Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Doria prorroga quarentena no estado de SP até 31 de maio contra novo coronavírus
Doria prorroga quarentena no estado de SP até 31 de maio contra novo coronavírus
Por Redação
08/05/2020 às 13:19
Atualizado em 08/05/2020 às 13:19
Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), estendeu a quarentena no estado até 31 de maio. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (8), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Desde 24 de março, apenas serviços essenciais estão abertos ao público no estado, como medida para conter o avanço do novo coronavírus. O prazo tem sido postergado várias vezes. Segundo o governo, o prazo é avaliado de acordo com a velocidade da contaminação no estado. No último anúncio, feito em 17 de abril, foi dito que as medidas valeriam até o próximo domingo (10). Agora, foram adiadas por mais 21 dias.
São Paulo é o epicentro da pandemia no Brasil, com 41.830 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus e 3.416 mortes.
Pressionado por setores do mercado para autorizar a retomada da atividade econômica, Doria se defendeu, afirmando que adotar a quarentena "não é uma tarefa fácil, nenhum ser humano tem prazer em dar más notícias", mas disse que a medida é importante para preservar vidas no que chamou de momento mais difícil da história do Brasil nos últimos 100 anos.
"Nenhum país do mundo conseguiu relaxar as medidas de isolamento social com a curva de contaminação em alta. Infelizmente, nas últimas semanas houve um desrespeito à quarentena, em São Paulo e em outras partes do Brasil, e o número de casos aumentou", disse.
Não participou do anúncio o coordenador do comitê de contingência do vírus no estado, David Uip, que já foi contaminado e se recuperou. Ele afirmou que se sentiu mal na última quarta-feira (6), com alterações cardiológicas e clínicas, fez exames e foi orientado por médicos a se afastar temporariamente.
Em seu lugar no comando das ações no estado ficou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.
Segundo ele, para relaxar as medidas de isolamento é preciso de dois indicadores: redução do número de novos casos por 14 dias em sequência e uma taxa de ocupação de leitos de UTI inferior a 60%.
Na Grande SP, a taxa de ocupação de leitos de UTI é de 89,6%. No estado como um todo, está em 70%.
A taxa de isolamento tem caído nos últimos 15 dias e, por vezes, ficado abaixo dos 50%. Segundo o secretário de Saúde, José Henrique Germann, isso fez acelerar o número de casos. "Se não conseguirmos uma taxa entre 55% e 60%, teremos problemas no atendimento dos pacientes", afirmou ele, que disse que o estado está ampliando o número de leitos em hospitais, inclusive no Hospital das Clínicas.
Dimas Covas ressaltou que a decisão de prorrogar a quarentena foi unanimidade no corpo técnico, e mostrou projeções que previam que a esta altura haveria 700 mil casos confirmados no estado sem as medidas de isolamento, mais de 17 vezes o número que se tem hoje. Nas estimativas, também haveria 40 mil mortes a mais, de acordo com ele.
As estimativas também davam conta de que cada pessoa infectada transmitiria o vírus a mais três pessoas. Com as medidas de distanciamento e um índice de isolamento de 55%, a taxa de contágio passou para 1,16. Se o índice de isolamento chegasse a 70%, a taxa de contágio seria menor que 1.
Embora as cidades do interior pressionem para ceder as medidas de conteção, na capital a tendência é de endurecimento. A partir da próxima segunda, começará na cidade um megarrodízio que tirará das ruas metade da frota de SP.
Agora, durante o dia todo e em toda a cidade, não apenas mais no centro expandido, metade dos veículos serão proibidos de circular, em todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos.
Nos dias pares, poderão circular carros com placa de final par (0, 2, 4, 6, 8). Nos dias ímpares, poderão circular carros com placa de final ímpar (as demais). Na segunda, dia 11, por exemplo, apenas carros com placas com final ímpar poderão circular. Profissionais de saúde serão excluídos da determinação. Quem já tinha isenção no modelo anterior, como motociclistas, taxistas e pessoas com deficiência, continuarão isentos.
No entanto, motoristas de aplicativos como Uber devem obedecer às novas regras que restringem a circulação de veículos. Funcionários de serviços considerados essenciais, como mercados, pet shops, padarias e lotéricas, entre outros, também terão que obedecer ao rodízio com seus carros. A fiscalização será feita por radares eletrônicos e por agentes de trânsito.
Desde quinta-feira, é obrigatório o uso de máscaras no estado de São Paulo para evitar a disseminação do novo coronavírus para qualquer um que saia às ruas e dentro de estabelecimentos que continuam abertos e repartições públicas.
