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França promete candidatura até o fim se acordo com PT naufragar e diz que não esconderá Lula
França promete candidatura até o fim se acordo com PT naufragar e diz que não esconderá Lula
Por Joelmir Tavares/Folhapress
02/05/2022 às 11:29
Atualizado em 02/05/2022 às 11:29
Foto: Werther Santana/Arquivo/Estadão

O ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) reafirmou sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes caso fracasse um acordo dele com o PT para eventual retirada do nome de Fernando Haddad, ao participar de sabatina realizada por Folha e UOL nesta segunda-feira (2).
Com 20% das intenções de voto segundo a última pesquisa do Datafolha, França diz ter proposto ao PT que a escolha do nome do grupo na disputa estadual seja feita levando em conta não só a declaração de voto, mas também a possibilidade de voto aferida pelos levantamentos.
"Se não houver acordo, vamos com a candidatura até o fim", afirmou. "Se eles não toparem a [definição por] pesquisa, nós teremos duas candidaturas." Ele argumenta que sua campanha seria mais forte por ter mais facilidade do que a de Haddad em atrair eleitores refratários à esquerda.
Segundo o ex-governador, o pré-candidato do PT à Presidência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, aceitaram a proposta, mas o diretório petista estadual ainda quer analisar melhor o assunto.
Ainda de acordo com ele, Haddad declarou que concorda com a escolha via pesquisas, mas que haveria entraves com o comando do partido no estado. "O acordo tem a ver com a escolha do Senado. O que ganha disputa o governo e o que perde, se quiser, disputa o Senado", disse.
O representante do PSB respondeu que não esconderá Lula em sua campanha, caso ela seja mantida, já que a prioridade é evitar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). "Hoje o que está em discussão é democracia [versus] não democracia. E eu vou ficar do lado da democracia."
França também usou a sabatina para acenar com promessas e plataformas de campanha. Disse ser a favor das câmeras corporais nas roupas dos policiais militares, mas defendeu que os equipamentos sejam acionados só antes de ações com uso de arma, em vez de gravarem imagens ininterruptamente.
O assunto entrou na pauta da eleição estadual depois que o pré-candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado por Bolsonaro, criticou o programa criado na gestão de João Doria (PSDB), que reduziu a letalidade policial no estado e é elogiado por especialistas.
França disse ver abusos no uso da ferramenta e invasão de privacidade dos agentes. "Só vai ligar a câmera quando estiver em ação. Não a câmera gravando 12 horas por dia", afirmou, propondo um acionamento automático da gravação quando o PM for usar a arma.
"Estou sugerindo que a câmera da farda do policial do seja acionada a partir do momento em que houver possibilidade de uma ação violenta", continuou, acrescentando que preferiria investir em política de segurança de forma mais ampla, direcionando recursos para outras áreas além das câmeras.
O postulante afirmou ainda que, se eleito em outubro para um mandato a partir de 2023, em até dois anos será extinta a cracolândia e em até um ano não haverá mais população de rua. "A gente não pode se acostumar com o que está errado. Isso está errado."
A entrevista com o ex-governador de São Paulo foi conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral, pelo colunista do UOL Leonardo Sakamoto e pela jornalista da Folha Carolina Linhares.
Também nesta segunda, às 16h, a conversa será com o pré-candidato ao governo Felício Ramuth (PSD), ex-prefeito de São José dos Campos. As sabatinas são ao vivo, com 60 minutos de fala.
