Em mensagem a Coronel, Joice confirma que irá à CPI das Fake News
Por Redação
27/11/2019 às 19:58
Atualizado em 27/11/2019 às 20:03
Foto: Ana Luiza Sousa

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) irá na próxima terça-feira (4), à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura a disseminação de informações falsas em redes sociais e aplicativos de mensagens, a CPI das Fake News. A confirmação foi dada em mensagem enviada pela parlamentar ao senador Angelo Coronel (PSD), presidente do colegiado, ao final dos trabalhos desta quarta (27).
A ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional prestaria depoimento no último dia 20 na condição de convidada (sem a obrigação de comparecer), mas de última hora pediu adiamento, alegando que precisava juntar mais elementos para levar à CPI. Em suas redes sociais, a deputada chegou a falar que estava sendo ameaçada.
Representação e rastreamento
Nesta quarta, a CPI promoveu audiência pública com Marco Aurélio Ruediger, da Fundação Getúlio Vargas, e Miguel de Andrade Freitas, da PUC-Rio. Os dois são especialistas em aspectos técnicos das redes sociais e tocaram em pontos que a CPI pode mudar com uma nova legislação, como a falta de um representante legal no Brasil das redes sociais.
“Não se pode hoje permitir que essas plataformas explorem o Brasil, faturem muito dinheiro no Brasil e não tenham uma filial, um representante legal. Creio que será uma conquista da CPI fazer com que essas redes tenham representação no Brasil”, frisou Coronel, que sempre destacou a necessidade de existir ao menos um endereço dessas plataformas no país para que elas também sejam responsabilizadas quando há propagação de informação falsa.
Os técnicos também trouxeram informações sobre como as autoridades investigativas podem rastrear o responsável por propagar informação falsa em aplicativos como o WhatsApp, o que animou o presidente da CPI. “Como dizemos na Bahia, começou a desanuviar”, brincou Coronel, acreditando “que até o final dos trabalhos teremos uma legislação dura sobre o assunto”. Segundo o senador, “a raiz (mau uso da tecnologia) já cresceu e nós temos que cortar agora pelo caule, já que não dá pra esperar que dê flor e fruto”.
General
A CPI das Fake News também ouviu, na última terça (26), o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Sem citar nomes, ele trouxe um print (impressão) de um falso diálogo dele, no Whatsapp, falando mal do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos e conspirando contra o governo, dizendo que seu grupo de militares levaria o vice-presidente, Hamilton Mourão, ao poder.
Santos Cruz garantiu que não tem ideia de quem é o autor do diálogo atribuído a ele, mas admite que é possível que faça parte do mesmo grupo que desde a campanha eleitoral de 2018 desfere ataques virtuais contra os adversários do governo e contra instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Ele concorda que esse grupo pode ser chamado de ‘milícia digital”, reconhecendo que o grupo “constrange e intimida”.
