12 de setembro de 2019, 19:15

MUNDO Twitter bloqueia contas de Raul Castro e de mídia estatal cubana

Foto: Javier Galeno/AP Photo

Fidel e Raul Castro lideraram Cuba por quase seis décadas

O Twitter bloqueou as contas do líder do Partido Comunista cubano Raul Castro, de sua filha Mariela Castro e dos principais meios de comunicação estatais de Cuba, um movimento que a União Cubana de Jornalistas denunciou como “grande censura”. Dezenas de contas de jornalistas da mídia estatal cubana, bem como a conta oficial do Ministério das Comunicações, também foram bloqueadas por um período na noite de quarta-feira. O Twitter não explicou ou avisou sobre a medida, escreveram meios de comunicação estatais em seus sites. Questionada sobre as suspensões das contas, um porta-voz do Twitter afirmou que as políticas contra manipulação da plataforma proíbem que os usuários artificialmente manipulem conversas por meio de múltiplas contas. O sindicato cubano de jornalistas disse que a plataforma suspendeu contas individuais no passado que foram recuperadas. A medida ocorreu no momento em que o presidente Miguel Diaz-Canel estava se dirigindo ao país na TV estatal, alertando para uma crise de energia devido a sanções dos EUA. “O que há de novo aqui é o escopo maciço desse ato de guerra cibernética, claramente planejado, que visa limitar a liberdade de expressão de instituições e cidadãos cubanos e silenciar os líderes da revolução”, afirmou em comunicado.

Estadão Conteúdo

12 de setembro de 2019, 18:30

MUNDO Araújo diz que ativação de tratado contra Maduro ‘não é ação militar’

Foto: Pete Marovich/EFE

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira, 12, que a ativação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) não significa uma ação militar contra o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela. Na quarta-feira, 11, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, com apoio do Brasil, a convocação de uma reunião dos signatários do pacto para ativar o tratado, que prevê defesa mútua entre os países da região. “Não significa ação militar, de forma nenhuma, não é isso que nós queremos, o Tiar não é simplesmente um acordo de ação militar é um acordo para ação coletiva diante de ameaças à segurança, como claramente é. O chanceler da Colômbia, se não me engano, fez uma apresentação muito clara nesse sentido, com o fato de o regime Maduro estar abrigando terroristas”, afirmou Araújo em Washington, fazendo referência às Farc, cuja dissidência voltou à luta armada há duas semanas. O chanceler relativizou a exigência do tratado de que haja uma uma ameaça armada externa para que seja invocada a defesa coletiva mútua dos países da região. Segundo ele, “seja interno ou seja externo”, o caso da Venezuela representa uma ameaça para a região “independentemente” do que esteja “na letra” do pacto. “Isso é redação do tratado, mas, enfim, a própria existência hoje de um regime como a Venezuela, seja interno, seja externo, representa uma ameaça e acho que o tratado existe para isso. Independentemente exatamente do que está ali na letra, é uma ameaça externa no sentido de que nós estamos diante de uma situação que tem presença terrorista, presença de forças violentas aí”, afirmou Araújo. “Como isso ameaça a segurança em toda a região, então acho que já era tempo de acionar o Tiar”, disse o ministro. Chanceleres dos países signatários do Tiar devem se reunir no próximo dia 23 em Nova York, na véspera da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Araújo não disse qual será a proposta concreta do Brasil no encontro. Segundo ele, o País está coordenando com outras nações, como a Colômbia. O Brasil e os demais países pretendem usar o Tiar, a depender dos desdobramentos do encontro, para ampliar a pressão econômica e política sobre o regime chavista. Atualmente, o País só admite sanções decorrentes de decisões do Conselho de Segurança da ONU. Segundo fontes do Itamaraty, no entanto, é discutida a possibilidade de contar com eventual deliberação feita no âmbito do Tiar como marco jurídico que substitua decisão do Conselho de Segurança. Araújo apenas afirmou que a ideia da reunião é pensar em uma “dimensão coletiva” para uma “ação diplomática” que gere a mudança de regime na Venezuela. Durante o debate na OEA, a Costa Rica chegou a apresentar uma proposta de emenda para que a convocação da reunião deixasse claro que seriam excluídas medidas que impliquem emprego de força armada. O Brasil votou pela rejeição da emenda. Nos bastidores, diplomatas afirmam que a rejeição aconteceu somente porque a proposta da Costa Rica é precoce, já que a OEA apenas convocou uma reunião dos signatários em caráter procedimental, sem delimitar o mérito das discussões a respeito da Venezuela. O apoio do Brasil à convocação de reunião que pode ativar o Tiar foi discutido nos bastidores entre diplomatas e militares, segundo fontes envolvidas no tema. Os militares brasileiros têm rechaçado desde o início do mandato de Bolsonaro a possibilidade de uso de força para lidar com a crise no país vizinho. A discussão na OEA não se deu antes da consulta à cúpula militar e da garantia de que a intenção é intensificar tão somente instrumentos de pressão política e econômica contra Maduro – sem uso militar. O apoio do Brasil à convocação de reunião que poderá ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) foi discutido nos bastidores entre diplomatas e militares, segundo fontes envolvidas. O pacto, da época da Guerra Fria, prevê a defesa mútua dos países do continente em caso de ataques externos e foi defendido pelo presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, como uma forma de pressionar o governo de Nicolás Maduro. Apesar de o texto do Tiar abrir caminho, em último caso, para uma intervenção militar na Venezuela, diplomatas brasileiros garantem nos bastidores que o cenário não será o de adoção de instrumentos de força.

Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2019, 18:15

MUNDO Consultor de segurança, John Bolton deixa a Casa Branca por divergência em política externa

Foto: AP/Photo

John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu John Bolton, seu terceiro assessor de Segurança Nacional, nesta terça-feira, 10. Trump anunciou a saída por meio de sua conta no Twitter, em meio a divergências sobre como lidar com desafios de política externa americana, como o Irã, Coreia do Norte e o Afeganistão. Bolton também foi o idealizador da política de pressão total sobre a Venezuela, para tentar derrubar o regime do presidente chavista Nicolás Maduro dando apoio para o líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela no começo do ano. Em novembro do ano passado, John Bolton se reuniu no início com o presidente Jair Bolsonaro, na casa de Bolsonaro. Na ocasião, o presidente bateu continência para o então assessor de Segurança Nacional dos EUA e ofereceu a ele um café da manhã com suco e pão com leite condensado. O presidente disse que nomeará seu substituto na próxima semana. A notícia, conhecida dias depois de Trump revelar o cancelamento de conversas secretas com o Taleban no Afeganistão, surpreendeu Washington. Bolton ajudou a colocar a América Latina como um dos focos da política externa americana na segunda metade do governo Donald Trump, especialmente as crises na Venezuela e na Nicarágua, além de uma piora nas relações com Cuba. Ao comentar essa nova política, em março, o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, declarou que “a Doutrina Monroe estava bem viva”. “Informei John Bolton ontem à noite que seus serviços não são mais necessários na Casa Branca. Discordei fortemente de muitas de suas sugestões, assim como outros do governo, e, portanto, pedi a John sua demissão, que ele me entregou nesta manhã. Agradeço muito a John por seu serviço. Vou nomear um novo consultor de segurança nacional na próxima semana”, escreveu Trump em sua conta no Twitter. Sua saída ocorre no momento em que Trump busca abertura diplomática com dois dos inimigos mais importantes dos Estados Unidos, esforços que atrapalharam os linha-dura no governo, como Bolton, que vê a Coreia do Norte e o Irã como não confiáveis. Trump continuou a elogiar Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, apesar da recusa de Kim em renunciar ao seu programa nuclear e apesar dos repetidos testes de mísseis de curto alcance do Norte que abalaram seus vizinhos. Nos últimos dias, Trump manifestou vontade de se reunir com o presidente Hassan Rouhani, do Irã, sob as circunstâncias certas, e até de estender financiamento de curto prazo a Teerã, embora a oferta tenha sido até agora rejeitada. Conhecido por seus notórios bigodes, Bolton é uma figura controversa por seu estreito vínculo com a invasão do Iraque e foi considerado um dos principais impulsionadores da abordagem dura de Trump em política externa. Como é frequentemente o caso na presidência de Trump, a partida abrupta do conselheiro de segurança nacional parecia marcada pelo caos. O anúncio de Trump no Twitter veio logo depois que a assessoria de imprensa da Casa Branca disse que Bolton ofereceria em breve uma coletiva de imprensa sobre questões de terrorismo, juntamente com o secretário de Estado Mike Pompeo. O próprio Bolton apresentou sua versão dos fatos, o que parece contradizer a do presidente. “Eu me ofereci para renunciar ontem à noite e o presidente Trump disse: ‘Vamos falar sobre isso amanhã'”, tuittou Bolton.

Estadão Conteúdo

9 de setembro de 2019, 21:45

MUNDO Parlamento do Reino Unido rejeita pedido do premiê por eleição antecipada

O Parlamento do Reino Unido rejeitou na noite desta segunda-feira (já madrugada de terça-feira em Londres) o pedido do primeiro-ministro Boris Johnson para antecipar eleições. Houve 293 votos a favor da proposta oficial, mas o governo não conseguiu a maioria de dois terços necessária para antecipar a disputa nas urnas. Outros 46 legisladores votaram contra a proposta. Para Johnson, a eleição antecipada seria o meio de se sair do impasse atual, no qual o Parlamento pressiona para que apenas se deixe a União Europeia (Brexit) após um acordo com o bloco. O premiê diz que conseguirá renegociar os termos da saída a tempo, mas há grande ceticismo em Londres sobre suas chances de sucesso. Mais cedo, ele insistiu que não pedirá mais prazo à UE. Na semana passada, o Parlamento britânico havia votado contraproposta similar do premiê por eleições antecipadas. Johnson queria uma eleição em 15 de outubro, mas os legisladores antes exigem garantias de que não haverá uma saída da UE sem acordo.

