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"Não se trata de perdão, mas de libertação da vítima das garras do agressor", diz Ireuda sobre clipe que minimiza violência doméstica

"Não se trata de perdão, mas de libertação da vítima das garras do agressor", diz Ireuda sobre clipe que minimiza violência doméstica

Por Redação

21/07/2020 às 09:58

Atualizado em 21/07/2020 às 09:58

Foto: Divulgação

Ireuda Silva

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, vereadora Ireuda Silva (Republicanos), demonstrou preocupação com o videoclipe da cantora gospel Cassiane, intitulado "A Voz", que, na avaliação da republicana, minimiza e romantiza 'a tragédia social' da violência doméstica. Na narrativa, uma mulher, após sofrer inúmeros episódios de agressão por parte do marido, ora e termina por perdoá-lo.

"Fiquei estarrecida ao assistir. É inacreditável. As pessoas que produziram esse clipe estão completamente desantenadas do que acontece no Brasil e no mundo no que se refere à violência contra a mulher. É um desserviço à sociedade e ao nosso trabalho de discutir o tema e orientar as vítimas, cuja primeira atitude deve ser no sentido de denunciar o agressor e se proteger", diz Ireuda, que é evangélica.

"Infelizmente, achar que o agressor vai se regenerar da noite para o dia é uma ilusão que precisamos desfazer. Atitudes como essa levam muitas mulheres a demorar para buscar ajuda, aprofundando um ciclo de violência e sofrimento que muitas vezes acaba em feminicídio. Portanto, é inadmissível incentivar esse comportamento em pleno 2020. Não se trata de perdão, mas de libertação da vítima das garras do agressor", acrescenta.

A vereadora cita ainda um dado revelador da conjuntura atual: em meio à pandemia do novo coronavírus, as denúncias de violência contra a mulher aumentaram 40%, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). Em março, com o início da quarentena, o avanço foi de 18%.

Após a repercussão negativa, a cantora lançou uma nova versão do clipe, em que a vítima aparece ligando para o 180, o que leva o marido a ser preso. Para Ireuda, no entanto, isso não é o bastante, já que a narrativa termina da mesma maneira: com a esposa voltando a morar com o agressor, já fora da cadeia. "No fim das contas, ela volta para o covil do leão", diz.

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