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Bolsonaro decide demitir general Silva e Luna do comando da Petrobras

Bolsonaro decide demitir general Silva e Luna do comando da Petrobras

Por Julia Chaib/Julio Wiziack/Ricardo Della Coletta/Folhapress

28/03/2022 às 17:41

Atualizado em 28/03/2022 às 19:54

Foto: Cleia Viana/Agência Câmara/Arquivo

O presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna

O presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, recebeu nesta segunda-feira (28) a comunicação de que deixará o comando da estatal.

A informação foi confirmada à reportagem por aliados do militar e auxiliares do Palácio do Planalto e do Ministério de Minas e Energia.

A demissão do militar ocorre após uma série de desgastes com o presidente Jair Bolsonaro (PL) em razão do mega-aumento dos preços nos combustíveis promovido pela empresa.

Em seu lugar, o mais cotado no momento para assumir é Adriano Pires, atual diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. O nome dele, porém, enfrenta resistência em alas do governo, especialmente os militares de alta patente ligados ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que trabalham para segurar Silva e Luna no cargo.

As mudanças no comando da Petrobras, no entanto, só devem ocorrer dentro de duas semanas, após a Assembleia Geral de Acionistas, quando o governo trocará seus representantes do conselho de administração, grupo responsável por definir o plano estratégico da companhia.

A assembleia está prevista para o próximo dia 13 e Silva e Luna precisa ser excluído do conselho pela assembleia para abrir caminho para a aprovação de Pires como novo presidente.

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, outro nome forte para comandar a estatal, também deverá ocupar uma cadeira no conselho junto com Adriano Pires. Após a posse dos novos conselheiros, Pires deverá ser conduzido à diretoria-executiva, assumindo o comando da empresa.

Acionistas poderão questionar a decisão de Bolsonaro, mas o governo tem maioria na assembleia de forma que, dificilmente, os nomes indicados pelo governo não serão aprovados. Esta condição é que levou, na gestão anterior, os conselheiros independentes e aqueles indicados pelos acionistas minoritários a renunciarem do cargo por discordar da política do novo comando da companhia.

Caso a indicação se Pires se confirme, será uma derrota do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que, nos bastidores, vinha defendendo a manutenção de Silva e Luna.

Bento vem travando disputas tanto com o ministro da Economia, Paulo Guedes—com que discute pela criação de subsídios como forma de conter o preço dos combustíveis—, quanto com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-RN), que pretende agradar os partidos do centrão indicando nomes para agências reguladoras e estatais vinculadas à pasta de Bento.

As ações da estatal, que já vinham em queda nesta segunda diante do recuo de 10% do preço do petróleo, foram afetadas pela notícia de troca de comando.

Às 17h11, antes do fechamento pós-mercado, a Petrobras perdia de 2,63% nas suas ações mais negociadas e, com isso, era a principal responsável pela baixa do Ibovespa após oito pregões no azul.

Luna vinha sofrendo pressão para revisar a alta nos preços após variações na cotação do barril do petróleo. O general foi pressionado publicamente pelo próprio Bolsonaro e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O militar, porém, dizia internamente que as variações eram conjunturais e não estruturais e que não havia chegado a hora de rever o mega-aumento promovido pela empresa.

Em quase um ano da gestão de Silva e Luna, os preços da gasolina subiram 27% e os do diesel 47%. O botijão de gás subiu 27% e o GNV (gás veicular), 44%.

A alta, no entanto, seria maior porque, neste ano, a empresa chegou a segurar por quase dois meses o repasse da alta do petróleo para evitar aumentos para os consumidores.

Somente entre janeiro e fevereiro de 2022, essa política de atrasos e descontos nos reajustes fez a empresa deixar de ganhar ao menos R$ 3,5 bilhões, valor que totalizou R$ 17,4 bilhões no acumulado até fevereiro deste ano.

A demissão de Luna repete o desfecho que teve Roberto Castello Branco, indicado do ministro Paulo Guedes (Economia) para comandar a Petrobras e que foi demitido em fevereiro de 2021.

A exoneração de Castello Branco ocorreu após a companhia anunciar o quarto aumento nos preços de diesel e gasolina naquele ano.

Pesquisa do Datafolha publicada nesta segunda (28) mostrou que a maioria dos brasileiros, 68%, considera que o governo do presidente Jair Bolsonaro tem responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis.

Para 39%, a gestão bolsonarista tem muita responsabilidade pelo aumento da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Outros 29% consideram que o governo tem ao menos um pouco de responsabilidade. Na avaliação de 30%, o governo não tem responsabilidade.

Os combustíveis pesam bastante no cálculo da inflação medida pelo IPCA que, nos últimos 12 meses, acumula alta de 10,54%. Já são mais de seis meses com o índice nesse patamar.

O aumento dos combustíveis é uma das maiores preocupações do governo, pois os reajustes, cada vez mais altos, são interpretados como um risco à reeleição do presidente, e tem gerado pressão dentro do próprio governo por uma solução para amenizar o preço para o consumidor final.

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