21 de janeiro de 2019, 22:01

MUNDO Paralisação nos EUA provoca fila nos principais aeroportos do país

Foto: Reuters

Longas filas foram formadas nos aeroportos dos EUA pela falta de pessoal

O número de trabalhadores de segurança dos aeroportos americanos a não comparecer no trabalho no fim de semana em razão da paralisação do governo bateu recorde, sobrecarregando e causando longas filas nos pontos de checagem de alguns dos maiores aeroportos dos EUA. O número de faltas foi de 8% dos funcionários, enquanto que no ano passado, no mesmo período, ele foi de 3%. Nesta terça-feira, o Senado americano deve votar a proposta apresentada pelo presidente Donald Trump no sábado para destravar o impasse sobre o orçamento americano, que já dura mais de mês. Ele propôs aos democratas uma extensão da proteção temporária a jovens imigrantes levados pequenos pelos pais aos EUA e para refugiados que fogem de zonas afetadas por desastres. Em troca, quer US$ 5,7 bilhões para financiar a construção de um muro na fronteira com o México. Líderes democratas, que detêm a maioria na Câmara, já disseram que vetarão a proposta. A Administração de Segurança do Transporte (TSA, na sigla em inglês) admitiu que muitos de seus trabalhadores não estão conseguindo lidar com a dificuldade de se trabalhar sem receber pagamento. Como consequência, longas filas foram formadas em Nova York, Atlanta, Chicago e Miami. Pontos de checagem de vários aeroportos já vinham operando em plano de contingência. O porta-voz do TSA, Michael Bilello, disse que a agência enviou agentes especiais para ajudar no trabalho dos pontos de checagem. Esses agentes, normalmente, são requisitados quando há eventos como o Super Bowl ou em caso de crises como a passagem de grandes furacões. Segundo o porta-voz, todos os agentes especiais disponíveis foram mandados para os aeroportos e a agência deve contratar mais deles. “Mas a capacidade da TSA ainda é limitada e, se for preciso, fechará mais pontos de checagem para garantir a segurança”. O professor de aviação da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle Brent Bowen explicou que pedir para que os servidores do TSA continuem trabalhando sem receber pode ter um impacto inevitável. “Não podemos esperar que qualquer grupo de pessoas trabalhe indefinidamente sem receber”, disse Bowen. “Isso os afeta moralmente. Eles estão preocupados com suas famílias. Quando isso acontece, você não pode focar no seu trabalho como faria em uma circunstância normal”. O especialista e co-presidente de um grupo de aviação da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina disse que os agentes da TSA têm um trabalho vital a desempenhar que, ao lado dos servidores da Administração Federal de Aviação, tem sido perigosamente afetado pela paralisação. Para ele, o país está “brincando com fogo”. Apesar do número recorde de faltas entre funcionários dos pontos de checagem em aeroportos no sábado, a agência disse que virtualmente todos os 1,6 milhão de passageiros selecionados foram entrevistados dentro do padrão de 30 minutos da agência e cerca de 94% foi liberados em 15 minutos ou menos.

Estadão Conteúdo

21 de janeiro de 2019, 14:25

MUNDO Militares são presos na Venezuela por se rebelarem contra o governo

As Forças Armadas da Venezuela anunciaram hoje (20) a captura e prisão de um grupo de soldados que se rebelou contra o governo. Segundo os oficiais, será aplicada a “força da lei”. Em comunicado, os militares informam que os “rebeldes” eram oficiais da Guarda Nacional Bolivariana e são suspeitos de roubar um lote de armas de guerra e sequestro de quatro agentes. De acordo com o texto oficial, o grupo era ligado ao Comando Área 43 da Guarda Nacional Bolivariana, no município de Sucre, estado de Miranda. Os homens são chamados de “assaltantes”. Para os oficiais, o grupo atuou seguindo “interesses escusos da direita extrema”. O comunicado não menciona nomes de quem poderia estar por trás da ação. “A Força Armada Nacional Bolivariana rejeita categoricamente este tipo de ato, com toda segurança, motivado por interesses escusos da direita extrema e contrário às regras elementares da disciplina militar.” A reação ocorre menos de uma semana depois de a Assembleia Nacional Constituinte, o Parlamento da Venezuela, que é de maioria de oposição, anunciar anistia a militares e civis que se manifestarem contrários ao governo de Nicolás Maduro. De acordo com um comunicado das Forças Armadas, os suspeitos foram entregues na sede da Segurança Especial Unidade Waraira Repano .

