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Barragem de Brumadinho operava sob ‘fontes de incertezas’ e com valores de falha ‘inaceitáveis’, diz perícia da PF

Barragem de Brumadinho operava sob ‘fontes de incertezas’ e com valores de falha ‘inaceitáveis’, diz perícia da PF

Por Estadão

25/11/2019 às 18:00

Atualizado em 25/11/2019 às 18:00

Foto: Corpo de Bombeiros

Lama invadiu Brumadinho após rompimento de barragem da Vale

Cinco laudos de peritos criminais da Polícia Federal descrevem as características da Barragem I da Mina Córrego do Feijão e a extensão dos danos ambientais causados por seu rompimento, em 25 de janeiro.

Segundo um documento elaborado pela perícia criminal federal, a barragem operou por 40 anos ‘sujeita a fontes de incertezas’. O texto diz ainda que valores de probabilidades de falhas registrados em relatório técnico elaborado em 2017, deveriam ter sido considerados ‘inaceitáveis’ tendo em vista critérios internacionais.

O rompimento da barragem, que provocou um tsunami de lama e despejou quase 13 milhões de metros cúbicos sobre Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, deixou 254 mortos e 16 desaparecidos.

O laudo mais extenso trata das informações técnicas sobre a Barragem I da Mina Córrego do Feijão. É um laudo com 207 páginas. Ele indica que a barragem operou, entre 1976 e 2016, ‘sujeita a uma série de fontes de incertezas, em especial aquelas relativas aos parâmetros geotécnicos’.

O texto faz considerações sobre o estudo de Cálculo de Risco Monetizado sobre a Barragem, elaborado pela TÜV SÜD em outubro de 2017 e revisado em julho de 2018. O estudo quantificou as probabilidades para quatro modos de falha da Barragem I. Segundo os peritos da PF, um relatório técnico que compõe tal estudo, sobre Valoração das Consequências, estimava uma ‘perda de até 214 vidas humanas no pior cenário de rompimento da Barragem I, sem aviso prévio’.

Os peritos registram que tais valores deveriam ter sido considerados tecnicamente ‘inaceitáveis’, quando confrontados com os critérios internacionais.

“Portanto, os estudos técnicos analisados demonstram que o risco de ruptura da Barragem I se encontrava em uma condição de não aceitação, e mesmo apresentando probabilidades anuais de falha, pelo menos, 20 vezes maiores que o máximo aceitável pelos critérios internacionais, essas informações foram plotadas no gráfico do Relatório Técnico de Análise de Risco elaborado em 11/07/2018 pela empresa Potamos, dentro do estudo do Cálculo do Risco Monetizado para Barragem I, no âmbito da Gestão de Riscos Geotécnicos (GRG) da Vale S.A., ignorando os limites de aceitabilidade internacionalmente admitidos.”

Outros três laudos tratam dos impactos ambientais da tragédia, analisando aspectos da vegetação terrestre afetada pelo lama da barragem, dos danos causados à fauna terrestre e aquática do local e da poluição ambiental gerada pelos rejeitos de minério de ferro que atingiram a região. Além disso, um outro documento trata dos procedimentos de licenciamento ambiental da Barragem I.

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