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OAB pede investigação contra juíza que afirmou que réu negro era de grupo criminoso "em razão de sua raça"
OAB pede investigação contra juíza que afirmou que réu negro era de grupo criminoso "em razão de sua raça"
Por Folha
12/08/2020 às 13:42
Atualizado em 12/08/2020 às 13:42
Foto: Divulgação

A OAB vai entrar com uma representação no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pedindo que o órgão abra uma investigação para apurar crime de racismo cometido pela juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1a Vara Criminal de Curitiba.
Ela condenou um homem negro a 14 anos de prisão por organização criminosa e por cometer furtos no centro de Curitiba.
Na decisão, a magistrada escreveu que o suspeito é "seguramente integrante de grupo criminoso, em razão de sua raça".
"É inadmissível e intolerável. Racismo é crime inafiançável", diz o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.
O CNJ pode abrir um procedimento disciplinar para investigar a conduta da juíza.
A OAB do Paraná já havia se manifestado, por meio de uma nota, dizendo que vai protocolar pedido de providências solicitando a abertura de procedimento administrativo no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) para a apuração dos fatos.
"A decisão é inaceitável, imprópria e inadequada. Ela está na contramão de tudo o que buscamos e queremos. Lutamos por igualdade, queremos o fim do preconceito e não sua disseminação", diz a nota da entidade.
"Essa sentença ?retroage centenas de anos. Julgar alguém pela cor é de um retrocesso que merece toda a repulsa. Cor não revela caráter", disse ainda o presidente da entidade no Paraná, Cássio Telles
