12 de novembro de 2018, 16:50

MUNDO Stan Lee, mestre dos quadrinhos, morre aos 95 anos

Foto: Ryan Pfluger/The New York Times

O escritor, editor e executivo da indústria de histórias em quadrinhos americana Stan Lee

O escritor, editor e executivo da indústria de histórias em quadrinhos americana Stan Lee morreu nesta segunda-feira, 12, aos 95 anos. A informação foi divulgada pela sua filha ao site TMZ. Ele chegou a ser levado ao hospital Cedars-Sinai, onde morreu. Veja galeria com 27 aparições de Stan Lee em filmes da Marvel. Nova-iorquino da gema, nascido Stanley Martin Lieber, em 1922, ele foi um dos mais importantes nomes dos quadrinhos por décadas, mas não foi exatamente um quadrinista. Fez história principalmente no nicho dos super-heróis ao escrever argumentos, roteirizar HQs e conceber personagens que viriam a se tornar célebres, como o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e os X-Men. No entanto, Lee começou a carreira, em 1939, como um mero assistente, sem assumir funções criativas. Uma de suas primeiras criações foi o Destroyer (não confundir com o Demolidor, que também foi imaginado por Lee em parceria com Bill Everett), em 1941, mas o herói não obteve o sucesso de suas futuras contribuições. Suas principais obras vieram com a renovação dos quadrinhos nos anos 1950 e 1960, justamente quando Stan Lee estava pensando em mudar de carreira e sua esposa sugeriu que ele contasse as histórias que queria, independente de serem adequadas ou não às fórmulas de super-heróis. Esse conselho coincidiu com a intenção da Marvel de renovar seu rol de personagens, e a partir daí vieram os Vingadores originais, o Doutor Estranho, o Quarteto, os X-Men, entre muitos outros heróis exaltados hoje no cinema. Com a ajuda de Steve Ditko (com quem imaginou o Homem-Aranha) e Jack Kirby (parceiro na criação de Hulk, Thor e Homem de Ferro), Stan Lee deu início à ideia de um universo compartilhado para as histórias dos heróis da Marvel no início da década de 1960, o que culminou em diversas sagas que envolviam heróis diferentes e serviu de base para o universo cinemático em que habitam os filmes da empresa. Ditko morreu em junho, brigado com Lee. Por falar neles, aliás, Stan Lee é o ator que mais estrelou longa-metragens de heróis. Em todas as adaptações cinematográficas de quadrinhos da Marvel, mesmo nas produções da Fox (X-Men, Deadpool) e da Sony (Homem-Aranha), ele faz participações especiais curtas, porém aguardadas pelos fãs. Existe, inclusive, uma teoria não confirmada de que todos os personagens interpretados por Stan Lee no cinema seriam a mesma pessoa. Embora não tenha efetivamente lutado, Stan Lee serviu o exército durante a 2.ª Guerra Mundial (1939-1945), e retornou às atividades quadrinisticas após cumprir as obrigações militares. A função de Stan Lee, intitulada “playwright” (algo como “roteirista”), consistia em escrever e adaptar textos e foi compartilhada no exército americano por pouquíssimos nomes, como o dramaturgo William Saroyan, o cineasta italiano Frank Capra e o também cartunista Theodore Geisel. Por mais que sua contribuição pelos quadrinhos de super-heróis tenha sido voltada quase exclusivamente à Marvel, Stan Lee figura nas páginas de algumas HQs da empresa rival, a DC Comics. Quando seu parceiro de longa data Jack Kirby trabalhou na DC, ele criou Funky Flashman, personagem secundário de Mister Miracle (1972). Sem poderes sobre-humanos ou qualquer passado, Funky foi tido por muitos como uma sátira de Stan Lee, embora essa informação não seja canônica. A atriz Kaley Cuoco, que interpreta Penny na série The Big Bang Theory, lamentou a morte de Stan Lee em suas redes sociais: “Ele deixou sua magnífica marca em nossa série de tantas maneiras e nós estamos eternamente gratos. Eu adorava suas visitas, abraços e fantásticas histórias. Ele era um super-herói épico e eu nunca o esquecerei”, escreveu.

