Eleições acirradas encerram os 16 anos da ‘era Merkel’ na Alemanha
Por Estadão
26/09/2021 às 09:10
Atualizado em 26/09/2021 às 09:10
Foto: Ints Kalnins/Reuters

Enquanto Angela Merkel planeja o futuro longe do cargo que ocupou por 16 anos, os alemães vão às urnas neste domingo, 26, para eleger um novo chanceler. As pesquisas indicam uma eleição disputada voto a voto entre Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), e Armin Laschet, da União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel.
Durante a campanha, Scholz se esforçou tanto para demonstrar que pode ocupar o cargo que ganhou o apelido de “Der Merkel” (O Merkel). Para a cientista política Julia Reuschenbach, da Universidade de Bonn, o SPD tentou vendê-lo como um sujeito de estilo merkeliano: calmo, frio, objetivo e experiente. “Esta encenação conquista eleitores e, ao mesmo tempo, mantém Scholz autêntico”, disse.
Para Ursula Münch, diretora da Academia de Educação Política de Tutzing, há várias razões para o sucesso de Scholz. “Ele cometeu poucos erros e foi capaz de demonstrar que não esteve envolvido em nenhum caso de corrupção”, afirmou. “Scholz conseguiu se apresentar como um vice-chanceler com a experiência de governo que é desejada na crise atual.”
Ed Turner, professor de política na Aston University, em Birmingham, no Reino Unido, e pesquisador da política alemã, menciona três fatores que contribuíram para o sucesso inesperado do SPD, apesar da popularidade de Merkel e do domínio exercido pela CDU nas duas últimas décadas.
O primeiro, segundo ele, é a escolha de Laschet, um candidato sem carisma. Em segundo lugar, os problemas enfrentados por Annalena Baerbock, líder da coalizão ambientalista, acusada de plágio em seu livro e de ter embelezado seu currículo.
“Se os verdes não tivessem cometido tantos erros infantis, os social-democratas dificilmente estariam encabeçando as pesquisas”, disse Turner. “Por fim, a própria figura de Scholz, um líder calmo e experiente, que tem apelo entre os mais velhos, muitos dos quais apoiavam a CDU, mas agora sentem que ele tem o que eles procuram em um chanceler.”
Para Münch, parte do apelo de Scholz está na própria figura de Merkel, que nos últimos anos teria conseguido conquistar eleitores que nunca foram conservadores. Como é o caso de Andréa Botelho, brasileira que vive na Alemanha. “As minhas convicções políticas sempre foram mais alinhadas com o SPD. O motivo pelo qual eu votei nas últimas eleições na CDU, foi pela figura da Merkel”, disse.