Estadão Conteúdo

9 de setembro de 2019, 19:00

MUNDO Candidato de Cristina amplia vantagem sobre Macri na Argentina, apontam pesquisas

Foto: Estadão

O presidente da Argentina, Mauricio Macri

O candidato de oposição, o peronista Alberto Fernández, derrotaria o presidente argentino, Mauricio Macri, nas eleições de outubro por uma vantagem ainda maior do que a diferença esmagadora que ele obteve nas primárias de agosto, segundo três pesquisas divulgadas nesta segunda-feira, com números semelhantes. Os dados publicados ontem quebraram semanas de silêncio dos institutos de pesquisa, após as primárias, nas quais poucas sondagens acertaram a vitória arrasadora da chapa de centro-esquerda peronista sobre o governo – resultado que acelerou a crise de desconfiança de investidores. Fernández, cuja colega de chapa é a ex-presidente Cristina Kirchner, deve obter 51,5% dos votos e Macri, 34,9%, segundo pesquisa da empresa Ricardo Rouvier & Asociados. “O que vejo é uma consolidação do resultado das primárias”, disse o analista Julio Burdman, cuja consultoria Observatorio Electoral ainda está concluindo suas pesquisas de opinião. Segundo a pesquisa da consultoria Trespuntozero, o opositor deve obter 51,9% dos votos – diante dos 34% de Macri – e conquistar a presidência sem a necessidade de um segundo turno. Para a empresa Clivajes, Fernández receberá 52,6% dos votos, e Macri teria 32,5%. Nas primárias, que não definiram resultados, mas funcionaram como um indicador do entusiasmo dos eleitores, Fernández conquistou 47,78% dos votos e Macri, 31,79%. Se os votos em branco não tivessem sido contabilizados, como ocorrerá nas eleições gerais, os votos de Fernández teriam superado os 49%. Na Argentina, para vencer uma eleição no primeiro turno, o candidato mais votado tem de superar os 45% dos votos ou obter mais de 40% e uma diferença de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado. Em um cenário econômico que já mostrava problemas sérios para Macri, o resultado das primárias desencadeou uma crise financeira severa em razão dos temores de que Fernández reinstaure controles rígidos sobre a economia. A menos de dois meses da eleição, Macri tem a difícil missão de reverter o descontentamento com a crise econômica e a unidade do peronismo para derrotar o kirchnerista Alberto Fernández. Principal colégio eleitoral da Argentina, com 11.867,979 eleitores que representam 37% do total de cidadãos habilitados para votar, a Província de Buenos Aires é um território de disputa decisivo na eleição nacional. O revés de Macri respingou em sua principal aliada: Maria Eugenia Vidal, governadora da província, que em 2015, obteve uma vitória histórica frente ao candidato kirchnerista Aníbal Fernández. Passados quatro anos, a votação que define as chapas que disputarão oficialmente as eleições e serve como um termômetro das preferências do eleitor demonstrou que a baixa popularidade de Macri – cerca de 33% – pode respingar na imagem positiva da atual governadora. Após a derrota, Macri buscou conselhos eleitorais com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Estadão Conteúdo

9 de setembro de 2019, 16:17

MUNDO Em vídeo, Macron critica Bolsonaro em conversa com Piñera e Merkel

Foto: Reprodução/Estadão

Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron

Um programa do canal de televisão francês CNews sobre os bastidores do encontro do G7, no mês passado em Biarritz, na França, captou uma conversa entre os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, da França, Emmanuel Macron e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, na qual o chefe de Estado francês critica duramente o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e conta com o endosso dos outros dois líderes presentes. Na ocasião, Macron conversava com Piñera sobre a chancela do presidente Bolsonaro a uma ofensa contra sua esposa, Brigitte Macron. Quem iniciou o assunto foi Piñera, que classificou como “incrível” o pronunciamento de Macron na coletiva de imprensa na qual o presidente francês afirmou que era triste, sobretudo para as mulheres brasileiras, que um presidente se comportasse daquela maneira. “Claro, eu tinha que reagir, você entende?”, responde Macron a Piñera, que afirmou concordar com ele. “Eu queria ser pacífico, queria ser correto, construtivo com o ‘cara’ e respeitar sua soberania”, continuou Macron. “Mas eu não poderia aceitar isso”, explicou. Nesse momento, a chanceler alemã se aproxima da roda e exclama “não!”, condenando os comentários de Bolsonaro. A conversa, no entanto, não terminou ali. Macron desabafou sobre o imbróglio envolvendo seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, quando ele esteve no Brasil e teve seu encontro cancelado com Bolsonaro porque o presidente brasileiro precisava cortar o cabelo. “Você sabe que, quando meu ministro de Relações Exteriores foi lá?”, indagou o presidente francês a Piñera, complementando: “Ele deveria recebê-lo e cancelou no último minuto para ir cortar seu cabelo. E filmou a si mesmo. Desculpa. Mas isso não é a atitude de um presidente”.

Estadão Conteúdo

8 de setembro de 2019, 16:47

MUNDO França rejeita qualquer adiamento do Brexit nas ‘circunstâncias atuais’

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, rejeitou neste domingo, 8, qualquer novo adiamento do Brexit nas circunstâncias atuais. “No atual estado de coisas, é ‘não'”, disse ele em um programa da Europe1/CNEWS/Les Echos.