Estadão Conteúdo

11 de novembro de 2018, 11:02

MUNDO Erdogan diz que áudio que prova morte de jornalista foi compartilhado com países

Foto: Reuters

O jornalista saudita Jamal Khashoggi

Uma gravação em áudio que autoridades turcas usaram para concluir que o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado por agentes sauditas foi compartilhado com quatro aliados ocidentais, disse o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aumentando a pressão sobre Riad. Erdogan disse que a gravação, que autoridades turcas disseram captar as vozes de agentes matando o escritor dissidente saudita dentro do consulado do reino em Istambul em 2 de outubro, foi compartilhada com os EUA, Alemanha, França e Reino Unido, além da Arábia Saudita. “Todos eles conhecem as conversas, eles os escutaram”, disse Erdogan aos repórteres no aeroporto de Ancara, antes de seguir para a França, onde se juntou ao presidente americano, Donald Trump, e outros líderes mundiais para as comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial. Esta foi a primeira vez que o próprio Erdogan mencionou a existência da gravação de áudio, que autoridades turcas disseram fornecer informações sobre como os eventos se desenrolavam dentro do consulado. Erdogan está buscando mais apoio dos EUA e de outros aliados ocidentais enquanto pressiona a Arábia Saudita, e altos funcionários, que supostamente ordenaram o assassinato de Khashoggi. O presidente turco deve levantar a questão durante uma possível reunião com Trump na França neste fim de semana. Autoridades sauditas detiveram 18 pessoas supostamente ligadas à operação de assassinato, mas não revelaram os resultados de sua própria investigação. Dois assessores próximos do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman foram demitidos em conexão com o assassinato e agora estão sob investigação criminal na Arábia Saudita. Mas o governo saudita negou que o príncipe Mohammed, o governante do dia-a-dia do reino, tivesse algum conhecimento direto da operação.

Estadão Conteúdo

11 de novembro de 2018, 09:53

MUNDO Líderes se reúnem em cerimônia de 100 anos do fim da 1ª Guerra Mundial

Foto: Francois Mori/AFP

Donald Trump, Vladimir Putin, Angela Merkel e dezenas de monarcas, presidentes e primeiros-ministros participaram da cerimônia

Mais de 7o chefes de Estado e de governo do mundo se reuniram em Paris neste domingo, 11, para as cerimônias do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial. A sessão solene foi realizada sob céu chuvoso no Arco do Triunfo, um dos principais monumentos da capital francesa. O presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente russo Vladimir Putin, a chanceler alemã Angela Merkel e dezenas de monarcas, presidentes e primeiros-ministros da Europa, África, Oriente Médio, juntaram-se ao presidente francês Emmanuel Macron para marcar o momento. “A lição da Grande Guerra não pode ser a do ressentimento entre os povos, nem o passado deve ser esquecido”, disse Macron durante a cerimônia. A cerimônia é a peça central das homenagens globais para homenagear os 10 milhões de soldados que foram mortos durante a guerra de 1914 a 1918, e relembrar o Armistício, acordo assinado no nordeste da França, que entrou em vigor às 11h em 11 de novembro de 1918. O governo brasileiro não enviou representante de Brasília para a maior cerimônia diplomática do ano no mundo. Convidado de honra da França para a Cerimônia, por ter enviado tropas para lutar ao lado dos aliados – embora não tenham participado dos combates –, o Brasil não será representado nem pelo presidente, Michel Temer, nem pelo chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, nas solenidades realizadas neste fim de semana na capital francesa. O governo brasileiro será representado apenas pelo seu embaixador em Paris. Antes da cerimônia, uma manifestante de topless correu em direção à carreata que transportava o presidente dos EUA, Donald Trump, ao longo da Champs-Elysées. Com a frase “falso pacificador” pintada no corpo, a mulher chegou a poucos metros da carreata, o que levantou dúvida sobre a segurança, mas ela acabou sendo detida rapidamente.

Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2018, 10:06

MUNDO Após desentendimento, Trump e Macron se reúnem na França

Foto: Christophe Petit-Tesson/AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da França, Emmanuel Mácron

