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PGR diz não ver desvio de finalidade de Bolsonaro em trocas na Polícia Federal

PGR diz não ver desvio de finalidade de Bolsonaro em trocas na Polícia Federal

Por Folhapress

18/03/2022 às 12:38

Atualizado em 18/03/2022 às 12:41

Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Procuradoria-Geral da República

A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirma que não há, até o momento, indícios de desvio de finalidade na recente troca em postos de comando da Polícia Federal.

Em manifestação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (17), a Procuradoria diz que, sem a "efetiva demonstração de tal ilegalidade", não cabe a decretação de medida judicial para suspender as mudanças implementadas pelo Palácio do Planalto.

A avaliação da PGR atende a uma solicitação do ministro Alexandre de Mores, relator do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a suspeita de que o presidente Jair Bolsonaro (PL) interferiu na direção da PF para proteger parentes e aliados.

A Procuradoria é comandada por Augusto Aras, acusado pelos partidos de oposição de atuar alinhado aos interesses do governo Bolsonaro.

Com o anúncio da mexida na PF, no final do mês passado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu ao STF para intervir no caso, a exemplo do que Moraes fizera ao barrar a nomeação do delegado Alexandre Ramagem, amigo da família Bolsonaro, para o posto de diretor-geral.

Em especial, preocupa ao adversário de Bolsonaro as alterações nas chefias da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado), à qual está subordinada a equipe que toca os inquéritos que envolvem Bolsonaro e aliados, e na DIP (Diretoria de Inteligência Policial).

Uma dessas investigações, instaurada em 2020, apura justamente se o presidente interferiu no comando da PF para proteger parentes e aliados, suspeita levantada pelo ex-ministro da Justiça e presidenciável Sergio Moro (Podemos) quando ele desembarcou do governo em abril daquele ano.

O novo diretor-geral da PF, Márcio Nunes, oficializou nesta quinta a troca do diretor de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção. Luís Flávio Zampronha deixa o cargo e assume o delegado Caio Rodrigo Pellim, que era superintendente da PF do Ceará.

Responsável pela resposta da PGR, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, afirmou que o pedido do parlamentar de oposição ao governo é desprovido "de qualquer suporte probatório mínimo que permita a inclusão de tal nomeação no contexto de investigação deste inquérito e se revele suficiente para fundamentar a decretação de uma medida cautelar".

O representante da PGR defendeu que, em nome do princípio do contraditório, Bolsonaro seja intimado para prévia manifestação acerca do que alegou Randolfe.

"Não foi mencionado pelo peticionante [Randolfe] qualquer fundamento através do qual possa vislumbrar-se urgência ou existência de perigo de ineficácia da medida pleiteada, inexistindo, assim, motivação idônea para imposição da cautelar", afirma o vice-procurador-geral.

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