STF dá 10 dias para que Bolsonaro explique agressões a jornalistas em Roma
Por Folha de S. Paulo
05/11/2021 às 20:05
Atualizado em 05/11/2021 às 20:05
Foto: José Dias/PR

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu prazo de 10 dias para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) explique as agressões a jornalistas que acompanhavam a comitiva presidencial em Roma, durante a cúpula do G20. O despacho atende ao pedido da Rede Sustentabilidade de garantia ao trabalho da imprensa e integridade dos profissionais que cobrem atos da Presidência.
Em seguida, segundo a decisão do ministro, devem se manifestar a AGU (Advocacia-Geral da União) e a PGR (Procuradoria-Geral da União). No caso dos dois órgãos, o prazo de resposta é de cinco dias.
Para a Rede, o comportamento do presidente em relação a jornalistas é "absolutamente reprovável e incompatível com o exercício do cargo" e cita que o presidente, em diversas ocasiões, ameaçou fisicamente, constrangeu e difamou profissionais. Além disso, o partido argumenta que as ações do presidente levam apoiadores a repetirem ataques contra a imprensa.
Na ocasião, um grupo de repórteres, dentre os quais a repórter da Folha Ana Estela de Sousa Pinto, foram agredidos por seguranças que acompanhavam Bolsonaro.
Por volta das 16h55 (horário local) do último dia 31, quando o presidente ainda estava dentro da embaixada brasileira, um agente que não quis se identificar empurrou a repórter, dizendo que ela devia se afastar do local. Ela foi empurrada ainda outras três vezes, embora estivesse em locais públicos, onde não deveria haver nenhuma restrição ao trabalho da imprensa.
O colunista do UOL Jamil Chade também foi agredido por seguranças. Quando a reportagem do UOL foi filmar a violência contra profissionais da GloboNews e tentar identificar o policial italiano que cometeu a agressão, um segurança empurrou o jornalista, agarrou seu braço para torcê-lo e levou seu celular.
