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Doria diz que PSDB não pode 'virar um DEM' e partido volta a apoiar Baleia Rossi

Doria diz que PSDB não pode 'virar um DEM' e partido volta a apoiar Baleia Rossi

Por Estadão Conteúdo

01/02/2021 às 16:40

Atualizado em 01/02/2021 às 16:40

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)

Por pressão de caciques tucanos, a bancada do PSDB recuou da decisão de neutralidade na eleição da Câmara dos Deputados, sem formar nenhum bloco, e manteve a orientação da direção nacional do partido para formalizar a aliança com Baleia Rossi (MDB-SP), candidato apoiado pela oposição ao governo Jair Bolsonaro. O governador de São Paulo, João Doria, foi um dos que entrou no circuito nesta segunda-feira, dia 1º, para barrar a debandada pró-Arthur Lira (Progressistas-AL), o candidato do presidente Jair Bolsonaro.

No entanto, o registro do bloco de Baleia está em suspenso, pois os partidos alegaram problemas técnicos e não conseguiram formalizar a aliança a tempo. O prazo se encerrou ao meio-dia. O imbróglio está sendo discutido com a área técnica da Câmara e a Mesa Diretora, presidida por Rodrigo Maia (DEM-RJ), artífice da candidatura do emedebista.

Se as assinaturas forem aceitas, o bloco deve ser integrado por PSDB, MDB, Cidadania, PV, Solidariedade, Rede, PT, PSB, PDT e PCdoB. O DEM ficou de fora, não integrando nenhum bloco, porque a maioria dos deputados prefere votar em Lira.

Mais cedo, a bancada do PSDB decidiu seguir o mesmo caminho. Dos 31 deputados, somente 13 declaram abertamente voto em Baleia, segundo dirigentes do partido. Por isso, a bancada decidiu seguir o caminho de “neutralidade” no DEM. A ala lirista do tucanato rejeitava permanecer no bloco apenas ao lado de partidos de esquerda.

Doria chegou a admitir que havia maioria pela neutralidade, mas insistiu para que os deputados mantivessem o compromisso e votassem em Baleia Rossi. A deputados paulistas, Doria argumentou que não poderia deixar o PSDB passar a ser “comandado” por Lira, a exemplo do que ocorreu com o DEM. Ponderou também que os tucanos estavam aderindo ao Centrão se não honrassem a palavra de apoiar Baleia.

O presidente nacional do partido, o ex-ministro Bruno Araújo, e o líder da bancada, Rodrigo de Castro (MG), iniciaram uma conversa no varejo da bancada, deputado a deputado, para tentar obter uma lista com indicativo de apoio a Baleia, ainda que ela não refletisse as intenções de voto em si.

Outros tucanos também atuaram, como o deputado Samuel Moreira (SP). O grupo de WhatsApp bancada do partido chegou a ficar por algumas horas “vendido”, sem informações de qual seria o posicionamento final e sem saber ingressaram de fato no bloco, por causa do problema técnico. Deputados cobraram uma reunião, mas não conseguiam ser atendidos por Castro.

O partido já havia recebido apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para se posicionar contra Lira. Nesta segunda, o ex-deputado e ex-senador José Aníbal também pressionou. Disse que a bancada não poderia virar “adesista”, disparou telefonemas e enviou uma mensagem com acusação de que o candidato do Palácio do Planalto cooptava os deputados.

Os parlamentares disseram que tucanos ligados à direção nacional e quadros históricos do partido pressionaram pela manutenção do apoio a Baleia. Apesar disso, deixariam os deputados livres para votar em quem quiserem.

Em mensagem encaminhada a parlamentares, Aníbal disse que há “muita boataria” e que o PSDB deve cumprir seu compromisso assumido com o emedebista. “De outro modo, é adesão ao genocida”, afirmou o ex-presidente do PSDB. Ele disse também que Lira “conduz sua campanha num balcão em que, segundo reiteradas denúncias, opera assalto aos cofres públicos para obter adesões”.

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