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PT prepara documento para dar aval a alianças de Lula com centro

PT prepara documento para dar aval a alianças de Lula com centro

Por Catia Seabra/Folhapress

24/03/2022 às 06:42

Atualizado em 24/03/2022 às 06:42

Foto: Eduardo Knapp/Arquivo/Folhapress

O ex-presidente Lula

Alas majoritárias do PT apresentam nesta quinta-feira (24) ao comando partidário documento que avaliza alianças do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com partidos do centro. Unidas, as três correntes que assinam o texto representam 65% do diretório nacional, instância máxima petista.

"Todas e todos que decidirem pelo enfrentamento a Bolsonaro como prioridade poli?tica dos pro?ximos meses tera?o no PT um aliado para aquela que sera? a eleic?a?o mais importante que ja? enfrentamos", afirma o documento.

Encabeçada pela CNB (Construindo Um Novo Brasil), tendência de Lula, que detém mais de 50% do partido, o documento afirma que as converge?ncias entre os partidos de esquerda, progressistas e democra?ticos devem resultar na constituic?a?o de uma federac?a?o partida?ria de que, ao menos, PT, PC do B e PV fac?am parte.

Segundo o documento, "a federac?a?o apresentara? ao Brasil o nome de Lula para liderar a oposic?a?o a Bolsonaro, consolidara? a coligac?a?o com o PSB, bem como com a federac?a?o PSOL-Rede".

"Ainda seguiremos dialogando com os outros partidos de oposic?a?o ao governo Bolsonaro no sentido da ampliac?a?o do campo de apoio a? candidatura de Lula", acrescenta.

Sob o título "Lula, a esperanc?a do povo brasileiro", o texto diz que para derrotar o bolsonarismo e? preciso dar uma resposta de unidade da sociedade brasileira. Essa unidade, continua, tem seu conteu?do baseado no "enfrentamento ao o?dio, a?s desigualdades, a? poli?tica genocida e a? depredac?a?o ambiental de um governo que em tre?s anos so? promoveu destruic?a?o e retrocessos".

"O PT na?o medira? esforc?os para agrupar e expandir as alianc?as, que pavimentam este campo, sabendo compor em uma mesma ta?tica nacional a pluralidade de movimentos e candidaturas que porventura existam nos estados", conclui.

Sem citar o nome do ex-governador Geraldo Alckmin, que se filiou ao PSB nesta quarta-feira (23), o documento afirma que "a candidatura de Lula devera? trazer, ja? na composic?a?o da chapa de presidente e vice-presidente, a ampliac?a?o e a unidade que se espera das forc?as de oposic?a?o ao governo nesta quadra da histo?ria".

"Faremos, a partir de um nu?cleo democra?tico-popular, a incorporac?a?o de setores e segmentos que sera?o imprescindi?veis neste movimento poli?tico que estamos construindo. Quem outrora na?o esteve conosco e? mais do que bem-vindo a participar deste movimento que devolvera? a cadeira de presidente da Repu?blica ao povo", conclui.

O texto conclama "a unidade dos setores democra?ticos ao redor na?o apenas de uma candidatura a? Preside?ncia da Repu?blica, mas tambe?m de um movimento poli?tico e social que derrote Bolsonaro e enfrente o bolsonarismo".

Após listar críticas ao governo Bolsonaro —como na condução da política econômica e no combate à Covid-19—, o texto afirma que a ampliac?a?o deste movimento, "como a esquerda brasileira ja? soube fazer em outros momentos", deve vir acompanhada de um potente programa de transformac?o?es que responda emergencialmente a?s urge?ncias do povo.

"Oprimida pelo custo de vida, pelo vi?rus e pela viole?ncia, a maioria do povo brasileiro encontra esperanc?a no fim do governo Bolsonaro e na volta de Lula a? Preside?ncia da Repu?blica."

Além da CNB, as tendências Movimento PT e Resiste?ncia Socialista endossam o documento, que não cita a Venezuela ao enumerar vizinhos que souberam derrotar extrema direita e ao lado dos quais um governo petista contribuiria para a "reconstruc?a?o de um novo mundo, de paz, solidariedade, cooperac?a?o e justic?a social".

A possibilidade de ampliação de alianças e de composição com Alckmin é criticada, no entanto, do documento da Democracia Socialista, tendência que, nas eleições internas, liderou chapa que compõe a segunda maior força partidária.

Como movimento negativo, o texto cita "a disposic?a?o de Lula, ao que parece ja? com andamento bastante avanc?ado, de indicar Geraldo Alckmin, protagonista importante do neoliberalismo no pai?s, para vice- preside?ncia, colocando no centro uma alianc?a com forc?as neoliberais na?o bolsonaristas no pai?s e em Sa?o Paulo".

Além disso, a DS alerta para "a indicac?a?o de uma ampla abertura a?s alianc?as com forc?as conservadoras e de direita, como o PSD de Gilberto Kassab, que deve inclusive se expressar em composic?o?es em estados com grande eleitorado, em detrimento de um maior protagonismo das esquerdas".

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