Agência Brasil

20 de janeiro de 2019, 12:15

MUNDO Forte terremoto atinge região litorânea do Chile e deixa dois mortos

Um terremoto de magnitude 6,7 atingiu o litoral do Chile e deixou dois mortos na noite de sábado. O Escritório Nacional de Emergência (ONEMI, em espanhol) confirmou que as duas pessoas morreram de paradas cardiorrespiratórias. O terreomoto atingiu principalmente a região de Coquimbo, mas também foi sentido entre Atacama e O’Higgins, incluindo a capital Santiago. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, da sigla em inglês), o tremor ocorreu por volta das 22h30 (23h30 em Brasília) e teve epicentro a 13 quilômetros ao leste da cidade de Tongoy, na região central de Coquimbo, que fica a 400 quilômetros ao norte de Santiago. O tremor teve profundidade de 53 quilômetros e gerou réplicas. O Centro Nacional de Sismologia da Universidade do Chile informou que houve mais de 60 tremores secundários na região de Coquimbo, até 4,7 de magnitude. Quanto aos suprimentos básicos, uma falha em uma subestação de energia deixou 232 mil pessoas sem eletricidade em La Serena, Coquimbo, Vicuña, Andacollo, Ovalle, Punitaqui, Combarbalá e Monte Patria, de acordo com o jornal La Nación.

Estadão Conteúdo

20 de janeiro de 2019, 11:30

MUNDO Brasil expressa condolências às famílias das vítimas no México

Foto: Veronica Monroy/Reuters/Direitos Reservados

Até o momento, o número de mortos é de 74 pessoas e o de feridos, de 73

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota hoje (19) em que lamenta a explosão de um oleoduto da empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) na cidade de Tlahueplilpan, no estado de Hidalgo, que deixou mortos e feridos. “O governo brasileiro tomou conhecimento, com profundo pesar, da explosão em uma tubulação de combustível no município de Tlahuelilpan, no estado de Hidalgo, no México, que deixou dezenas de mortos e feridos”, diz a nota do Itamaraty. “O governo brasileiro expressa suas condolências às famílias das vítimas e sua solidariedade ao povo e ao governo mexicano”. Até o momento, o número de mortos é de 74 pessoas e o de feridos, de 73 a maioria com queimaduras. Entre os feridos, já transferidos para diversos hospitais de Hidalgo e de outros estados, há sete adolescentes e um garoto de 12 anos.

Agência Brasil

20 de janeiro de 2019, 10:58

MUNDO Chega a 73 o número de mortos em explosão no México; feridos somam 74

Pelo balanço mais recente das autoridades mexicanas, subiu para 73 o número de mortos na explosão de um oleoduto da empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) na cidade de Tlahueplilpan, no estado de Hidalgo. Segundo os dados, 74 pessoas ficaram feridas, a maioria por queimaduras graves. A explosão ocorreu no momento em que várias pessoas tentavam furtar combustível de dutos. A suspeita é que o acidente foi motivado pela perfuração dos dutos. Havia mulheres e crianças no local. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, e o governador de Hidalgo, Omar Fayad, concederam entrevista à imprensa conjunta. Obrador disse que há 59 órgãos do governo acompanhando o caso e mais de 300 pessoas envolvidas. Segundo o presidente, as buscas vão continuar. Ele apelou para que a comunidade tenha “calma e tranquilidade”, pois ainda há desaparecidos no local. De acordo com o governador, dos feridos, 24 pessoas são tratadas nos hospitais de Hidalgo, enquanto 50 foram transferidas para hospitais na Cidade do México, Estado do México, Querétaro e Guanajuato. Omar Fayad considera ainda a possibilidade de transferência de crianças e adolescentes feridos para um hospital em Houston, Texas, nos Estados Unidos. O furto de combustíveis no México se tornou um problema nacional. Na semana passada, o presidente da República concedeu entrevista na qual detalhou um plano de governo para combater este tipo de crime.

