BC dos EUA sobe juros em 0,75 ponto percentual e prevê novas altas
Por Folhapress
27/07/2022 às 16:15
Atualizado em 27/07/2022 às 16:15
Foto: Kevin Lamarque/Reuters/Folhapress

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou nesta quarta-feira (27) um novo aumento de 0,75 ponto percentual da sua taxa de juros, elevando a meta máxima para 2,5% ao ano.
Depois de uma alta também de 0,75 ponto percentual no mês passado e movimentos menores em maio e março, o Fed já elevou sua taxa básica em um total de 2,25 ponto neste ano.
O foco do aperto ao crédito é combater a inflação nos Estados Unidos, que está na casa dos 9,1%, a maior em quatro décadas. Sinais de que a economia pode desacelerar ao ponto de conduzir o país a uma recessão, porém, levantam discussões sobre a calibragem da política monetária americana.
Até março deste ano, o alvo era uma taxa anual de, no máximo, 0,25%. A rápida aceleração dos últimos quatro meses representa uma das mudanças mais rápidas na política monetária dos EUA. Além disso, o Fed encerrou um programa bilionário de compra de ativos.
Zerar os juros e comprar títulos foram medidas adotadas pela autoridade monetária para estimular a economia americana durante o período em que a pandemia de Covid-19 impunha mais restrições às atividades produtivas.
Desde o ano passado, com o avanço da vacinação permitindo a retomada da circulação de pessoas, o aquecimento do consumo associado a uma política de juros baixos vem fazendo a inflação disparar.
Mas embora tenha havido pouco progresso ainda na luta contra a inflação, sinais de estresse econômico estão se acumulando e aumentando a pressão sobre os membros do Fed, conforme eles avaliam o quanto a política monetária precisa ser apertada para diminuir os aumentos de preços em meio ao risco de que ir longe demais poderia desencadear uma recessão.
Mesmo antes da reunião política desta semana, o problema da inflação foi considerado tão grave que os investidores avaliaram haver uma chance em quatro de o Fed surpreender os mercados com um aumento maior de 1 ponto percentual.
Conforme o impacto do Fed na economia se torna mais aparente, a questão agora é se ele está correndo o risco de exagerar.
Parte do mercado de títulos dos EUA está sinalizando uma maior probabilidade de recessão, com os rendimentos em notas do Tesouro dos EUA de 2 anos agora mais altos do que os de 10 anos, um possível sinal de perda de confiança no crescimento econômico a curto prazo e refletindo uma possibilidade de o Fed ser forçado a cortar os juros dentro de um período de tempo relativamente curto.
