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Tesouro pretende lançar título ESG em meio a críticas ao governo na área

Tesouro pretende lançar título ESG em meio a críticas ao governo na área

Por Fábio Pupo/Folhapress

01/02/2021 às 10:48

Atualizado em 01/02/2021 às 10:48

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Amazônia

Diante da menor participação de investidores estrangeiros na dívida pública, o Tesouro Nacional planeja recuperar ao menos parte do interesse emitindo um título ligado à temática ESG. A sigla em inglês para meio ambiente, social e governança é usada de forma crescente por gestores globais para decidir o destino de recursos.

A intenção do Tesouro é atrair interesse pelo título ao anunciar ao mercado que o papel vai financiar diferentes medidas do governo brasileiro ligadas a ESG. O Tesouro considera que há forte oportunidade de captação devido à influência da sigla em todo o mundo, já que usam os critérios desde gigantes globais como a BlackRock (maior gestora de recursos do mundo) até brasileiras como Itaú Asset Management.

Entre especialistas, há a visão de que a atual conduta do governo em temas como o meio ambiente pode desvalorizar o papel. Por outro lado, apontam a possibilidade de a medida incentivar mudanças de comportamento do governo.

O primeiro passo do Tesouro é montar um portfólio de medidas a ser mostrado aos investidores, após uma pesquisa no Orçamento da União identificar ações ligadas a ESG que poderão integrar o documento. Um dos exemplos já considerados é o Bolsa Família, que integraria a parte social.

"Dentro do Orçamento, existem ações que podem ser classificadas como ESG. A emissão vai obter recursos destinados a essas ações", diz Jose? Franco Medeiros de Morais, subsecretário do Tesouro.

Depois do documento já montado, o Tesouro pretende fazer uma apresentação aos investidores (o chamado road show) para apresentar o novo título e as medidas que o papel financiaria. Os encontros devem ser virtuais, devido à pandemia.

Somente mais próximo ao lançamento, o que pode ocorrer ainda nesta ano, o Tesouro deve ter os números ligados à emissão. Mas a expectativa é que os valores sigam os parâmetros das últimas emissões internacionais.

Por isso, o valor a ser captado deve ficar entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. O prazo, entre 10 e 30 anos. O título pode ser emitido com frequência, inclusive todo ano.

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