Bolsonaro cancela ida a Davos
Por Folhapress
08/01/2020 às 19:15
Atualizado em 09/01/2020 às 06:35
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta quarta-feira (6) que o presidente Jair Bolsonaro desistiu de participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O encontro, que ocorrerá entre 21 e 24 de janeiro, é realizado anualmente numa estação de esqui nos Alpes Suíços, e é conhecido por reunir nomes importantes da área econômica, além de chefes de Estado.
Barros negou que o cancelamento da viagem tenha relação direta com a crise no Oriente Médio. "Não há qualquer ligação com os fatos envolvendo o Irã, Iraque e Estados Unidos também", disse.
Segundo ele, uma série de fatores levou a decisão de Bolsonaro.
"O presidente e a equipe de assessores analisam uma série de aspectos: econômicos, de segurança, políticos. O somatório destes aspectos, quando levados à apreciação do presidente, lhe permitiu avaliar que não seria o caso, neste momento, de participar deste fórum", explicou o auxiliar de Bolsonaro.
O próprio presidente Bolsonaro disse na segunda-feira (6) que poderia não ir a Davos por "questões de segurança".
Questionado na ocasião se a reavaliação da agenda teria alguma relação com a escalada das tensões no Oriente Médio entre os EUA e o Irã, o mandatário disse que a decisão final de ir ou não dependeria do cenário mundial.
"Pode ser, de acordo com o que acontecerá até lá. A gente acompanha diariamente via GSI (Gabinete de Segurança Institucional), via Abin (Agência Brasileira de Inteligência), via Polícia Federal. Tem representante fora do Brasil, outras fontes, né? O que está acontecendo no mundo", afirmou.
Embora a viagem ao fórum empresarial tenha sido cancelada, Bolsonaro deve manter sua visita oficial à Índia, prevista para 26 de janeiro.
Davos foi a primeira viagem internacional de Bolsonaro como presidente, na edição do ano passado.
Em 22 de janeiro de 2019, ele fez um rápido discurso de oito minutos. Incluindo o tempo reservado às perguntas, a sessão com o presidente brasileiro durou apenas 15 minutos, o que é incomum para um chefe de Estado que dispunha de meia hora para falar.
Na intervenção no ano passado, o presidente defendeu que o Brasil lidere pelo exemplo e afirmou que os países precisam cooperar.
“Hoje em dia um precisa do outro. O Brasil precisa de vocês, e vocês com certeza precisam do nosso querido Brasil”, discursou Bolsonaro.
A expectativa dos investidores à época era que Bolsonaro detalhasse suas reformas, o que não aconteceu.
Davos é considerado uma oportunidade para que os governantes apresentem suas políticas econômicas para os maiores investidores internacionais.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) não participou da edição de 2017 do fórum, mas esteve presente no ano seguinte.