Agência Brasil

20 de janeiro de 2019, 10:43

MUNDO Oposição a Maduro negocia com EUA sanção à Venezuela

Um representante do Tesouro dos EUA esteve reunido nesta semana com líderes da oposição venezuelana em Brasília para negociar sanções contra a Venezuela. A informação foi revelada ao Estado pelo ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, que esteve na reunião. A discussão deve continuar em Davos, onde seis presidentes latino-americanos debaterão a crise a partir de terça-feira. Segundo Ledezma, a ideia de asfixiar o regime ganhou forma no início de janeiro, quando o Grupo de Lima – aliança de países da região formada para pressionar a Venezuela – chegou a um entendimento de que algumas medidas poderiam ser aplicadas. “Agora, é uma questão de avaliar como cada governo pode realizar isso”, disse o opositor. Ledezma fugiu da Venezuela em novembro de 2017, passou pela Colômbia e se refugiou na Espanha. Seu trajeto é mantido em sigilo, mas ele garante que foi ajudado por “militares venezuelanos e por um terço” que até hoje leva consigo. Ele admitiu que chegou a planejar uma fuga por Roraima, mas optou pela fronteira com a Colômbia. Ledezma revelou que, em Brasília, o grupo de opositores venezuelanos esteve reunido com o presidente do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), o americano Marshall Billingslea. Além de chefiar a instituição, Billingslea comanda a Secretaria de Crimes Financeiros e Financiamento do Terrorismo, ligada ao Departamento do Tesouro dos EUA. “As sanções estão na agenda”, disse Ledezma, que indicou que espera que o governo brasileiro siga a mesma orientação. Ao Estado, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, indicou que, por enquanto, não há uma ordem do presidente Jair Bolsonaro para aplicar sanções, mas o Brasil não descarta medidas duras no futuro. “Dependendo de como será a evolução nos próximos meses, pode não apenas ter gestos de apoio, mas adotar outras medidas”, afirmou Lorenzoni. Ledezma acredita que os governos latino-americanos estão buscando uma “forma constitucional” de colocar em andamento essas sanções. Segundo ele, a oposição venezuelana aposta nos brasileiros para acelerar a transição. “O Brasil busca um papel destacado na solução da crise. Vemos o presidente Bolsonaro como um homem que está cumprindo o que prometeu durante a campanha eleitoral”, afirmou.

Estadão

19 de janeiro de 2019, 09:28

MUNDO Explosão de oleoduto no México deixa pelo menos 20 mortos

Pelo menos 20 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas com a explosão de um oleoduto da empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) na cidade de Tlahueplilpan, no estado de Hidalgo, México. Em nota, a petrolífera informou que a explosão se seguiu a um incêndio provocado por um vazamento no duto Tuxpan-Tula e que as pessoas mortas e feridas tentavam recolher para si parte do combustível que vazou. A explosão ocorreu no fim da tarde desta sexta-feira (18). As autoridades locais acionaram o plano de emergência, pedindo à população que seguisse as instruções de segurança e evacuando as proximidades. Os feridos com queimaduras mais graves foram transportados para hospitais da Cidade do México, a cerca de 100 quilômetros de distância. Funcionários treinados da empresa estatal auxiliaram os bombeiros e as equipes de segurança no combate ao fogo e atendimento aos moradores de Tlahuelilpan afetados pelo incêndio. Pelo menos 11 ambulâncias e 15 médicos foram enviados para o local, além de equipes técnicas e veículos de outras unidades da Pemex. No Twitter, o presidente do México, López Obrador, lamentou a “grave situação”, informando que, tão logo foi informado da explosão do duto, deu instruções para que todos os esforços fossem empenhados para controlar o fogo e atender às vítimas e suas famílias. “Convoco todo o governo a prestar auxílio à população local”, escreveu Obrador pouco antes de seguir para Tlahuelilpan a fim de visitar o local do incêndio.

