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Prefeito de Criciúma decreta lockdown voluntário e sem salário para servidores

Prefeito de Criciúma decreta lockdown voluntário e sem salário para servidores

Por Katna Baran, Folhapress

22/03/2021 às 15:25

Foto: Guilherme Hahn/iShoot/Folhapress

O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB), que autorizou lockdown de servidores municipais caso abram mão do salário

Os funcionários públicos de Criciúma que quiserem se afastar das atividades no período de pandemia poderão fazê-lo, desde que renunciem ao salário. O anúncio foi feito nas redes sociais pelo prefeito da cidade do sul de Santa Catarina, Clésio Salvaro (PSDB), na quarta-feira (17). Ele se diz contrário ao lockdown para conter o avanço da Covid-19 no município.

“Não quer vir trabalhar? Não tem problema. Quer se cuidar? Ótimo, vai ficar em casa, mas não vai receber salário. É assim mesmo, porque é muito fácil pedir lockdown quando a geladeira está cheia e o salário garantido, então estou decretando lockdown na prefeitura, só que é voluntário, facultativo. Quer lockdown? Vai ter, só não vai ter salário”, afirmou o prefeito.

O decreto, publicado no mesmo dia, reconhece o “interesse público” na concessão de licença a pedido do servidor durante o período de calamidade pública no estado, mas desde que ele abra mão da remuneração. O afastamento deve ser analisado pelo secretário da pasta respectiva, que pode solicitar uma contratação temporária para suprir a falta do funcionário.

No vídeo, o prefeito afirmou também que todas as atividades produtivas são essenciais e que não é necessário parar a economia, desde que sejam seguidos os protocolos sanitários pelos trabalhadores e clientes. “Nós precisamos é continuar a trabalhar”, completou.

Em outra postagem nas redes sociais, no sábado (20), Salvaro aparece fiscalizando uma obra na cidade. “Aqui não tem moleza, é assim mesmo que as coisas funcionam”, disse.

O prefeito tem defendido que o horário de funcionamento das atividades seja estendido para evitar aglomerações. Em reunião com o governador Carlos Moisés (PSL), no último dia 10, ele pediu que o estado reconsidere os decretos restritivos sobre comércio e serviços.

“Parar não dá. Não está trazendo o efeito que nós esperamos, e nós não estamos sentados, os prefeitos, nem eu nem ninguém, contando os mortos. Nós estamos agindo contra isso, mas a paralisação não funciona”, afirmou.

Ele solicitou ainda que os bancos estendam o horário de atendimento e que as igrejas permaneçam funcionando.

“Pedir, inclusive, que as igrejas, tanto a católica quanto evangélica, de qualquer denominação, fiquem abertas. Ali é uma palavra que o padre, o pastor, leva para seus fiéis. Ali é local seguro. As lojas, o local de trabalho, é local seguro, para quem trabalha e para o cliente também.”

No dia 3 de março, Criciúma chegou a suspender os jogos de futebol e restringir o horário de funcionamento de parques entre 5h e 20h, mas o decreto foi revogado no último dia 11.

Nesta segunda-feira (22), o painel de monitoramento de leitos do governo catarinense apontava que Criciúma tinha 4 UTIs disponíveis entre as 46 ativas para pacientes com a Covid-19, com taxa de ocupação de 91%. Já o site da prefeitura do município indica que não há vagas. Há 242 pessoas internadas –35 em UTIs e 207 em enfermaria.

A cidade de 217.311 habitantes tem atualmente 1.301 pessoas infectadas com o novo coronavírus. No total, são 23.252 casos confirmados e 285 mortes.

Todas as regiões de Santa Catarina estão em risco gravíssimo em relação à pandemia, mas apenas o extremo sul, onde fica Criciúma, tem nota máxima em todos os quesitos analisados. O estado tem 397 pessoas aguardando por vagas em UTIs nesta segunda-feira.

O cenário fez o governo estadual endurecer as medidas de combate à pandemia a partir de sábado até o dia 5 de abril. Algumas atividades, como shows, casas noturnas e eventos, inclusive esportivos e na modalidade drive-in, continuam suspensas. O comércio e outros serviços não essenciais funcionam com escalonamento de horários e limite de 25% de público.

Praças e praias continuam abertas para prática de exercícios físicos, mas é proibida a permanência de pessoas nesses locais. Também está vetado o consumo de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos entre 18h e 6h. Os ônibus devem circular com até 50% da capacidade.

A multa é de R$ 500 para quem descumprir as regras e de R$ 1.000 em caso de reincidência.

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