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e o presidente da França, Emmanuel Mácron estão reunidos neste sábado (10) no Palácio do Eliseu, sede do governo francês. O encontro acontece dentro das cerimônias de celebração do centenário da Primeira Guerra Mundial. Os líderes procuraram difundir as tensões recentes a respeito da criação de um exército próprio para a Europa. Na sexta-feira (9) o presidente norte-americano disse no Twitter que “Mácron sugeriu que a Europa construa suas próprias forças armadas para se proteger dos EUA, da China e da Rússia. Muito insultante, mas talvez a Europa deva primeiro pagar a sua parcela justa da OTAN, que os EUA subsidiam em grande parte!”, referindo-se à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O presidente norte-americano há tempos tem insistido que os parceiros da aliança deveriam pagar mais. No encontro desta manhã, Trump declarou que Mácron “entende que os Estados Unidos sozinho podem fazer muito”, acrescentando que o país está disposto a ajudar. “Estamos nos entendendo do ponto de vita da justiça”, completou. Mácron defendeu seu ponto de vista. “Eu compartilho as opiniões do Presidente Trump de que precisamos de uma carga muito maior de partilha com a OTAN e é por isso que acredito que a minha proposta de criação de uma defesa europeia é totalmente coerente”, afirmou. Ambos também prometeram trabalhar juntos em conflitos na Ucrânia e na Líbia e num roteiro pós-guerra para a Síria. Sobre o desentendimento entre os presidentes, membros da equipe de Mácron disseram que Trump entendeu de forma equivocada os comentários do líder francês. No início desta semana o presidente francês disse, em entrevista para uma rádio local, que a Europa precisa se proteger contra a China, Rússia e até os EUA na questão do ciberespaço. Posteriormente, em outra entrevista, Mácron afirmou que o continente europeu necessita construir sua própria estrutura militar para não depender mais dos EUA para defesa.

Estadão Conteúdo

9 de novembro de 2018, 20:42

MUNDO Suíça envia extratos de esquema que usou o Brasil para enriquecer chavistas

Foto: Divulgação

O ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez

O Tribunal Federal da Suíça informou nesta sexta-feira, 9, a autoridades brasileiras que enviou ao Brasil extratos de contas e documentos de operações que podem ser o elo entre as propinas pagas por empresas brasileiras para a estatal venezuelana PDVSA e a cúpula chavista. A decisão de enviar os documentos para procuradores no Rio Grande do Sul, responsáveis por iniciar as investigações, foi tomada no dia 24 de outubro e tornada pública esta sexta-feira, 9. Na origem do esquema estava a PDVSA Agrícola, braço da gigante do setor de petróleo que expandiu sua atuação para outros setores da economia durante a presidência de Hugo Chávez. Há duas semanas, o Estado revelou que dirigentes chavistas usaram um esquema no Brasil para desviar mais de R$ 80 milhões e parte desses recursos acabaram em contas secretas na Suíça. O esquema envolvia a exportação de insumos e máquinas agrícolas superfaturados para a Venezuela. A diferença de valores foi parar no bolso de diretores de estatais venezuelanas e alimentou pelos menos quatro empresas offshore. A suspeita, porém, é de que a operação no setor agrícola seja apenas uma parcela de um esquema mais amplo da atuação da PDVSA no Brasil, inclusive com construtoras nacionais. Um dos suspeitos nessa aproximação entre as empresas nacionais e a PDVSA é o operador Osvaldo Basteri Rodrigues. Seria ele também quem cobraria as propinas que, em seguida, eram distribuídas à chefia da estatal. Os detalhes de suas contas na Suíça estarão à disposição dos procuradores brasileiros, que poderão examinar quem pagou e para onde foi o dinheiro. Investigadores envolvidos no caso confirmaram ao Estado que a Odebrecht foi uma das empresas citadas como tendo sido procurada por Rodrigues. O projeto envolvia uma oferta da Venezuela para que a empresa brasileira construísse usinas de etanol no país vizinho. Em 2007, Havana e Caracas fecharam um acordo para construir 11 usinas de etanol na Venezuela, mas a cooperação não deu resultados e a empresa brasileira foi procurada para completar as obras. A Odebrecht se recusou a comentar o caso. Em 2007, os governos de Cuba e da Venezuela fecharam um acordo para construir onze usinas de etanol no país de Hugo Chavez. Um ano antes, o então líder venezuelano havia criado a Etanol de Venezuela, com o objetivo de plantar 300 mil hectares de cana. Mas a cooperação entre Havana e Caracas não daria resultados e empresa brasileira foi procurada para completar as obras. Procurada, a Odebrecht se recusou a comentar a informação e nem mesmo sua relação com Rodrigues. De acordo com documentos obtidos pelo Estado, em abri de 2018, “o Procurador-Geral da Suíça autorizou a transmissão a documentação” de Rodrigues ao Brasil. Mas um recurso foi apresentado pela defesa dos suspeitos, tentando impedir a colaboração. Eles alegavam que o caso precisa ser “suspenso” e que a cooperação deveria ser rejeitada diante da falta de provas. No final do mês passado, porém, o Tribunal julgou que “o recurso era inadmissível”. Ao Estado, o Departamento de Polícia do Escritório Federal de Justiça da Suíça confirmou que os dados das contas de Rodrigues foram repassados ao Brasil. “Em uma carta datada em 7 de novembro de 2018, o Escritório Federal de Justiça enviou os documentos às autoridades brasileiras”, indicou um comunicado do governo suíço. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

