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Apoiadores de Bolsonaro fazem atos pró-voto impresso pelo País

Apoiadores de Bolsonaro fazem atos pró-voto impresso pelo País

Por Estadão Conteúdo

01/08/2021 às 15:20

Atualizado em 01/08/2021 às 15:20

Foto: Eraldo Peres/AFP/Estadão

Bolsonarista carrega placa em defesa do voto impresso durante manifestação

A base mais fiel do presidente Jair Bolsonaro vai às ruas neste domingo, 1º, em atos em algumas capitais do País em defesa do voto impresso nas eleições de 2022. Mesmo após sucessivas e frustradas tentativas do presidente de acusar fraudes no atual sistema eleitoral, que culminaram em uma live de duas horas com falas baseadas em fake news e análises enviesadas, bolsonaristas buscam mostrar apoio à pauta — que já é considerada "enterrada no Congresso"— com atos espalhados pelo País. O presidente não compareceu fisicamente aos atos, mas falou com apoiadores por telefone, em mensagens transmitidas pelo sistema de som.

Em suas redes sociais, o presidente divulgou um vídeo de uma das conversas. Ao todo, ele marcou presença nos atos de Brasília, do Rio e de Belo Horizonte. Afirmou também que às 16h deve falar com os manifestantes em São Paulo. Na fala de Brasília, voltou a repetir a ameaça de que sem eleições "limpas e democráticas", "não haverá eleição".

Até o início da tarde, há registro de manifestações de apoiadores do governo em pelo menos três capitais: Brasília, Rio de Janeiro e Salvador. Na capital fluminense, o ato ocupou seis quarteirões da Avenida Atlântica. Em São Paulo, o ato está marcado para começar às 14h, na Av. Paulista. As manifestações deste domingo também são uma resposta à sequência de protestos organizados por partidos e centrais sindicais em oposição a Bolsonaro e pelo impeachment do chefe do Executivo; a última mobilização ocorreu na semana passada. Do lado favorável ao presidente, as manifestações de apoio ao presidente têm sido as motociatas, passeios com motociclistas liderados pelo presidente da República. A última aconteceu ontem em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Em discurso realizado ao final do ato de sábado, 31, como de costume, Bolsonaro voltou a defender mudanças no sistema eleitoral e disse que não aceitará “farsa” no pleito do ano que vem. Ao lado do palanque onde discursou havia um painel com a frase: “Exigimos: voto impresso auditável”.

A ideia do voto impresso é uma bandeira do bolsonarismo que está materializada na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/2019, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF). A proposta está em comissão especial da Câmara, que retomará os trabalhos na próxima semana, após o recesso parlamentar. A tendência é que PEC seja derrotada.

O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), disse que o voto impresso não tem apoio para chegar ao plenário da Casa. A afirmação foi feita um dia depois de o presidente Bolsonaro defender, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, mudança no sistema de urna eletrônica, apesar de ter admitido não ter provas de fraude nas eleições, como vinha dizendo desde março do ano passado.

Bolsonaro tenta jogar dúvidas sobre o atual sistema de votação eletrônico, dizendo que é possível fraudá-lo e que não permite recontagem, o que não é verdade.

Recentemente, o Bolsonaro subiu o tom em defesa do tema e chegou a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, chamando-o de “imbecil” e de “idiota”. Bolsonaro já chegou a admitir que a proposta não tem apoio para aprovação. Especialistas também ressaltam o longo histórico de fraudes do sistema de voto impresso.

Conforme revelado pelo Estadão, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, mandou um recado ao presidente da Câmara, por meio de um interlocutor político, em que condicionava as eleições de 2022 à adoção do voto impresso.

Veja, a seguir, como estão os atos pró-voto impresso pelo Brasil:

Brasília

O ato pelo voto impresso e auditável reúne milhares de manifestantes na Praça da República em Brasília nesta manhã. Manifestantes carregam faixas e cartazes a favor do voto impresso e auditável, uma bandeira do presidente Bolsonaro. O ato conta com a presença de três trios elétricos. Um dos que comparaceram foi o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que participa do protesto sem máscara, item de proteção ainda obrigatório na capital federal durante a pandemia da covid-19. Além dele, registraram a presença no ato a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, e a deputada federal Bia Kicis, autora da PEC do voto impresso.

Bolsonaro não compareceu fisicamente ao evento, mas fez um discurso em vídeo aos seus apoiadores, no qual repetiu que sem eleições "limpas e democráticas", "não haverá eleição" em 2022. Esta é a segunda vez em que Bolsonaro faz, publicamente, uma ameaça direta às eleições de 2022, colocando em dúvida a realização do pleito que pode definir seu substituto na Presidência da República. Em 8 de julho, Bolsonaro já havia afirmado que “ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”. Na ocasião, o comentário de Bolsonaro reverberou ameaças feitas pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, por meio de interlocutor, ao presidente da Câmara, Arthur Lira.

Na fala, Bolsonaro demonstrou desconforto em relação à disputa em 2022 – em especial, com a possibilidade de perder a corrida eleitoral para o PT, partido que vem liderando as pesquisas mais recentes. De acordo com Bolsonaro, “algumas pessoas” do Planalto Central “querem a volta daqueles que saquearam o País há pouco tempo”. O presidente, no entanto, não explicou quem são estas pessoas, nem citou nominalmente o PT, que ocupou a Presidência entre 2003 e 2016. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, tem liderado as pesquisas de intenção de voto.

