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EUA acusam hackers chineses de roubar dados sobre pesquisa de vacina contra Covid-19
EUA acusam hackers chineses de roubar dados sobre pesquisa de vacina contra Covid-19
Por Redação
21/07/2020 às 15:09
Atualizado em 21/07/2020 às 15:09
Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

Dois hackers chineses foram acusados de roubar informações sobre projetos de vacina contra a Covid-19 e de violar a propriedade intelectual de empresas nos Estados Unidos e em outros países, informou o Departamento de Justiça americano nesta terça-feira (21).
Li Xiaoyu, 34, e Dong Jiazhi, 33, também foram acusados de ataques a ativistas de direitos humanos dos EUA e de Hong Kong, segundo o assistente do procurador-geral para a Segurança Nacional, John Demers.
Ambos trabalhavam para o ministério da Segurança de Estado da China, afirmou ele.
Os hackers, que supostamente estão na China e, portanto, fora do alcance da polícia americana, agiram em algumas ocasiões "para ganho pessoal", mas também para o ministério chinês, segundo o assistente.
"Os crimes cibernéticos dirigidos pelos serviços de inteligência do governo chinês ameaçam não apenas os Estados Unidos, mas também o resto dos países que apoiam o jogo limpo, as normas internacionais e o Estado de Direito", declarou, por sua vez, o sub-diretor do FBI, David Bowdich.
"Os sistemas de tecnologia de muitas empresas, indivíduos e agências nos EUA e em todo o mundo foram invadidos e comprometidos, e há uma grande quantidade de segredos comerciais, tecnologias, dados e informações pessoais que foram roubados", denunciou o procurador federal William Hyslop.
O Departamento de Justiça explicou, por sua vez, que os ataques visaram "centenas de empresas, governos, organizações não governamentais e dissidentes, clérigos e ativistas democráticos e de direitos humanos nos Estados Unidos e no exterior, incluindo Hong Kong e China".
Na última semana, EUA, Reino Unido e Canadá acusaram hackers ligados ao governo russo de tentar roubar dados de pesquisas para a vacina contra a Covid-19 feitas em diversos laboratórios pelo mundo.
Os países culparam o grupo APT29, também conhecido como Cozy Bear, pelas tentativas de invasão a sistemas de instituições acadêmicas e de empresas farmacêuticas e afirmaram que os hackers, "quase certamente", operam como parte dos serviços de inteligência da Rússia.
Para tentar acessar os dados, os hackers teriam usado táticas como phishing (emails com pedidos falsos de dados que tentam parecer mensagens oficiais) e malwares (programas que se infiltram nas máquinas sem que os usuários percebam).
O governo russo rejeitou as acusações e disse que elas não são baseadas em evidências.
A espionagem digital internacional é uma prática recorrente de governos pelo mundo, embora seja pouco conhecida do público em geral.
Em 2013, o ex-funcionário da NSA (agência de segurança nacional, na sigla em inglês) Edward Snowden denunciou a existência de uma ampla estrutura criada pelos EUA para captar dados de celulares no país e no exterior.
Essa rede também teria sido usada para espionar líderes estrangeiros, incluindo alvos na China, da União Europeia e os então presidentes Enrique Peña Nieto, do México, e Dilma Rousseff, do Brasil.
A denúncia de que seus ministros haviam sido grampeados pelos EUA levou a petista a adiar uma visita oficial a Washington que faria para encontrar o então presidente Barack Obama.