4 de novembro de 2018, 10:15

MUNDO Trump enfrentará seu maior teste em eleições legislativas

Foto: Divulgação

Donald Trump

Nesta terça-feira (6), os americanos votarão nas eleições de meio de mandato, definindo a renovação da Câmara, de um terço do Senado e de 36 dos 50 governadores. Para além de uma disputa interna, a votação é considerada um referendo de aprovação – ou reprovação – do governo de Donald Trump. Na reta final, o presidente intensificou sua participação na campanha do partido para conter uma onda democrata. Hoje, as duas Casas são comandadas pelos republicanos, mas o partido corre o risco de perder a maioria na Câmara dos Deputados – no Senado, a situação é mais confortável. “As eleições presidenciais costumam ser um olhar para o futuro, enquanto as de meio de mandato são um referendo do passado”, afirma Gary Nordlinger, da Escola de Gestão Política da George Washington University. O fator Trump é levado em conta por seis em cada dez americanos, segundo pesquisa do Pew Research. Segundo o instituto, 37% dos eleitores dizem que a eleição será um voto contra Trump, enquanto 23% consideram votar em favor do presidente. Trump tem trabalhado como cabo eleitoral em uma agenda marcada por viagens para defender até críticos dentro do partido, como Ted Cruz, do Texas. Os americanos renovarão todos os deputados – que têm mandato de dois anos nos EUA – e 35 dos 100 senadores. Trump admitiu a possibilidade de perder a maioria na Câmara dos Deputados na sexta-feira. “Pode acontecer, pode acontecer. Nós estamos indo muito bem no Senado, mas pode acontecer”, disse Trump, em campanha na Virginia Ocidental. Os democratas precisam conquistar 23 cadeiras a mais do que os republicanos para conseguir a maioria da Câmara. À CNN, a deputada democrata Nancy Pelosi se disse confiante no último fim de semana antes da disputa. “Até outro dia, eu diria que ‘se as eleições fossem hoje, nós poderíamos ganhar’. Agora, o que estou dizendo é ‘nós vamos ganhar’.” Manter a maioria no Senado dá segurança ao mandato de Trump, já que um eventual pedido de impeachment precisaria da aprovação dos senadores, após análise na Câmara. No entanto, perder a maior parte da Câmara para a oposição não é boa notícia, já que os democratas passarão a assumir as comissões na Casa e comandariam investigações contra o republicano – que está na mira da Justiça em razão de um possível conluio com os russos para interferir na campanha eleitoral de 2016.

Estadão

4 de novembro de 2018, 08:30

MUNDO União Europeia quer fechar acordo com Mercosul antes da posse de Bolsonaro

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Mercosul, o deputado português Francisco Assis