“Não vamos voltar a adiar a cada três meses” para discutir um adiamento do Brexit, acrescentou. “Eles (os britânicos) dizem que querem propor outras soluções, acordos alternativos para se assegurar da saída (…). Mas, como não vimos isso, é ‘não’. Não podemos voltar a começar a cada três meses. Que as autoridades britânicas nos indiquem o caminho”, completou Le Drian.

“Os britânicos que assumam a sua situação porque estão em um beco. Agora, não há maioria para nada no Parlamento britânico”, nem para um Brexit sem acordo e nem para a convocação de eleições, afirmou o ministro francês.

Na semana passada, o Parlamento britânico aprovou uma lei que obriga o primeiro-ministro Boris Johnson a adiar por três meses a data prevista para a conclusão do Brexit – em 31 de outubro -, caso não se chegue a um acordo com a União Europeia (UE) antes do dia 19 do mesmo mês.

8 de setembro de 2019, 12:11

MUNDO Taleban ameaça EUA após fim do diálogo: ‘vão sofrer mais do que ninguém’

O grupo terrorista Taleban afirmou neste domingo, 8, que os Estados Unidos “vão sofrer mais do que ninguém”, depois que o presidente Donald Trump suspendeu, de repente, as conversas em curso.

O objetivo destas negociações que se arrastam há mais de um ano é pôr fim à mais longa guerra em que os Estados Unidos já se envolveram: o confronto já dura 18 anos.

“Ainda (…) acreditamos que o lado americano voltará a esta posição (…) Nossa luta durante os últimos 18 anos tinha de ter mostrado aos americanos que não ficaremos satisfeitos até vermos o fim completo da ocupação”, tuitou o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, reagiu, afirmando neste domingo que os EUA estão dispostos a reabrir as negociações, se os talibãs mudarem de atitude e respeitarem seus acordos.

Pompeo disse também que o presidente Donald Trump “ainda não decidiu”, se levará adiante a decisão de retirar os milhares de soldados americanos estacionados no Afeganistão, conforme previsto no projeto de acordo em discussão com os talibãs.

Em julho, o grupo praticou um atentado na capital do Afeganistão Cabul, que matou 65 pessoas. Um carro-bomba explodiu e o grupo informou que a intenção era atingir um prédio do ministério da Defesa

Agência Estado

8 de setembro de 2019, 11:40

MUNDO Ministra do trabalho deixa governo e aumenta lista de derrotas para Boris Johnson

Horas depois de anunciar que deixou o governo de Boris Johnson por causa da postura do primeiro-ministro em relação ao Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia, a ministra do Trabalho e Previdência, Amber Rudd, fez uma série de declarações neste domingo, 08, que deixa Boris Johnson em situação desconfortável. “Não vi trabalho suficiente para tentar conseguir um acordo”, argumentou.

Em entrevista na manhã de domingo à rede de televisão britânica BBC, ela acrescentou não houve “negociações formais” com o bloco comum, apenas “conversas”. A agora ex-ministra detalhou ainda que até 90% do tempo do governo foi gasto na preparação de uma opção “inferior” de não acordo do Brexit.

Durante o programa Andrew Marr, ela pediu que Johnson cumprisse a lei e enfatizou que sua renúncia foi “uma decisão difícil”. Ao Sunday Times, Amber disse que vai avaliar como atuará e que deve permanecer como uma conservadora independente caso haja uma eleição.

A afirmação sobre o empenho em relação à busca de um consenso coloca o premiê, que vem colecionando uma sucessão de derrotas no Parlamento e dentro de sua administração, ainda mais na berlinda. Em sessão no Legislativo na semana anterior, ele acusou os deputados de estarem atrapalhando as negociações do governo com a UE – por quererem bloquear um Brexit sem acordo – que estavam em andamento.

Segundo Jonhson, as conversações estavam avançando a ponto de ele dizer que estava confiante na chegada de um consenso entre as partes.

Além do cargo no governo, Amber também assumia o papel de um dos “chicotes” (whips) – como são chamados os deputados encarregados de assegurar que o número máximo de membros de seu partido vote e, de preferência, como a legenda quer – do Partido Conservador.

Esses deputados foram acusados de pressionar e ameaçar deputados do partido que se contrapusessem às orientações do comando da legenda. Depois disso, 21 congressistas que votaram contra o governo sobre o projeto de lei para bloquear o Brexit sem acordo foram expulsos.

Downing Street anunciou que a ministra do Meio Ambiente, Therese Coffey, substituirá Amber. Um porta-voz do N° 10, endereço oficial do governo, acrescentou que “todos os ministros que ingressaram na administração de Johnson se comprometeram a deixar a UE em 31 de outubro, aconteça o que acontecer”.

O ministro das Finanças, o chanceler Sajid Javid, disse que ficou “triste” com a demissão. Também à BBC, ele afirmou que não concorda que o governo não esteja se esforçando seriamente para conseguir um novo acordo com a UE. O Partido Trabalhista, da oposição, avaliou que a renúncia de Amber mostra que o governo estava “desmoronando”.

Há três dias, o irmão do premiê, Jo Johnson, que era ministro das Universidades desde julho, também informou sobre seu afastamento do governo. Ele anunciou ainda que deixaria de ser deputado na Câmara dos Comuns, o equivalente à Câmara dos Deputados brasileira.

