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Bolsonaro ganha 'antiprêmio' Fóssil da Semana mesmo a 9.000 km da Cúpula do Clima
Bolsonaro ganha 'antiprêmio' Fóssil da Semana mesmo a 9.000 km da Cúpula do Clima
Por Estadão Conteúdo
06/11/2021 às 11:20
Atualizado em 06/11/2021 às 11:20
Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conquistou para o Brasil o "antiprêmio" Fóssil da Semana, concedido pela rede Climate Action aos países que, na avaliação da entidade, mais prejudicam as negociações climáticas na COP26, em Glasgow (Escócia).
Bolsonaro recebeu o agravo "pelo tratamento horrível e inaceitável aos povos indígenas", após criticar a ativista Txai Suruí, que na terça (2) discursou em Glasgow para dezenas de líderes mundiais, entre eles o premiê britânico Boris Johnson.
Bolsonaro não foi à COP para o encontro de líderes, que reuniu os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da França, Emmanuel Macron, e os premiês da Itália, Mario Draghi, e do Canadá, Justin Trudeau.
Enquanto isso, o brasileiro optou por se encontrar com políticos do partido de ultradireita Liga, na Itália, após participar da cúpula do G20.
Na última quarta-feira (3), em Brasília —a cerca de 9.000 km de distância do centro de eventos em que servidores de seu governo tentam reverter a imagem de vilão climático criada nas últimas duas COPs—, o presidente do Brasil atacou indígenas e, indiretamente, a paiter-suruí Txai, em conversa com seus seguidores.
"Estão reclamando que eu não fui para Glasgow. Levaram uma índia para lá —para substituir o [cacique] Raoni— para atacar o Brasil. Alguém viu algum alemão atacando a energia fóssil da Alemanha? Alguém já viu atacando a França porque lá a legislação ambiental não é nada perto da nossa? Ninguém critica o próprio país. Alguém viu o americano criticando as queimadas lá no estado da Califórnia? É só aqui", queixou-se Bolsonaro, em frente ao Palácio da Alvorada.
Em seu discurso, Txai, 24, ressaltou os efeitos do aquecimento global, mencionou o assassinato de defensores do meio ambiente e defendeu a participação dos povos indígenas nas decisões da cúpula do clima. Ela é filha de Almir Suruí, 47, uma das lideranças indígenas mais conhecidas do país e duro crítico do governo Bolsonaro.
Na justificativa do Fóssil da Semana, a CAN diz que os ataques do presidente detonaram uma onda de agressões online contra a ativista. A ONG acrescenta que há evidências acumuladas de desrespeitos do governo brasileiro a direitos indígenas.
"Invasões de terras indígenas dispararam; A mineração de ouro selvagem está poluindo os cursos d'água, a intimidação é abundante e eles têm um vice-presidente que justificou negar água doce às aldeias atingidas por Covid porque ‘os índios bebem dos rios’".
