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Senado: Cacá paga preço de atuação inexpressiva e Otto, do 'peso' do companheiro Jerônimo, por Raul Monteiro*
Senado: Cacá paga preço de atuação inexpressiva e Otto, do 'peso' do companheiro Jerônimo, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
15/09/2022 às 07:50
Atualizado em 15/09/2022 às 07:50
Foto: Divulgação

Praticamente ofuscada pela polarização entre os candidatos do União Brasil, ACM Neto, e do PT, Jerônimo Rodrigues, na sucessão estadual, a disputa pelo Senado assumiu nos bastidores das duas campanhas um contorno muito mais acirrado e eletrizante do que o grande público pode imaginar. Não há motivos para duvidar das pesquisas que apontam a liderança do postulante do PSD, o senador Otto Alencar, na chapa do petista, à única vaga a que a Bahia faz jus nesta eleição à Câmara alta, colocando-o a uma distância confortável de Cacá Leão, o deputado federal do PP que concorre à mesma posição como companheiro de chapa do candidato do União Brasil.
Além de possuir uma trajetória política infinitamente mais longa que a de Cacá, o que repercute no seu elevado grau de conhecimento pelo eleitorado em relação ao concorrente, Otto está disputando o cargo na posição de senador e vem conseguindo associar seu projeto político ao do presidenciável Lula, considerado a maior alavanca eleitoral do grupo governista baiano. Para isso, aproveita-se dos registros da atuação destemida e incisiva que teve na CPI da Covid, a qual funcionou desmascarando negacionistas e permitindo ao país uma reflexão sobre a deplorável gestão do governo Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia quando ainda morria muita gente.
Agora, Otto colhe, devidamente, os frutos do nível de exposição a que deliberadamente - e em benefício da sociedade - se submeteu e lhe rendeu, na época, elogios do próprio Lula, podendo usar à vontade no horário eleitoral tanto flashes de sua participação no colegiado quanto um pedido de voto formal nele feito pelo presidenciável petista, o que, na Bahia, não é pouca coisa. Espelhada pelas sondagens sobre intenções de voto, a condição eleitoral do senador, portanto, marca uma diferença gritante em relação à de Cacá, um político jovem que hoje, no entanto, paga o preço de ter se permitido viver tanto tempo em Brasília como um mero representante do baixo clero.
De fato, quando mais precisa, falta a Cacá um CPF político, uma forma de que se possa extrair uma referência dele como parlamentar, atividade em essência ligada ao confronto e à discussão de ideias, e que remeta à mais leve memória sobre uma contribuição sua a respeito de qualquer tema, apesar dos anos de vida pública, ainda que iniciada muito jovem. O argumento de que seria um líder exclusivamente de bastidor, campo em que muitos mergulham no Parlamento por aptidão ou imposição da dura competição comum ao Legislativo, não o socorre neste momento, tanto que passa a depender inteiramente da vinculação de seu nome ao de Neto para poder crescer.
Usando sua liderança nas pesquisas, o candidato do União Brasil não poupa esforços para puxar o deputado do PP para cima, ressaltando como será importante tê-lo no Senado como aliado de seu eventual governo em Brasília, ancorado na convicção, já testemunhada na Bahia várias vezes, de que o eleitor vai optar por eleger a chapa completa à sucessão estadual. Não está errado. Aliás, já se especula abertamente que Otto poderia, neste momento, desfrutar de posição muito mais tranquila, não estivesse sendo contido na corrida ao Senado pelo peso de Jerônimo, cujo crescimento, a 17 dias da eleição, está longe de garantir a vitória ao petista.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