“Nas últimas semanas estive dividido entre a lealdade familiar e o interesse nacional: é uma tensão insolúvel e é hora de outros assumirem meus papéis de ministro e deputado”, escreveu em sua conta no Twitter.

O esfarelamento do governo se dá em um momento em que Boris Johnson considera desafiar uma nova lei que o forçará a procurar uma extensão do prazo do Brexit se ele não conseguir a aprovação do Parlamento sobre um acordo de saída da UE até 19 de outubro.

Por causa de interpretação da lei, o premiê, conforme veiculam jornais britânicos hoje, pensa em sua sabotagem. Um grupo de congressistas parlamentares já se articula, como registrou ontem o Broadcast, para levar o caso aos tribunais, se isso de fato ocorrer.

Há possibilidade, inclusive, de o primeiro-ministro, no limite, ser preso. Na próxima segunda-feira, 09, ele deve insistir no Congresso sobre a realização de novas eleições e, para isso, precisará do aval de dois terços dos 650 parlamentares. Na semana passada, ele fracassou nessa tentativa.

Em artigo ao Mail Sunday e Sunday Express, enfatizou que na segunda-feira oferecerá ao líder trabalhista Jeremy Corbyn, principal peça da oposição, “uma última chance” de concordar com uma eleição antecipada. Se Corbyn se recusar, segundo ele, “esse governo simplesmente continuará”. Também no artigo reforçou que trabalharia “incansavelmente” por um acordo, mas que o governo ainda se preparara para deixar a UE em 31 de outubro “aconteça o que acontecer”.

Agência Estado

8 de setembro de 2019, 08:23

MUNDO China: superávit comercial cai para US$ 34,8 bilhões em agosto

A China registrou superávit comercial de US$ 34,8 bilhões em agosto, ante os US$ 45,1 bilhões registrados em julho, apontaram dados da Administração Geral das Alfândegas neste domingo. O resultado ficou abaixo do esperado por economistas consultados pelo Wall Street Journal, de US$ 44,2 bilhões.

Em meio ao agravamento das tensões comerciais com os EUA, as exportações da China caíram 1% no mês passado em relação ao ano anterior, revertendo ganho de 3,3% em julho. A previsão era de crescimento de 3% nas exportações.

Já as importações caíram pelo quarto mês seguido, recuando 5,6% em relação ao ano anterior em agosto, o mesmo valor obtido de julho. Desta vez, a previsão da pesquisa do WSJ era de declínio de 6,2% nas importações. Em termos de yuan, as exportações da China aumentaram 2,6% em agosto, enquanto as importações caíram 2,6%, informou o departamento de alfândega.

Agência Estado

7 de setembro de 2019, 13:56

MUNDO Desigualdade e herança do apartheid geram onda xenófoba na África do Sul

Em poucos minutos, um grupo de pessoas armado com bastões de madeira e ferro arromba a porta de uma loja, invade o local e saqueia toda a mercadoria. Os ataques, que a princípio pareciam crimes comuns, desembocaram em uma série de mortes, prisões em massa e incêndios com fundo político. Uma onda de violência xenófoba perpetrada por sul-africanos contra imigrantes africanos na última semana deixou ao menos dez mortos. Os primeiros episódios começaram no fim de agosto, nos subúrbios de Pretória, capital administrativa do país, e se estenderam para Joanesburgo, capital comercial. Centenas saquearam e queimaram lojas que seriam de propriedade de estrangeiros.

Cyril Ramaphosa, presidente do país, afirmou em um pronunciamento na TV nesta sexta (6) que oito dos mortos eram sul-africanos. “Não há desculpas para os ataques a lares e negócios de estrangeiros nem para a xenofobia.”
Mais cedo, a ministra das Relações Exteriores, Naledi Pandor, reconheceu que as agressões, muitas delas cometidas por negros, foram motivadas por “afrofobia” contra imigrantes africanos que moram e trabalham no país. Até então, as autoridades tratavam o ocorrido como onda de crimes sem motivações políticas.A série de episódios violentos levou à prisão de 423 pessoas, segundo Elias Mawela, comissário da polícia de Gauteng, província onde se localizam as duas cidades.

Para Ivan Katsere, professor e pesquisador de linguagem política da Universidade da Cidade do Cabo, a herança do apartheid explica em parte os ataques. “Durante o regime, os negros internalizaram o racismo direcionado a eles, e agora fazem o mesmo com outros negros”, disse. “Se eu sou negro e falo inglês fluentemente, sou criticado e chamado de ‘coco’: negro por fora, mas branco por dentro.”

Loren Landau, professor da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, argumenta que a violência durante a resistência ao apartheid normalizou esse tipo de ações ocorridas nos últimos dias. “Nos anos 1980, as pessoas que se mobilizavam politicamente usavam a violência porque elas não tinham o direito de participar do processo político de nenhum outro jeito”, diz. “A violência é uma forma de tomar o controle do que acontece, e uma pessoa não faz isso por meio do voto, mas contra-atacando.” Ambos os acadêmicos argumentam que o principal legado do regime que contribui para o fenômeno atual é o fato de que os negros continuam a ser a maioria da parcela mais pobre da população. “Os negros ainda vivem nas áreas [periféricas] que foram demarcadas para eles, assim como os brancos”, afirma Katsere, para quem essa desigualdade explica por que os tumultos ocorreram nos subúrbios de grandes centros urbanos.