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia – em negociação há quase 20 anos, mas já na reta final – ganhou um novo impulso após as declarações da equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro de que o bloco sul-americano não será prioridade no novo governo. A intenção, segundo o presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Mercosul, o deputado português Francisco Assis, é tentar fechar algum tipo de entendimento comercial ainda durante o governo de Michel Temer. “Estamos preocupados”, disse. “Há uma enorme incógnita sobre qual será o futuro do Mercosul e, portanto, sobre como ocorrerá essa relação de negociação com a União Europeia.” Segundo ele, o Mercosul entregou uma proposta aos europeus no dia 24 de outubro. “Haverá uma tentativa por parte da UE de fazer uma contraproposta”, disse. A negociação com o Mercosul entrou na pauta da reunião da UE da próxima quarta-feira, com a comissária de comércio exterior do bloco, a sueca Cecilia Malmström. O acordo, se confirmado, será o mais importante já assinado pelo bloco europeu. Para levá-lo adiante, no entanto, é preciso vencer resistências dentro da própria União Europeia, já que grupos protecionistas fazem pressão para adiar o acordo. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro defendeu acordos bilaterais com países desenvolvidos e criticou a política externa dos governos do PT, que deram prioridade a acordos com países africanos, sul-americanos e asiáticos. Na primeira entrevista após o resultado do segundo turno, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a criação do Mercosul foi ideológica e que o bloco não seria prioridade. Na visão de especialistas em relações internacionais, a ênfase nos acordos bilaterais pode significar uma mudança na tradição diplomática brasileira do multilateralismo. “No fundo, isso faz sentido. Um dos motivos que atrapalham o desfecho nas negociações por livre comércio entre Mercosul e União Europeia é que, quando o Brasil avança, a Argentina recua”, diz Joaquim Racy, professor de economia da PUC-SP. Na Europa, existem duas preocupações com o novo posicionamento, que inclui uma aproximação com os Estados Unidos: a substituição de produtos europeus por bens americanos, que entrariam no Brasil em melhores condições; e o fim de um equilíbrio geopolítico na América Latina entre os interesses americanos e europeus. A China já pressiona Bolsonaro pela manutenção do atual acordo comercial e alertou, em editorial, que a economia brasileira sofrerá com eventual rompimento com Pequim. A última rodada de negociações entre Mercosul e UE, em setembro, foi interrompida sem que os dois lados chegassem a uma conclusão sobre tarifas para produtos agrícolas e industriais, como a carne bovina sul-americana e os laticínios europeus. Procurado, o Itamaraty não se manifestou.

Estadão

3 de novembro de 2018, 13:00

MUNDO Faculdades portuguesas exigem nota mais baixa no Enem do que brasileiras

Sem conseguir ser aprovada em Engenharia nas Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), Ana Marcela Costa, de 18 anos, já pensava em fazer cursinho pré-vestibular para mais uma tentativa. Por sugestão da irmã mais velha, aproveitou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para tentar uma vaga em Portugal e, para sua surpresa, foi aprovada em uma das mais renomadas instituições do país, a Universidade do Porto. Com universidades tradicionais e reconhecidas mundialmente e custo de vida atrativo, Portugal tem atraído cada vez mais jovens para a graduação. A seleção com uso da nota do Enem e a exigência de pontuação mais baixa do que muitas universidades brasileiras têm facilitado essa migração. Para alunos e educadores, o cenário é reflexo da falta de informações sobre o processo e o custo, já que, mesmo públicas, as instituições portuguesas cobram taxa de anuidade. “Fiz o Enem, mas não tinha cogitado vir para Portugal quando estava no ensino médio. Fui aprovada na UFRJ (federal do Rio de Janeiro), mas meu pai achou (a cidade) perigosa. Foi uma surpresa boa a aprovação aqui”, conta Ana Marcela, que está no 2.º ano de Engenharia Eletrotécnica. Para entrar na Universidade do Porto, a estudante paulista precisava de uma nota mínima de 120 pontos na escala portuguesa, o que corresponde a 600 no Enem. Para a UFRJ, por exemplo, a nota de corte para o curso de Engenharia Eletrônica foi de 770 no ano passado. Além da prova, as instituições portuguesas também avaliam o histórico escolar dos candidatos. O Enem passou a ser utilizado como seleção pelas instituições portuguesas em 2014 e 1,2 mil brasileiros já foram aprovados para estudar no país europeu. Neste ano, são 35 universidades que adotam o exame. “Muitos jovens querem estudar fora do Brasil pela qualidade dos cursos e a experiência de uma nova cultura, uma troca com outras nacionalidades. Mas, para muitos, ainda parece uma realidade distante”, diz Edmilson Motta, coordenador do Colégio Etapa. Para ele, a baixa procura faz com que a pontuação necessária para a aprovação não seja tão alta. “Um aluno que consegue 600 pontos no Enem está competitivo para as vagas de lá. Aqui, nem tanto.” Em Direito, por exemplo, um dos cursos mais concorridos no Brasil, a nota de corte mínima do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no ano passado foi de 676 pontos, na Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Para estudar nas universidades de Lisboa, Porto ou de Algarve, a nota exigida é 600. “A medida em que os alunos enxergarem Portugal como uma possibilidade, a tendência é que essa nota mínima deixe de ser um pré-requisito e seja necessário um desempenho maior para a aprovação”, diz Carlson Toledo, diretor do Colégio Porto Seguro.

