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Realidade da periferia não é levada em conta ao decidir medidas contra pandemia, dizem ativistas
Realidade da periferia não é levada em conta ao decidir medidas contra pandemia, dizem ativistas
Por Folha de S.Paulo
11/06/2020 às 07:54
Atualizado em 11/06/2020 às 07:54
Foto: Yan Boechat/Folhapress

Na pandemia, o coronavírus já infectou mais de 775 mil brasileiros, e o número de mortos no país passa dos 39 mil. Durante este período, a recomendação de entidades sanitárias e governos é que as pessoas fiquem em casa e mantenham isolamento social. Porém, para muitos, ficar em casa é um luxo.
O confronto entre a realidade das favelas e regiões periféricas e as medidas propostas pelos governos para enfrentar a crise sanitária foi o tema principal do webinário A Pandemia nas Favelas, promovido pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, na tarde de quarta-feira (10).
Guiné Silva, sociólogo e coordenador de fomento na Fundação Tide Setubal, lembrou que, entre a população mais vulnerável, "as pessoas não têm poupanças ou reservas financeiras, a realidade é no dia a dia, já que essa população não tem o privilégio de fazer home office”.
Na opinião do sociólogo, "as medidas de combate e de proteção à pandemia que têm sido promovidas pelo governo deveriam ser articuladas com quem vive nesses meios”.
Apesar das incertezas do futuro e da provável falta de renda que atinge boa parte da população, Silva enalteceu a poderosa rede de apoio formada em diferentes partes do Brasil a fim de ajudar pessoas em situações de vulnerabilidade.
O encontro virtual recebeu ainda Eliana Silva, ativista social e diretora da ONG Redes da Maré, no Rio de Janeiro, e Jailson de Souza e Silva, geógrafo, ativista social, fundador do Observatório de Favelas, no Rio, e diretor geral da Universidade Internacional de Periferias (UNIperiferias).
Durante a conversa, mediada pelo cientista social Sergio Fausto, superintendente da Fundação FHC, foram discutidas as dificuldades dos moradores de comunidades carentes em meio à crise e o que as organizações que representam têm conseguido fazer para combatê-la.
