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Cunhada de ex-secretário de Bolsonaro ganhou cargo na Fundação Casa de Rui Barbosa de forma ilegal, diz MPF
Cunhada de ex-secretário de Bolsonaro ganhou cargo na Fundação Casa de Rui Barbosa de forma ilegal, diz MPF
Por Folhapress
12/07/2022 às 21:01
Atualizado em 12/07/2022 às 21:01
Foto: Alexandre Macieira/Riotur

O Ministério Público Federal moveu uma ação civil pública para apurar a nomeação de Fabiane dos Santos Monteiro, atual chefe da divisão de difusão cultural da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Segundo o MPF, Monteiro não teria "os requisitos necessários para ocupar a função para a qual foi incumbida".
Fabiane é irmã de Catiane Seif, por sua vez mulher de Jorge Seif, que foi secretário de Pesca e figura próxima do presidente Jair Bolsonaro, do PL, até março deste ano. Assim, tanto a cunhada como a mulher de Seif, nomeada para a Embratur em 2020, são atualmente servidoras do governo.
Fabiane foi indicada ao cargo em janeiro de 2021 pelo então ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, depois substituído por Carlos Brito. A ação, com pedido de liminar, pede a nulidade da nomeação e de todos os seus feitos desde então.
Atualmente a casa é presidida pela atriz e roteirista Letícia Dornelles, nomeada por Bolsonaro em outubro de 2019.
Antes de mover a ação, o MPF diz ter pedido ao Ministério do Turismo que fornecesse documentos que comprovassem a competência de Monteiro ao cargo. A pasta respondeu que a servidora cumpria o perfil exigido. No documento anexado à ação, porém, o órgão aponta que Fabiane atuou apenas como assessora de clientes em loja de varejo, auxiliar judiciário em outra empresa e como coordenadora de telemarketing, além de não ter graduação além do ensino médio.
Contatada pela reportagem, a Fundação Casa de Rui Barbosa não respondeu ao pedido de comentário até a publicação desta reportagem.
"Houve evidente atribuição de funções públicas a uma pessoa cuja habilidade profissional é incompatível com as atividades a serem exercidas. E esse ilícito merece correção pelo Poder Judiciário", escreve o procurador da República Renato Machado, autor da ação.