Estadão

27 de outubro de 2018, 18:01

MUNDO Ex-presidente uruguaio, José Mujica, liga Bolsonaro a Hitler

Foto: Jorge Melo/RPC

O ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica

O ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica divulgou um vídeo em que diz que está “preocupado” com o futuro do Brasil. Ele disse — em clara referência ao pleito deste domingo — que Adolf Hitler também chegou ao poder da Alemanha pelo voto popular. “Os seres humanos têm pouca memória. Ao querer mudar, pode-se mudar para o pior”. As informações são do site O Antagonista.

27 de outubro de 2018, 14:41

MUNDO Trump volta a defender pena de morte ao comentar sobre atirador em Pittsburgh

Foto: EFE/MIchael Reynolds

Donald Trump

Em rápido pronunciamento à imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a pena de morte e o endurecimento das leis no país ao comentar a ação de um atirador em Pittsburgh. Na avaliação de Trump, deveria haver algum tipo de proteção na sinagoga. “Se houve um policial presente na sinagoga o atirador poderia ter sido rendido”, afirmou. Porém, questionado se a solução seria colocar forças policiais em templos religiosos, desconversou. Para Trump, o ataque tem pouco a ver com as leis sobre porte de arma no país, mas suscita o debate sobre legalização da pena de morte. “Nós deveríamos endurecer as leis para a pena de morte. É muito triste ver isso acontecer de novo, e se repetir, é terrível, é uma pena”, afirmou. Segundo fontes oficiais, ao menos quatro pessoas morreram e 12 ficaram feridas, incluindo três policiais, com a ação de um atirador nesta manhã na região da sinagoga “Árvore da Vida” em Squirrel Hill, na cidade de Pittsburgh. Um suspeito foi preso. Há muitos policiais na região e a orientação para os moradoras na área é para ficar em casa. No local, há policiamento ostensivo, inclusive com a S.W.A.T, e várias ambulâncias para atender as “múltiplas” vítimas.

Estadão

24 de outubro de 2018, 17:25

MUNDO Violência política ‘não tem lugar nos EUA’, diz Trump sobre ameaça a opositores

Foto: Estadão/Reprodução

O presidente americano, Donald Trump

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 24, que a violência política “não tem lugar nos Estados Unidos”, depois que as autoridades informaram ter interceptado pacotes suspeitos de conter explosivos, enviados a personalidades, como os democratas Barack Obama, ex-presidente, e Hillary Clinton, ex-adversária de Trump na corrida presidencial de 2016. Quero dizer que, nestes tempos, temos de nos unir e enviar uma só mensagem clara e contundente de que os atos de violência política não têm lugar nos Estados Unidos”, afirmou Trump. O presidente americano afirmou que o seu governo não poupará esforços para levar à Justiça as pessoas por trás dos aparelhos e pacotes suspeitos. “Enquanto falamos, os pacotes suspeitos estão sendo inspecionados por agentes federais”, revelou o republicano em um evento na Casa Branca sobre a crise de opiáceos no país. Trump comentou estar “irritado” com os atos desta manhã e prometeu “chegar ao fundo” do que esteja por trás das remessas suspeitas. Antes de o presidente subir ao púlpito, a primeira-dama, Melania, também se pronunciou, “condenando fortemente todos aqueles que escolhem a violência”, após citar os ataques aos Clinton e aos Obama bem como a autoridades públicas e organizações. Mais cedo, Hillary também havia pedido união ao comentar pela primeira vez a intercepção de artefatos explosivos dirigidos a ela. Na sua avaliação, o país passa por um período “preocupante”. “Vivemos tempos de profundas divisões e temos de fazer tudo o que possamos para unir nosso país”, ressaltou Hillary em um ato eleitoral em Miami para apoiar Donna Shalala, candidata democrata à Câmara dos Deputados, que também recebeu pacotes suspeitos, mas que, segundo a polícia, eram alarme falso. Hillary agradeceu ao Serviço Secreto por ter interceptado os pacotes suspeitos que também foram dirigidos a outras figuras do Partido Democrata, como Obama em Washington e à congressista Debbie Wasserman Schultz na Flórida. “Todos os dias agredecemos ao Serviço Secreto. Estamos bem graças a ele”, afirmou. Em seguida, brincou ao falar dos seus netos, “os mais fabulosos do mundo inteiro”, e se deteve para expressar a grande “preocupação” que lhe causa a “direção que tomou” o país.

Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2018, 18:22

MUNDO Partes do corpo de jornalista são achadas em casa de cônsul, diz TV

Foto: TRT World/Reuters

Jamal Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul no dia 2 de outubro e não saiu mais

Partes do corpo do jornalista assassinado Jamal Khashoggi foram encontradas, segundo noticiou nesta terça-feira, 23, a TV britânica Sky News, citando duas fontes que não foram identificadas. Elas detalharam à emissora que o corpo do jornalista foi desmembrado e seu rosto, desfigurado. Uma das fontes afirmou que partes do corpo foram encontradas no jardim da casa do cônsul-geral, localizada a cerca de 500 metros do consulado. Riad admitiu na sexta-feira que o jornalista foi morto durante uma briga dentro do seu consulado em Istambul, no dia 2. No entanto, seu corpo ainda não foi encontrado. A versão contradiz a explicação dada por fontes oficiais sauditas de que o corpo foi enrolado em um tapete e entregue a um “colaborador local”, encarregado de se desfazer dele, segundo a Sky News. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, foi o primeiro político a descrever a morte de Khashoggi como um assassinato, acrescentando que ela foi premeditada e planejada por dias. Em um discurso nesta terça-feira no Parlamento, Erdogan exigiu que a Arábia Saudita faça justiça e puna os responsáveis e questionou: “Por que o corpo de alguém que oficialmente está morto ainda não foi encontrado?”.

Estadão Conteúdo

22 de outubro de 2018, 18:05

MUNDO Editorial do New York Times sobre Bolsonaro: ‘Triste escolha do Brasil’

Foto: Fábio Motta/Estadão

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro

Em editorial, o jornal The New York Times lamentou a escolha dos eleitores brasileiros pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL), que lidera com ampla margem sobre seu adversário Fernando Haddad (PT) as intenções de voto para o segundo turno das eleições 2018, que acontece no próximo domingo (28). Para o NYT, Bolsonaro tem pontos de vista repulsivos. O jornal cita como exemplo suas declarações sobre preferir ter um filho morto do que gay; ou que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não mereceria ser estuprada por ser “muito feia”; ou sua “nostalgia” pelos generais e torturadores do regime militar. O texto também compara o candidato do PSL a Donald Trump e diz que o meio ambiente será um dos “derrotados”. “O senhor Bolsonaro prometeu desfazer diversos acordos de proteção às florestas tropicais para abrir mais espaço para o poderoso agronegócio brasileiro. Ele cogitou retirar o país do acordo climático de Paris, acabar com o Ministério do Meio Ambiente e impedir a criação de novas reservas indígenas – tudo isso em um país recentemente elogiado por sua liderança na proteção ao meio ambiente”. O editorial também faz um paralelo entre a crise política e econômica e a ascensão do capitão da reserva. “As opiniões grosseiras do senhor Bolsonaro são interpretadas como fraqueza. Sua obscura carreira no Congresso o faz surgir como o ‘novo’, que vai limpar a casa e sua promessa de punhos de ferro são a esperança para a média recorde de 175 homicídios por dia no último ano”. Ao final, o NYT conclui: “A escolha pertence aos brasileiros. Mas é um triste dia para a democracia quando desordem e decepção levam os eleitores à distração e a abrir a porta a populistas ofensivos, cruéis e agressivos”, completou a publicação. As informações são da revista Veja.

22 de outubro de 2018, 11:35

MUNDO Trump anuncia corte da ajuda a Guatemala, Honduras e El Salvador

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje (22) que começará a “cortar ou reduzir substancialmente” a enorme ajuda externa que Washington fornece de maneira “rotineira” a Guatemala, Honduras e El Salvador depois que os governos desses países não conseguiram “impedir” a saída da caravana de imigrantes. “Guatemala, Honduras e El Salvador não foram capazes de fazer o trabalho de impedir que as pessoas saíssem de seus países e viessem de maneira ilegal aos EUA. Começaremos agora a cortar ou reduzir substancialmente a enorme ajuda estrangeira que lhes proporcionamos de forma rotineira”, afirmou Trump na sua conta do Twitter. A reação do presidente norte-americano ocorre no momento em que milhares de centro-americanos, especialmente crianças e mulheres, tentam sair de seus países rumo ao México e aos Estados Unidos. Com informações da Agência EFE

Agência Brasil