O índice de desemprego na África do Sul chegou a 27,6% em maio deste ano. Dados oficiais de julho registram que 46% dos sul-africanos negros estão desempregados, contra apenas 9,8% dos brancos. A falta de empregos na comunidade negra serviu de combustível para o discurso de que estrangeiros estariam roubando vagas dos nativos. O pesquisador afirma que dois eventos deste ano atuaram como gatilho para uma frustração que vinha crescendo entre a comunidade negra.

No início do ano, a polícia realizou uma série de apreensões de produtos falsos em pequenos comércios, a maioria pertencente a imigrantes. No segundo episódio, no fim de agosto, um motorista de táxi foi morto em um confronto com traficantes de drogas em Pretória. Nas redes sociais, circularam boatos de que o autor do crime seria nigeriano.
“Há muito preconceito e estereótipos no discurso que os políticos e a mídia usam para se referir a imigrantes. Tem acontecido um movimento de bode expiatório”, diz Katsere.

Durante a campanha para as eleições de maio deste ano, o então candidato e atual prefeito de Joanesburgo, Herman Mashaba, adotou discurso forte contra imigrantes irregulares, argumentando que eles sobrecarregavam serviços públicos de saúde e habitação. Ramaphosa defendeu a necessidade de impedir a entrada de novos estrangeiros como forma de assegurar empregos para os locais.

As redes sociais também influenciam na onda de violência e são usadas para marcar local e horário dos ataques e disseminar notícias falsas. Uma das mensagens compartilhadas nos últimos dias traz um vídeo de crianças correndo em pânico de uma escola em chamas em Katlehong, município a 35 quilômetros de Joanesburgo, e afirma que os autores do incêndio seriam imigrantes somalis. O secretário de Educação de Gauteng desmentiu o relato.A onda de violência gerou forte reação internacional.

Na Nigéria, redes sul-africanas foram alvo de violência e saques. As representações diplomáticas da África do Sul na capital, Abuja, e em Lagos foram fechadas após o corpo diplomático receber ameaças. O país, junto a Maláui, Ruanda e República Democrática do Congo, decidiu boicotar o Fórum Mundial Econômico que teve início na quarta-feira (4), na Cidade do Cabo.

A seleção da Zâmbia adiou um amistoso contra a equipe nacional sul-africana que ocorreria neste sábado (7), alegando prioridade a uma partida contra a Namíbia, programada para segunda (9).
Ramaphosa esperava usar o fórum como uma vitrine para seus esforços de melhorar a economia sul-africana e promover o país, mas o evento, esvaziado pelos cancelamentos, acabou se tornando uma saia justa para o seu governo.

Folhapress

4 de setembro de 2019, 18:10

MUNDO Presidente do Chile condena falas de Bolsonaro sobre pai de Bachelet

Foto: Reprodução

O presidente do Chile, Sebastián Piñera

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse em pronunciamento nesta quarta-feira (4) não compactuar com as falas do presidente Jair Bolsonaro sobre o pai de Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para direitos humanos e ex-presidente do Chile. Piñera, um dos principais aliados regionais de Bolsonaro, afirmou que “toda pessoa tem o direito de ter seu juízo histórico sobre os governos dos anos de 1970 e 1980, mas que estas visões devem ser expressadas com respeito às pessoas”. “Não compartilho em absoluto à menção feita pelo presidente Bolsonaro por respeito à uma ex-presidente do Chile e, especialmente, em um tema tão doloroso como a morte de seu pai”. Piñera também reforçou que seu compromisso sempre foi com a democracia, a liberdade e os direitos humanos “em todo o tempo, lugar e circunstância”. O presidente Jair Bolsonaro atacou nesta quarta o pai de Michelle Bachelet, Alberto Bachelet, que foi torturado e morto pela ditadura militar de Augusto Pinochet. A crítica veio após Bachelet dizer em uma entrevista que o Brasil sofre uma “redução do espaço democrático”, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. “Michelle Bachelet, seguindo a linha do [presidente francês Emmanuel] Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos [de bandidos], atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu o presidente em uma rede social. “Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece de que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à epoca”, prosseguiu Bolsonaro, que publicou também uma foto de Bachelet, quando presidente, ao lado das ex-mandatárias Dilma Rousseff (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina). Alberto Bachelet, pai de Michelle, era general de brigada da Força Aérea e se opôs ao golpe militar dado por Augusto Pinochet em setembro de 1973. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu sob custódia, em fevereiro de 1974. A ex-presidente chilena também foi presa e torturada por agentes de Pinochet em 1975. Na manhã desta quarta-feira, ao sair do Palácio da Alvorada para cumprir uma agenda em Anápolis (GO), Bolsonaro voltou a criticar Bachelet e a atacar seu pai. O presidente disse que a alta comissária da ONU “defende direitos humanos de vagabundos”. “[Michelle Bachelet] está acusando que eu não estou punindo policiais, que estão matando muita gente no Brasil. Essa é acusação dela. Ela está defendendo direitos humanos de vagabundos”, afirmou. “Senhora Michelle Bachelet, se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 1973, entre eles o teu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Eu acho que não preciso falar mais nada para ela. Quando tem gente que não tem o que fazer, vai lá para a cadeira de Direitos Humanos da ONU”, acrescentou o presidente. Bachelet fez a declaração sobre a redução da democracia no Brasil em uma entrevista coletiva em Genebra. “Nos últimos meses, observamos [no Brasil] uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”, disse. Ela também apontou um aumento do número de pessoas mortas por policiais no Brasil, que afeta mais a negros e a moradores de favelas. A ex-presidente chilena ainda lamentou o “discurso público que legitima as execuções sumárias” e a persistência da impunidade, além de questionar a política do governo de facilitar o acesso a armas. A comissária recordou que ao menos oito defensores dos direitos humanos foram mortos no Brasil entre janeiro e junho, e que a maioria dessas mortes tiveram relação com disputas de propriedade, relacionada à “exploração ilegal de recursos naturais, principalmente agrícolas, florestais e minerais”. Para ela, essa violência ocorre em todo o país e afeta especialmente as comunidades indígenas. “33% dos incêndios florestais ocorrem em áreas indígenas ou de proteção”, apontou. “Dissemos ao governo que ele deve proteger os defensores dos direitos humanos e do meio ambiente, mas também examinar as medidas que podem desencadear violências contra esses defensores”, afirmou Bachelet.