Durante seu discurso, Bolsonaro também adotou um tom messiânico, citando Deus em alguns momentos. Ex-militar, ele afirmou que os apoiadores são seu “exército” e pregou união contra o comunismo e o socialismo – ideologias que nunca estiveram representadas na Presidência da República em nenhum momento da história brasileira. “Nós juntos somos a expressão da democracia do Brasil. Minha lealdade ao povo brasileiro, meu temor a Deus, nossa união nos libertará da sombra do comunismo e do socialismo”, disse.

Em vários momentos, Bolsonaro defendeu a “contagem pública” de votos. “Temos que ter a certeza de que, em quem você por ventura votar, o voto será computado para aquela pessoa”, disse o presidente. “As eleições, últimas, estão recheadas de indícios fortíssimos de manipulação”. Estes “indícios fortíssimos” citados por Bolsonaro, no entanto, nunca se comprovaram.

Apesar de ter apoiado as manifestações deste domingo em várias cidades do País, Bolsonaro não compareceu ao ato de Brasília. Ele saiu do Palácio da Alvorada durante a manhã, para um passeio, mas não passou pelos manifestantes reunidos na Esplanada dos Ministérios. O presidente e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, deixaram o Palácio da Alvorada por volta das 10h30 em direção à Vila Equestre Equilíbrio, na região do Jardim Botânico de Brasília. No local, viram uma exposição de carros antigos.

Bolsonaro se manteve sem máscara, apesar de no Distrito Federal o uso do item de segurança ainda ser obrigatório. Michelle alternou momentos com e sem máscara. Ambos estiveram cercados por simpatizantes, também sem máscaras ou usando incorretamente o item de proteção, considerado por especialistas fundamental para evitar a propagação de variantes mais agressivas de covid-19. Cerca de 20 milhões de brasileiros já se contaminaram e 555,5 mil morreram até o momento, conforme o Consórcio de Imprensa. Por volta das 11h20, o comboio presidencial deixou o Jardim Botânico e retornou ao Alvorada.

Rio de Janeiro

Apoiadores do presidente Bolsonaro fazem a manifestação na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio, pedindo a volta do voto impresso. Os manifestantes revezam-se em discursos nos carros de som dos organizadores, repetindo argumentos do presidente Jair Bolsonaro contra a votação exclusivamente digital. Fazem ataques a alvos diversos, desde parlamentares a ministros do STF. Também há críticas à imprensa profissional e a partidos políticos, especialmente de esquerda. O protesto reúne pessoas distribuídas ao longo de seis quarteirões da orla.

Manifestantes vestidos com camisa da Seleção Brasileira, alguns com bandeiras do Brasil e muitos sem máscaras, carregam cartazes pedindo o voto impresso. Em volta de um dos carros de som, do Movimento Conservador, os manifestantes gritavam "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão". O youtuber Bruno Jonssen disse que a vontade popular pelo voto impresso é superior ao ministro Barroso, presidente do TSE, que tem defendido o voto eletrônico. "Isso é democracia" discursou o youtuber.

Barroso e outros ministros do STF têm defendido o voto exclusivamente eletrônico. Argumentam que a votação digital já é auditável. Dizem que, se houver a possibilidade de uma recontagem de votos impressos, candidatos derrotados tenderam a pedir recontagem. Também há preocupação com a possibilidade de mobilização, via redes sociais, de eleitores inconformados com a derrota de seus candidatos. Poderiam pressionar os escrutinadores do voto impresso e criar um ambiente favorável a soluções extraconstitucionais – por exemplo, um golpe.

Salvador

Em Salvador, os manifestantes começaram a se concentrar no entorno do Farol da Barra por volta das 9h. No local, um grupo pediu uma oração ao soldado da Polícia Militar Wesley Soares, que morreu após ser baleado no local depois de gritar palavras de ordem e disparar para o alto durante um surto psicótico.

O caso gerou reações de perfis bolsonaristas contra o governador Rui Costa (PT); eles divulgavam na época a versão de que o PM teria sido abatido após se recusar a obedecer ordens do governador do Estado.

Do alto de um minitrio, manifestantes se revezavam para defender o voto impresso. Uma das pessoas era a secretária de saúde de Porto Seguro, a médica Raíssa Soares, conhecida defensora do "tratamento precoce" para a covid-19. Na maior parte do tempo, ela criticou o governo petista e defendeu os protocolos de tratamento contra a covid. ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e presidente do DEM, também não foi poupado de críticas nos discursos de outros manifestantes.

Por volta das 11h, o grupo começou uma caminhada até o Morro do Cristo, a cerca de um quilômetro do farol. Houve episódios de pessoas que se manifestaram contra o ato. Do alto de um prédio na Avenida Oceânica, um homem ergueu um cartaz em que se lia “Fora Bolsonaro”. A atitude foi rechaçada pelos manifestantes. Mais tarde, uma mulher gritou que estava viúva pela “gripezinha” e “Lula Livre”, e foi vaiada.

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