Conselho de Medicina avisa Mandetta que ainda não há estudo sobre cloroquina
Por Folhapress
12/04/2020 às 09:40
Atualizado em 12/04/2020 às 16:43
Foto: Cleia Viana/Agência Câmara

O Conselho Federal de Medicina deve se posicionar nos próximos dias sobre o uso da cloroquina para o coronavírus. A entidade já avisou o Ministério da Saúde que não encontrou na literatura científica nenhum estudo que comprove que o remédio funcione para o tratamento. A tendência, portanto, é de não recomendar o uso indiscriminado, apesar dos apelos de Jair Bolsonaro. A médica Nise Yamaguchi, que virou conselheira do governo, foi ouvida por três horas por integrantes do conselho, mas não os convenceu.
“Foi uma belíssima reunião científica, com mais de 3 horas”, disse Nise à coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo. De outro lado, de acordo com informações de bastidores, para conselheiros, o encontro serviu para que vissem que, de fato, ela não se baseia em nada científico, mas apenas na sua percepção.
O conselho ainda discute, no entanto, qual modulação vai dar no posicionamento, se vai liberar médicos para prescrever a droga caso julguem necessário. O plano do CFM é lançar um documento ao lado das sociedades de especialidades que têm relação com a doença, como as de Infectologia, Terapia Intensiva e Pneumologia.
A previsão é que o posicionamento das entidades seja o mais novo embate entre o presidente e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). O ministro vai mandar se basear na orientação do conselho, na contramão do que quer Bolsonaro.
"Não há nenhum tratamento eficaz e seguro para o coronavírus. Não há estudo clínico que diga que ajuda ou não ajuda", disse o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns.
