Mil dias sem Marielle: PT de Salvador cobra justiça e denuncia novas ameaças
Por Redação
08/12/2020 às 19:41
Atualizado em 08/12/2020 às 19:41
Foto: Divulgação

Neste 8 de dezembro, completam mil dias do assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O dois foram mortos em 14 de março de 2018.
Para o presidente do PT Salvador, Ademário Costa, o homicídio da então vereadora e do motorista é um marco na luta dos direitos humanos, principalmente para a democracia. “Assim como aconteceu com Marielle e Anderson, outras pessoas candidatas ou eleitas para cargos públicos têm sofrido ameaças de morte em todo o Brasil. Infelizmente, estamos vendo como muitos não aceitam o processo democrático e a representatividade social e política de pessoas como Marielle”, destacou.
Nas eleições foram registrados muitos casos de preconceito, ódio e ameaças contra representantes sociais e políticos em diversos estados do Brasil. Em Curitiba, a primeira mulher negra eleita vereadora, Carol Dartora (PT), foi ameaçada de morte em uma mensagem enviada por e-mail.
Carol compartilhou nas redes sociais o caso. Carol foi a terceira candidata mais votada da capital paranaense, com 8.874 votos, e é representante da luta contra o racismo e pelos direitos das mulheres, negros e população LGBTQI+.
Outro caso semelhante aconteceu em Belo Horizonte com Duda Salabert (PDT), a primeira mulher trans eleita para vereadora na capital mineira. A ameaça foi divulgada por ela nas redes sociais no último dia 4. Duda é professora e foi eleita com mais de 37 mil votos. Ela publicou as mensagens enviadas por e-mail contra a sua vida.
Em Santa Catarina, na cidade de Joinville, a primeira vereadora negra eleita, Ana Lúcia Martins (PT), também foi ameaçada de morte. Antes de ser eleita, Ana Lúcia sofreu uma série de ataques racistas e depois das eleições suas contas nas redes sociais foram invadidas e sofreu ameaça de morte no dia 18 de novembro. Ana Lúcia é reconhecida por sua luta contra o racismo na maior cidade de Santa Catarina.
Em São Paulo também teve um caso semelhante. A primeira prefeita negra eleita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota), registrou boletim de ocorrência depois de ser alvo de ofensas racistas e até de ameaça de morte nas redes sociais. O suspeito afirmou que o seu objetivo era que outras pessoas também fossem racistas com Suéllen. A investigação segue e a tipificação penal dada foi de injúria racial.
“É assustador o número de casos de racismo, ódio e violência nestas eleições. Percebemos que muitos não aceitam mulheres, negros e população LGBTQI+, em especial, em espaços de decisão e poder. E isso mostra como a democracia precisa ser mais fortalecida e os criminosos destes casos de ameaças e injúrias punidos. O caso de Marielle mundo inteiro pede resposta. Portanto, não podemos, nem vamos nos calar, nem tolerar tanto ódio e violência”, destacou Ademário.
