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Crise sobre MPs tem drible de Lira na Constituição e disputa de poder com Pacheco
Crise sobre MPs tem drible de Lira na Constituição e disputa de poder com Pacheco
Por Cézar Feitoza, Victoria Azevedo e Thaísa Oliveira / Folhapress
25/03/2023 às 18:46
Atualizado em 25/03/2023 às 18:46
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A crise entre os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), escalou nos últimos dias com a instalação "imediata" das comissões mistas para MPs (medidas provisórias).
O impasse envolve um drible na Constituição --uma vez que as comissões mistas estão no texto constitucional-- em meio a uma disputa entre senadores e deputados por influência na tramitação das MPs.
Apesar de ser uma questão interna do Legislativo, o impasse já trava há mais de 50 dias a agenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso. Uma das MPs que esperam aprovação é a que reestruturou e criou ministérios, como o dos Povos Indígenas e das Cidades.
Outro texto aguardado pelo governo é o que estabelece o voto de qualidade no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Financeiros). Além disso, programas essenciais para o Palácio do Planalto, como o Minha Casa, Minha Vida, também foram recriados via medida provisória.
Após semanas sem acordo, o tom do embate subiu na quinta-feira (23). De um lado, Pacheco acolheu questão de ordem proposta pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), desafeto público de Lira, e decidiu retomar o rito das comissões mistas, que está na Constituição.
Lira respondeu afirmando que a questão de ordem "não vai andar um milímetro" na Câmara dos Deputados e que "o maior interessado na vigência das MPs" é o Senado porque "eles que indicaram ministros, eles que têm ministérios".
Numa tentativa de amenizar as declarações dadas por Lira, a presidência da Casa divulgou nota no mesmo dia, assinada por sua assessoria de imprensa, sinalizando uma tentativa de diálogo com o Senado.
Na sexta (24), houve nova investida de Lira contra Pacheco. Em um ofício, o presidente da Câmara disse que há falta de coerência de Pacheco no tratamento de MPs editadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por Lula e pediu uma sessão conjunta do Congresso para solucionar a questão. Pouco depois, houve reunião com Lula no Palácio da Alvorada para tratar do tema.
