Home
/
Noticias
/
Economia
/
Bolsa renova recorde negativo com 13 quedas seguidas e fecha abaixo dos 115 mil pontos
Bolsa renova recorde negativo com 13 quedas seguidas e fecha abaixo dos 115 mil pontos
Por Marcelo Azevedo/Folhapress
17/08/2023 às 18:15
Atualizado em 17/08/2023 às 21:59
Foto: Werther Santana/Estadão/Arquivo

A Bolsa brasileira renovou seu recorde histórico de quedas nesta quinta-feira (17), fechando no negativo pelo 13° pregão seguido sob pressão de Petrobras e do setor financeiro. O desempenho também foi puxado pelo pessimismo no exterior, que fez com que o Ibovespa terminasse o dia em baixa de 0,52%, aos 114.982 pontos.
Já o dólar oscilou em torno da estabilidade no Brasil e no exterior, num cenário de aversão ao risco ainda influenciado por preocupações sobre a economia chinesa e com os juros dos EUA após a divulgação da ata do Fed. Ante o real, a divisa americana teve leve queda de 0,11%, cotada a R$ 4,981.
Para Lucas de Caumont, estrategista de investimentos da Matriz Capital, a sequência de quedas do Ibovespa está ligada a um movimento de realização de lucros, ou seja, quando investidores vendem ações que tiveram forte valorização para efetivar seus ganhos.
"Em algum momento, essa realização tinha que acontecer, e o estopim foi o risco de uma recessão global por conta da China, que, apesar de diversos estímulos econômicos, ainda está com dificuldade de retomar o aquecimento da economia", diz Caumont.
Os temores sobre a China já vinham derrubando ativos globalmente nas últimas semanas, após a divulgação de uma série de dados econômicos que sinalizaram fraqueza no país.
A situação foi agravada nesta semana, quando o gigante imobiliário Country Garden admitiu que pode dar um calote em suas dívidas, num caso semelhante ao da Evergrande, outra importante companhia do setor que trouxe caos aos mercados globais em 2021 também por incertezas sobre o pagamento de títulos.
Caumont lembra, ainda, que o Ibovespa também foi impactado pelo declínio das commodities no exterior em consequência à situação chinesa, que afeta diretamente a Vale e a Petrobras, as maiores empresas da Bolsa brasileira.
Piora a situação da Bolsa brasileira, ainda, a falta de catalisadores para motivar investidores locais. A aprovação do arcabouço fiscal e da reforma tributária, por exemplo, impulsionou os ativos locais em meses anteriores. Agora, a pauta econômica está parada no Congresso, o que traz cautela ao mercado.
"Os investidores permanecem em compasso de espera diante da iminente votação de medidas econômicas no Congresso, fator que também contribui para manter a postura cautelosa entre os agentes do mercado", afirma Bruna Sene, analista da Toro Investimentos.
A queda recente do Ibovespa tem sido acompanhada pela saída de estrangeiros das ações brasileiras, com as vendas superando as compras em quase R$ 7,4 bilhões em agosto até o dia 14.
No pregão desta quinta, o índice abriu em alta e teve apoio da Vale, que subiu 1,40% com a recuperação do minério de ferro no exterior. Ao longo dia, porém, o Ibovespa reverteu os ganhos, sob pressão da Petrobras, que caiu 0,31%, e de ações do setor financeiro.
Os ativos locais também foram pressionados pelas curvas de juros futuros, que registram alta nesta quinta. Os contratos para 2025 iam de 10,51% para 10,54%, enquanto os para 2026 subiam de 10,04% para 10,14%.
No câmbio, o dólar manteve-se estável em meio ao clima de pessimismo mundial, mas houve otimismo sobre possíveis medidas do banco central da China para estimular a economia do país.
Em relatório sobre a implementação da política monetária do segundo trimestre, o Banco do Povo da China afirmou que "alavancará melhor as funções duplas das ferramentas agregadas e estruturais de política monetária e apoiará firmemente a recuperação e o desenvolvimento da economia real".
O anúncio deu leve alívio aos investidores, e a moeda americana começou o dia em queda. Ao longo da sessão, porém, as perdas foram devolvidas e o dólar recuperou força.
Nos Estados Unidos, os principais índices de ações mostraram fraqueza, enquanto investidores avaliavam a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, que mostrou que a maioria das autoridades tem uma visão agressiva sobre os juros.
O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq caíram 0,77%, 0,84% e 1,17%, respectivamente.