Folhapress

4 de setembro de 2019, 17:08

MUNDO Parlamento derrota Boris Johnson e aprova lei que impede Brexit sem acordo

Foto: Reprodução

O primeiro-ministro da Inglaterra, Boris Johnson

Os deputados britânicos adotaram nesta quarta-feira, 4, uma lei que obriga o governo a pedir um novo adiamento do Brexit, atualmente previsto para 31 de outubro, se um novo acordo não for alcançado com Bruxelas nas próximas semanas. Logo após a votação, o primeiro-ministro Boris Johnson propôs a antecipação das eleições legislativas para 15 de outubro. “O país deve decidir se o líder da oposição ou eu quem irá a Bruxelas (tentar obter um acordo)”, afirmou Johnson. O texto, que deve ainda ser ratificado pela Câmara dos Lordes, recebeu 327 votos a favor e 299 contra na Câmara dos Comuns, impondo um novo revés ao primeiro-ministro, que se opunha a essa prorrogação. Na primeira rodada de votação, ele havia sido aprovado por 329 votos a 300. Na Câmara dos Lordes, um grupo pró-Europa tentará impedir uma eventual manobra de bloqueio por parte dos eurocéticos. Na terça-feira, 3, os deputados decidiram abrir o debate sobre o projeto por 328 a 301. Os parlamentares tomaram o controle do cronograma do Brexit, após Johnson ter perdido a maioria na Casa, quando um parlamentar deixou o Partido Conservador e aderiu ao Partido Liberal-Democrata, de oposição. As rusgas com o Parlamento se agravaram quando o premiê estendeu o período de recesso parlamentar, medida que iria dar a ele autonomia no andamento da saída do Reino Unido da União Europeia. A oposição quer evitar a convocação das eleições, previstas para 2022. Para isso, o governo precisa do apoio de dois terços da Câmara dos Comuns e, nesta quarta, parecia longe de alcançar este número. Em meio à confusão, os dissidentes do Partido Conservador foram imediatamente expulsos da bancada parlamentar por Johnson. Entre os expulsos, estão Nicholas Soames, neto de Winston Churchill, ídolo de Johnson, e o ex-ministro das Finanças Philip Hammond. O atual prazo para o Brexit acaba em 31 de outubro. Desde que Johnson assumiu o cargo, em substituição a Theresa May, ele adotou duas medidas que, segundo analistas, tendem a facilitar uma ruptura unilateral com Bruxelas. A primeira foi a ampliação do recesso do Parlamento. A segunda é a ameaça de antecipar eleições. Ambas dificultariam o debate parlamentar para a aprovação de um acordo. Johnson é defensor de uma ruptura radical com a UE e um crítico do acordo negociado por May com Bruxelas. Os britânicos decidiram sair da UE com 52% dos votos na consulta popular realizada em junho de 2016. Inicialmente previsto para ser concluído em março passado, o Brexit foi adiado duas vezes diante da rejeição do Parlamento ao Tratado de Retirada negociado por May. Johnson chegou ao poder em 24 de julho, com a garantia de que vai tirar o país da UE em 31 de outubro – com, ou sem, acordo. Muitos deputados de todo espectro político temem as consequências de uma saída brutal do bloco, que deixará o país com escassez de alimentos frescos, medicamentos e outros produtos importados, ao mesmo tempo em que o fará perder bilhões de dólares em exportações. Nesta quarta-feira de manhã, a maioria dos jornais britânicos afirmava que Boris Johnson “perdeu o controle” sobre o processo do Brexit.

