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Governador de São Paulo se diz frustrado com Bolsonaro e vê falta de reformas pior que golpismo
Governador de São Paulo se diz frustrado com Bolsonaro e vê falta de reformas pior que golpismo
Por Carlos Petrocilo e Carolina Linhares, Folhapress
15/08/2022 às 14:41
Atualizado em 15/08/2022 às 16:26
Foto: Bruno Santos/Folhapress/Arquivo

Eleitor de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), disse nesta segunda (15) ter se frustrado com seu voto. Para o tucano, é mais grave o fato de o atual presidente não ter consolidado reformas administrativas e tributárias em comparação com as atuais ameaças de golpe.
As declarações foram dadas em sabatina realizada pela CBN e pelos jornais O Globo e Valor Econômico.
"Sou eleitor frustrado [do Bolsonaro], votamos para fazer reforma tributária e administrativa, não aconteceu. Paramos na [reforma da] Previdência, que já estava pactuada", disse o governador.
"Não acredito nessas ameaças [de golpe]. Temos uma democracia consolidada e, hoje, uma desarmonia de Poderes. O grave foi não combater os problemas reais do Brasil, [e, se tivéssemos feito] as reformas administrativas e tributárias, estaríamos em um outro momento. Estou em minha sétima eleição, disputando com urnas eletrônicas, isso [ameaças de golpe] não é problema real."
Em sua campanha à reeleição, Rodrigo se diz descolado da polarização em torno da Presidência, entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador evitou responder em qual dos dois votaria no segundo turno. Ao ser questionado sobre o voto "Bolsodrigo", afirmou que existe também o "Luladrigo", já que dois partidos da coligação de Lula (Avante e Solidariedade) o apoiam em São Paulo.
O tucano tenta se vender como um candidato autônomo, diferentemente de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), apadrinhados, respectivamente, por Lula e Bolsonaro.
Na sabatina, porém, Rodrigo seguiu sua série de acenos ao eleitorado bolsonarista, dizendo-se favorável a uma legislação penal mais dura. "Essas pautas sempre foram de São Paulo. São Paulo sempre se posicionou sobre, por exemplo, a mudança do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]. [...] Eu pessoalmente sou favorável à redução da maioridade penal para 16 anos", disse.
"Eu pessoalmente sou favorável à posse de armas, não tenho nenhum problema de armas legais, registradas, dentro da residência das pessoas, no seu trabalho, mas o porte de armas se mostrou algo que muitas vezes aumenta a violência, então tenho essa discordância em relação à legislação federal."
Em relação ao policial militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de matar o lutador de jiu-jítsu Leandro Lo, Rodrigo defendeu a demissão do agente. "O policial está preso. Já abrimos um procedimento disciplinar. O salário dele está suspenso. E não tenho nenhuma dúvida de que vai terminar o processo disciplinar com a expulsão dele, que não é policial, é um assassino", disse.
Em terceiro nas pesquisas, atrás de Haddad e de Tarcísio, segundo o último Datafolha, Rodrigo prometeu que devolverá à população na faixa de pobreza o imposto estadual pago durante a compra de produtos. A medida poderá ter impacto de R$ 1,5 bilhão, de acordo com estimativa do tucano.
"A população pobre não vai pagar imposto nos próximos quatro anos no nosso estado. O estado possui 1,7 milhão de famílias, ou seja, 4,5 milhões de pessoas em situação de pobreza e de extrema pobreza", disse. "Vamos devolver todo imposto estadual pago na compra de algum produto com nota fiscal."
