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Apesar de ação em relação à Davati, ex-diretor da Saúde diz que não tinha como função tratar de vacina

Apesar de ação em relação à Davati, ex-diretor da Saúde diz que não tinha como função tratar de vacina

Por Raquel Lopes, Renato Machado, Mateus Vargas/Folhapress

07/07/2021 às 11:47

Atualizado em 07/07/2021 às 11:59

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Roberto Dias

Em depoimento à CPI da Covid, o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias disse que não participava das negociações de vacinas para Covid ou de outras compras da pasta.

Dias, porém, chegou a trocar mensagens por Whatsapp e e-mails com representantes da empresa Davati Medical Supply, que prometia a venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca, mesmo sem aval da fabricante.

"Ao Departamento de Logística, cabe a operacionalização do processo. Eu não digo o quê, nem quanto, nem como, nem onde. E é essa segregação de função que mantém a segurança jurídica dentro do Ministério da Saúde na parte de aquisição", disse Dias sobre a função do departamento.

O ex-diretor da Saúde disse que apenas cobrou de representante da Davati provas de que a empresa era credenciada pela AstraZeneca.

"Não faço triagem de proposta de que interessa ao governo. Mas na qualidade de subordinado do secretario-executivo, não posso passar ao meu chefe uma proposta sem pé nem cabeça", declarou Dias.

Em 29 de janeiro o ex-secretário-executivo da Saúde Elcio Franco assinou ofício para centralizar na sua pasta as negociações das vacinas para a Covid-19. Antes as farmacêuticas eram recebidas por áreas técnicas, como a SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde).

Dias foi exonerado em 29 de junho, horas após a Folha publicar entrevista de Luiz Paulo Dominghetti Pereira, policial militar de Minas Gerais que diz ter recebido dele pedido de propina de US$ 1 por dose para acertar a venda de imunizantes.

Dominghetti se apresentava como representante da Davati, mas Dias afirma que só conheceu o policial por acidente em um restaurante de Brasília, no dia 25 de fevereiro.

O policial afirma que Dias cobrou a propina neste jantar, o que dias nega. O ex-diretor da Saúde disse à CPI que apenas orientou Dominghetti a buscar uma agenda formal no Ministério da Saúde, o que ocorreu no dia seguinte ao jantar.

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