Estadão Conteúdo

3 de setembro de 2019, 21:25

MUNDO Johnson sofre derrota e Parlamento pode barrar Brexit sem acordo

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, perdeu nesta terça-feira, 3, a maioria no Parlamento em um momento crucial para definir o futuro do Brexit. Como consequência, sofreu uma derrota em plenário, quando os deputados retomaram o controle do processo de saída da União Europeia, o primeiro passo para impedir um Brexit sem acordo. A coalizão governista, formada pelos conservadores e pelo partido unionista da Irlanda do Norte (DUP), tinha uma maioria de apenas uma cadeira na Casa – 322 deputados contra 321 das outras siglas somadas. A cadeira foi perdida enquanto o premiê discursava no Parlamento – o deputado Philip Lee deixou a bancada do Partido Conservador, cruzou o salão e se sentou ao lado dos liberais democratas. Em seguida, a oposição britânica e os rebeldes do Partido Conservador, de Johnson, causaram a ele um grande revés. Por 328 votos contra 301, os parlamentares decidiram retirar do governo o controle da agenda parlamentar para assim poder votar uma lei que o obrigue a pedir um adiamento do Brexit. A lei, a ser votada nesta quarta-feira, força o governo a solicitar uma extensão do Brexit para Bruxelas (prevista para 31 de outubro) caso não se formalize um novo acordo no dia 19 de outubro. Como reação, o premiê prometeu apresentar uma moção pedindo uma antecipação de eleições gerais. Fontes de Downing Street, gabinete oficial de Johnson, disseram à imprensa que o primeiro-ministro está disposto a tentar convocar eleições antecipadas para 14 de outubro. Mas, para isso, ele precisa do apoio de dois terços da Câmara dos Comuns – boa parte da oposição. “Não quero novas eleições, mas se os deputados votarem amanhã (hoje) para forçar outro adiamento inútil do Brexit, então esse será o único modo de resolver isso”, afirmou Johnson. Para a votação de hoje, deputados conservadores rebeldes e da oposição solicitaram ao presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, que aceitasse a realização de um debate extraordinário e desse sinal verde à votação, um mecanismo incomum quando não é tratado de uma iniciativa do governo. Philip Lee, deputado desde 2010, anunciou em comunicado a mudança de partido por estar em desacordo com a postura do governo, que está ‘buscando de forma agressiva um Brexit danoso”, afirmou. O novo partido de Lee, por sua vez, comemorou o aumento da bancada. “Os liberais democratas têm o prazer de anunciar que o deputado Phillip Lee, de Bracknell, se juntou ao partido”, afirmou o partido em comunicado. Apesar de não ter maioria, Johnson ainda é o primeiro-ministro. Ele só sairá do cargo caso o Parlamento aprove um voto de desconfiança contra ele. Quem tem poder para chamar essa votação é o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, mas não há garantia de que ele fará isso. Um Brexit sem acordo faria os britânicos perderem US$ 16 bilhões de exportações para a União Europeia, e vários outros bilhões para outros países – alertou a ONU hoje. Em um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Cnuced), os economistas da ONU indicam que uma perda do acesso preferencial “ao mercado da UE depois de um Brexit sem acordo causaria aos britânicos prejuízos em exportações de, pelo menos, US$ 16 bilhões, o que representa 7% das exportações totais do Reino Unido para o bloco”. Os economistas destacaram que é uma estimativa conservadora, já que os prejuízos devem ser muito mais significativos, devido à introdução de medidas não tarifárias, controles fronteiriços e interrupção das redes de produção existentes entre Reino Unido e UE. Segundo o estudo, os exportadores mais afetados serão os da indústria automotiva, bem como os setores de produtos de origem animal e têxteis.

Estadão Conteúdo

3 de setembro de 2019, 16:01

MUNDO Macri recusa paternidade de moratória e põe culpa na oposição

O governo do presidente Mauricio Macri rejeita a paternidade da moratória parcial da dívida, decretada na semana passada, porém considera que superestimou sua própria capacidade de solução de problemas e que estes pareciam mais simples antes da posse do presidente, em dezembro de 2015. A avaliação, feita pelo entorno do presidente à reportagem, é a de que o mau humor de investidores com o país não se deve à política atual, mas à expectativa de que a oposição deixe de honrar os pagamentos futuros. O governo ainda se justifica com o argumento de que ganhou com uma pequena margem, o que fez com que tivesse de governar com minoria no Congresso. Na semana passada, o governo anunciou que pagará somente 15% da dívida de curto prazo no vencimento e prometeu ainda enviar ao Congresso uma proposta para rever os vencimentos de mais longo prazo, protegidos por leis locais. A previsão inicial era que o texto seria apresentado na sexta passada, mudou para esta quarta (4). Nesta segunda (2), a ideia voltou a ser adiada. Lacunza afirma que prefere chegar a um acordo mais compacto com a oposição antes que se vote esse projeto. Embora tenha adotado medidas que se assemelham às práticas dos peronistas que os antecederam na Casa Rosada, os macristas creem que os investidores sabem distingui-los. Desde as eleições primárias, em 11 de agosto, o dólar escalou e os títulos negociados no exterior atingiram as mínimas históricas. Com a sangria nas reservas, o governo acionou no fim de semana uma série medidas de controle cambial, impondo restrições de empresas e pessoas físicas ao dólar.

Folhapress