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Chefe da Secom, Wajngarten busca centralizar verbas e fazer ponte de Bolsonaro com TVs
Chefe da Secom, Wajngarten busca centralizar verbas e fazer ponte de Bolsonaro com TVs
Por Folha de S.Paulo
19/01/2020 às 07:00
Atualizado em 19/01/2020 às 07:00
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No centro de um dos mais novos escândalos recentes do atual governo, o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, 44, assumiu o posto com a missão de centralizar no Palácio do Planalto a verba de publicidade da Esplanada dos Ministérios.
Coube também ao secretário fortalecer os laços com emissoras de televisão que façam contraponto à Rede Globo. A TV carioca é considerada pelo presidente Jair Bolsonaro uma adversária do governo.
A permanência de Wajngarten, porém, é vista agora como incerta.
Na quarta-feira (15), a Folha revelou que ele recebe, por meio de uma empresa da qual é sócio —a FW Comunicação—, dinheiro de emissoras de TV e agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo.
A Secom é a responsável pela distribuição da verba de propaganda do Planalto. O órgão também dita as regras para as contas dos demais órgãos federais. No ano passado, foram R$ 197 milhões em campanhas.
À frente da comunicação institucional da Presidência desde abril do ano passado, Wajngarten deu início à discussão para concentrar as agências de propaganda sob o comando da Secom.
Além disso, ele tem o objetivo de aumentar o poder da secretaria na deliberação sobre o orçamento federal destinado às ações publicitárias governamentais.
Hoje, as contas ministeriais são geridas de forma independente pelas pastas. A ideia é que passem para as mãos da Secom, turbinando a estrutura presidencial.
Um argumento é que a mudança, que pode ser implementada neste ano, poderá unificar o discurso institucional. Outro é tornar mais vantajosa para a administração pública a negociação com veículos de comunicação.
Ao todo, discutia-se contratar oito agências para atender a Esplanada e a Presidência.
A Folha apurou com interlocutores que participam das discussões que a estimativa é que as despesas com novos contratos sejam de cerca de R$ 300 milhões por ano.
Para executar esse plano, Wajngarten chegou ao governo com a bênção do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente.
Na batalha da comunicação bolsonarista, Wajngarten ganhou a confiança do clã ao assumir a tarefa de aproximar o presidente a executivos de emissoras como Record, SBT, Rede TV! e Band.
Deu certo até aqui. Pelas mãos do secretário, Bolsonaro foi levado ao apresentador e empresário Silvio Santos, dono do SBT. O presidente ainda concedeu entrevistas a apresentadores como José Luiz Datena (Band) e Ratinho (SBT).
Foi na emissora do dono do Baú da Felicidade, como relatou em pronunciamento para se defender da reportagem da Folha, na quarta (15), que Wajngarten iniciou sua trajetória. Ele é próximo ainda ao deputado Fabio Faria (PSD-RN), genro do apresentador.
O secretário de Comunicação Social da Presidência é advogado, tem especialização em marketing e atua no mercado midiático desde então.
