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Depois de 'resolver' Lídice, governo ainda tem dúvidas sobre se convence Olívia a apoiar Denice, por Raul Monteiro*
Depois de 'resolver' Lídice, governo ainda tem dúvidas sobre se convence Olívia a apoiar Denice, por Raul Monteiro*
Por Redação
10/09/2020 às 09:50
Atualizado em 10/09/2020 às 09:50
Foto: Divulgação/Arquivo

O estilo político errático do governador Rui Costa (PT), que deixa aliados muitas vezes sem saber para que direção se voltar, pode ter começado a dar resultados esta semana em relação à sucessão municipal de Salvador, depois que a deputada federal Lídice da Mata (PSB) foi convencida por ele a não concorrer à Prefeitura para poder ajudar no projeto de tentar eleger a major Denice Santiago, candidata que o gestor filiou ao PT com este propósito. No final da tarde de ontem, as conversas já eram na direção de que a própria Lídice seria indicada pelo PSB para ser a vice na chapa da petista.
Sem dúvida, foi um primeiro passo no plano de fortalecer Denice que só agora, isto é, tardiamente, no entanto, começa a tomar corpo. A presença de Lídice na chapa é motivo de comemoração para o governo porque ela tem nas pesquisas o triplo das intenções de voto registradas para a petista, o que significa que, em tese, pela lógica, era alguém para ser apoiada por ela e não o contrário. Exatamente por isso, Lídice na chapa pode ajudar a melhorar a performance da petista nas sondagens, se, como calcula o governo, a ex-prefeita de Salvador conseguir transferir suas intenções de voto para a militar.
É o fato presente de a major patinar nas sondagens, apesar do apoio ostensivo do governador, o que se tornara a maior da dificuldade para que funcionasse como um pólo agregador do grupo. Menos por sua culpa do que pela responsabilidade do patrono de sua candidatura, que a tirou do bolso do colete em cima da campanha na expectativa de que, por ser governador, conseguisse impor seu nome aos aliados e, ainda assim, sem maiores negociações. Mas é o tipo de problema que a emergência de Lídice pode ter começado a resolver. Superado o caso Lídice, com a melhor das soluções para o governo, o plano agora é demover a pré-candidata do PCdoB, Olívia Santana.
Para o governo, no entanto, o problema não está na pré-candidata, conhecida pela resiliência pessoal, nem muito menos em seu partido. A razão para a dificuldade numa negociação que favoreça também o apoio de Olívia e dos comunistas a Denice estaria no PP, do vice-governador João Leão, que viu na sucessão municipal uma oportunidade para negociar o apoio do governo à meta de manter a legenda no comando da Assembleia Legislativa, com o atual presidente, o bem avaliado pelos colegas Nelson Leal, ou com outro deputado, rompendo acordo, avalizado pelo próprio Rui, pelo qual a vez para a disputa à presidência da Casa seria do PSD.
A atração de Olívia e, em seguida do deputado federal Bacelar, do Podemos, que continua trabalhando seu nome e fortalecendo a chapa do partido à Câmara de Vereadores, para o apoio a Denice, consumaria o plano final do governo de manter uma frente formada por duas candidaturas em seu grupo contra o pré-candidato do DEM, Bruno Reis, líder disparado nas pesquisas. Resta saber se Rui está disposto a pagar o preço que o PP está a exigir para desembarcar e enfraquecer Olívia, não deixando-lhe outra alternativa senão apoiar Denice, ou se prefere agora se deter exclusivamente na negociação do apoio de Bacelar à sua pré-candidata, excluindo o partido e o PCdoB do jogo.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
