. Investidores ainda mantêm cautela por conta da desaceleração econômica da China, e novos dados sobre o mercado de trabalho americano aumentaram temores sobre uma nova alta de juros nos EUA neste ano.
"Os dados de mercado de trabalho [dos EUA] seguiram mostrando resiliência nos últimos números recebidos nesta semana, com os pedidos iniciais de seguro-desemprego caindo e o custo da mão de obra aumentando. Em meio a tais pressões, o mercado especula se o Fed poderá subir novamente a taxa de juros na reunião de novembro", afirma a equipe da Guide Investimentos.
Às 9h30, o dólar caía 0,26%, cotado a R$ 4,970.
Na Europa, dados recentes de inflação e PIB também vieram piores que o esperado.
No Brasil, a agenda o dia é de agenda esvaziada e deve ter menor volume financeiro. A equipe da Guide destaca, no entanto, a conclusão da reforma ministerial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ocorreu na quarta (6) após o fechamento do mercado e pode ajudar a destravar medidas da pauta econômica no Congresso.
Na sessão de quarta, a Bolsa brasileira registrou forte queda de 1,14% e fechou aos 115.985 pontos, acompanhando os índices americanos e em meio a cautela na véspera de feriado no Brasil. As preocupações com o cenário fiscal brasileiro pesaram nos negócios e reforçaram o viés negativo do Ibovespa.
Já o dólar teve uma sessão volátil, mas firmou leve alta após a divulgação de dados de atividade de econômica os Estados Unidos, com o mercado ainda refletindo temores sobre novas altas de juros no país. A moeda americana terminou o dia com avanço de 0,16%, cotada a R$ 4,984.
As negociações foram por dados de serviço dos EUA, que vieram mais fortes que o esperado e reacenderam alertas sobre possíveis novas altas de juros no país.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) final de serviços dos EUA ficou em 50,5 em agosto, mais fraco que a leitura preliminar de 51,0 e próximo do limiar que separa crescimento de contração.
Por outro lado, uma pesquisa privada separada, do Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, na sigla em inglês), mostrou que o setor de serviços dos Estados Unidos ganhou força inesperadamente em agosto, com firmeza dos novos pedidos e com as empresas pagando preços mais altos por insumos —possíveis sinais de pressões inflacionárias ainda elevadas.
A recente subida do petróleo, cujo barril vem sendo negociado acima de US$ 90, também aumentou receios de pressões sobre a inflação que poderiam obrigar o Fed a manter o aperto nos juros.
Assim, o clima permaneceu negativo nos negócios americanos. As apostas de que o aperto monetário do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) pode ser mantido por mais tempo não foram descartadas e impulsionaram os rendimentos dos títulos americanos, dando força ao dólar.
O movimento também derrubou os índices acionários americanos, que registraram forte queda. O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq recuaram 0,70%, 0,57% e 1,06%, respectivamente.
Nesse cenário, o Ibovespa registrou queda pressionado principalmente pelas ações da Vale, que recuaram 1,73%.
Outro destaque negativo do pregão foi o setor financeiro, após a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto que limita os juros sobre o rotativo do cartão de crédito. Itaú e Bradesco, por exemplo, caíram 1,03% e 1,30%, respectivamente, e ficaram entre os papéis mais negociados da sessão, enquanto o índice que reúne as empresas do setor recuou 1,22%.
A maior queda do dia, porém, foi da Vamos, empresa de locação de caminhões que fez sua estreia no Ibovespa nesta semana. As ações da companhia caíram 7,10% após um corte de recomendação de compra pelo JPMorgan.
Quedas de IRB Brasil (4,49%), CVC (4,93%), Arezzo (4,34%) e Carrefour (3,57%) completaram a lista de maiores tombos do pregão.
"O principal fator de queda para hoje é a contaminação com o cenário negativo no exterior, principalmente pela incerteza com relação a decisão de taxa de juros nos EUA. Além disso, a baixa liquidez e o feriado de amanhã reduzem o ímpeto ao risco pelos investidores", diz Castro.
De acordo com o analista da Terra Investimentos Luis Novaes, a ausência de pregão na quinta-feira, quando a Bolsa estará fechada pelo feriado de 7 de Setembro, corroborou o viés mais vendedor determinado pela perspectiva negativa no exterior.
Atenuou a queda do Ibovespa, por sua vez, a Petrobras, que teve alta de 0,48% em suas ações preferenciais e 0,44% nas ordinárias impulsionada justamente pela subida do petróleo no exterior. Além disso, a petroquímica Braskem subiu 5,56% e registrou o maior ganho do dia.
