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BC vê alta probabilidade de novo estouro da meta de inflação

BC vê alta probabilidade de novo estouro da meta de inflação

Por Nathalia Garcia/Folhapress

24/03/2022 às 09:34

Atualizado em 24/03/2022 às 09:34

Foto: Arquivo Agência Brasil

Banco Central

O Banco Central projeta pico de inflação de 10,6% no primeiro trimestre e vê alta probabilidade de estourar a meta estipulada pelo segundo ano consecutivo. Os dados são do Relatório Trimestral de Inflação de março, divulgado nesta quinta-feira (24).

A autoridade monetária desenhou dois cenários para a inflação para este ano, com base na trajetória de preços do petróleo. Em ambos, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) tem grandes chances de ficar acima do teto da meta.

O valor fixado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para este ano é de 3,5% —com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima e para baixo.

Na projeção do cenário "alternativo", que utiliza trajetória descendente para o preço do barril de petróleo, a inflação acumulada em 12 meses atinge pico de 10,6% no primeiro trimestre, caindo para 6,3% no fim de 2022, acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

Já na projeção do cenário de referência, que utiliza hipótese usual para a trajetória do preço do petróleo, a inflação acumulada em quatro trimestres fica em 10,6% nos dois primeiros trimestres, recuando para 7,1% no fim do ano, também acima do teto da meta.

De acordo com o BC, a probabilidade de a inflação ficar acima do limite em 2022 saltou de cerca de 41% no relatório anterior, divulgado em dezembro, para em torno de 88% no cenário "alternativo", tido como mais provável pela autoridade monetária, e 97% no cenário de referência.

Se a estimativa se confirmar, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deverá escrever uma carta ao ministro da Economia explicando as razões para o descumprimento da meta pelo segundo ano consecutivo. ?

"Parte significativa da surpresa inflacionária no trimestre está relacionada a componentes mais voláteis, em especial aos preços de combustíveis e de alimentos, mas também houve surpresa em itens associados à inflação subjacente. As diversas medidas de inflação subjacente permanecem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação", diz o relatório.

O BC aponta que a principal pressão sobre a inflação ao consumidor no próximo trimestre deve-se aos preços dos combustíveis, refletindo a recente elevação dos preços do petróleo. "Combustíveis para veículos contribuíram com quase metade da surpresa com a inflação no trimestre", indicou.

O documento diz ainda que os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia também são esperados sobre preços livres, com importante alta sobre os alimentos. "A alta dos preços dos alimentos também foi maior que o previsto, com impacto do clima extremo sobre preços de alimentos in-natura e maior pressão sobre café, óleos e gorduras e panificados, que têm influência de preços de commodities", escreveu.

"A elevação dos preços de commodities e dos preços de produtos importados —especialmente desde a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia—, embora atenuada pela recente apreciação do real, pode ser considerada um novo choque de oferta do ponto de vista da economia doméstica, com impacto altista sobre a inflação e negativo sobre a atividade econômica no curto prazo", diz o relatório.

Mas a autoridade monetária fez uma ressalva de que a contribuição dos preços administrados para a inflação no trimestre só não será maior em virtude das condições pluviométricas favoráveis. Para maio, é esperado o fim da bandeira "escassez hídrica" e a transição para a bandeira amarela.

Como resposta à inflação, a escalada dos juros no Brasil já completa um ano no Brasil. Em 16 de março, o Copom (Comitê de Política Econômica) do BC elevou a Selic (taxa básica) em 1 ponto percentual, de 10,75% para 11,75% ao ano. Para a próxima reunião, em maio, sinalizou uma nova alta da mesma magnitude.

Para o PIB (Produto Interno Bruto), a projeção de crescimento em 2022 foi mantida em 1,0% pelo BC. As expectativas da autoridade monetária ficam ainda acima das projeções do mercado, que espera uma alta de 0,5% para este ano, conforme mostrado pela pesquisa Focus desta semana.

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