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Entenda por que Moro não pode atuar como advogado em consultoria com clientes da Lava Jato
Entenda por que Moro não pode atuar como advogado em consultoria com clientes da Lava Jato
Por Folha de S. Paulo
02/01/2021 às 15:00
Foto: Marcos Corrêa/PR

A notícia de que o ex-juiz Sergio Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal, consultoria de gestão empresarial que tem em sua cartela de clientes empresas que foram alvo da Operação Lava Jato, como o grupo Odebrecht, provocou polêmica no meio jurídico.
Na sequência, também ganhou destaque o fato de o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo ter enviado notificação a Moro relativa a essa contratação.
O alerta feito pela OAB, porém, não foi motivada pela clientela da consultoria ligada à Lava Jato, e sim para que Moro “não pratique atividade privativa de advocacia” na Alvarez & Marsal.
A advertência se deve à própria configuração da consultoria, que não está registrada na OAB. Dessa forma, qualquer outro advogado que integre os quadros da companhia de gestão empresarial poderia receber a mesma notificação, caso sinalizasse que iria advogar na empresa.
Na ocasião do anúncio da contratação, Moro afirmou em uma rede social que não irá advogar na empresa e não trabalhará em casos que envolvam eventuais conflitos de interesse.
“Ingresso nos quadros da renomada empresa de consultoria internacional Alvarez & Marsal para ajudar as empresas a fazer coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção. Não é advocacia, nem atuarei em casos de potencial conflito de interesses”, escreveu o ex-juiz.
A empresa à época anunciou que a chegada de Moro como sócio-diretor da companhia estava "alinhada com o compromisso estratégico da A&M em desenvolver soluções para as complexas questões de disputas e investigações, oferecendo aos clientes da consultoria e seus próprios consultores a expertise de um ex-funcionário do governo brasileiro".
Apesar de as regras existentes não vedarem explicitamente a atuação de Moro como advogado em casos em que o cliente seja uma empresa ou pessoa que ele tenha julgado enquanto juiz, especialistas consultados pela Folha não veem tal atuação como adequada, caso essa venha a ocorrer.
Isso porque tal trabalho poderia envolver conflitos de interesses e uso de informação privilegiada.