Agência Brasil

16 de janeiro de 2019, 18:00

MUNDO Papa pede a bispos que evitem esconder casos de abusos contra crianças

O papa Francisco vai pedir aos bispos de todos os países, que participarão do encontro “A proteção dos menores na Igreja”, de 21 a 24 de fevereiro, em Roma, que não tolerem abusos contra crianças. Ele adiantou hoje (16) que “nenhum caso” deve ser “encoberto ou sepultado”. A reação ocorre no momento que vem à tona uma série de denúncias de assédio, abusos e violência sexual cometidos por religiosos contra meninos e meninas. O porta-voz interino do Vaticano, Alessandro Gisotti, disse que o papa Francisco quer uma ação integrada dos bispos para “prevenir e combater o drama global do abuso infantil “. “Um problema global só pode lidar com uma resposta global”. “Para o Papa Francisco, é essencial que quando os bispos retornem a seus países, estejam cientes das regras a serem aplicadas e cumpram as medidas necessárias para evitar abusos, proteger as vítimas e que nenhum caso é escondido ou enterrado “, disse o porta-voz. Nesta quarta-feira (16), o papa recebeu a comissão organizadora do encontro, e transmitiu sua mensagem. No encontro no próximo mês, haverá sessões plenárias, grupos de trabalho, momentos comuns de oração com a escuta de testemunhos, uma liturgia penitencial e uma celebração eucarística final. Alessandro Gisotti ressaltou que há 15 anos a Igreja Católica Apostólica Romana responde às denúncias que são encaminhadas e envolvem religiosos. Segundo ele, o encontro de fevereiro será “uma jornada dolorosa”.

Agência Brasil

16 de janeiro de 2019, 17:51

MUNDO Parlamento britânico mantém May no cargo apesar de derrota no Brexit

Foto: Reprodução

A primeira-ministra britânica, Theresa May

O Parlamento britânico manteve a primeira-ministra Theresa May no cargo nesta quarta-feira, 16, apesar da histórica derrota na votação do acordo do Brexit no dia anterior. Após a derrota, May prometeu se reunir com a oposição para conseguir os votos necessários para o Brexit. Os partidos opositores, por sua vez, condicionaram esse apoio à garantia de que não haverá uma saída da União Europeia sem acordo. O Partido Trabalhista, do opositor Jeremy Corbyn, não conseguiu os votos suficientes para tirar May do cargo e ela manteve-se à frente da chefia de governo por 325 votos a 306. Após a vitória, May prometeu continuar os esforços de aprovar o acordo do Brexit e convidou os partidos da oposição para encontros pessoais, que começariam esta noite, para discutir possíveis emendas ao pacto. “Estou pronta para trabalhar com todos os membros do Parlamento para concluir o Brexit”, disse. Corbyn, por sua vez, pediu que May evite um Brexit sem acordo com a União Europeia em qualquer cenário futuro. O Partido Nacionalista Escocês foi além e pediu que o prazo para a saída do bloco, que vence em 29 de março, seja ampliado para evitar o Brexit sem acordo. A mesma posição foi exposta pelo Partido Liberal Democrata e pelos nacionalistas galeses. Antes da votação, o Parlamento parecia dividido em três correntes, nenhuma majoritária. Cerca de um terço dos deputados do partido de May, o Conservador, apoia o acordo que ela fechou com a UE. Contra a premiê está a oposição, que defende um novo referendo do Brexit, e uma facção no próprio partido de May, que quer deixar a UE sem nenhum acordo. O acordo que May negociou com a União Europeia nos últimos dois anos foi rejeitado por 432 votos a 202.

Estadão Conteúdo

15 de janeiro de 2019, 20:24

MUNDO Davos testa discurso ‘anti-globalista’ de Bolsonaro

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro

Meca da globalização, Davos testa o tom anti-globalista atribuído ao governo de Jair Bolsonaro. A partir da semana que vem, o Fórum Econômico Mundial recebe a elite das finanças do planeta, 70 governos, líderes de diversos setores e será o palco da estreia internacional do novo presidente. Davos também será a estreia internacional de Bolsonaro. A delegação brasileira viaja dia 21 e ainda é composta pelo filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, pelo chanceler Ernesto Araújo, pelo ministro da Fazenda, Paulo Guedes, e pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. “Ele (Bolsonaro) será muito bem-vindo para comunidade global”, disse Klaus Schwab, fundador do Fórum. “Claro, a comunidade global está muito curiosa para ouvi-lo”, afirmou. Questionado se ele não teria valores contrários ao de Davos, o executivo minimizou. “Veremos. O que significa ser anti-global? Ele também tem de trabalhar num cenário global. Caso contrário, não viria para Davos”, apontou. Desde que o governo assumiu, medidas foram adotadas no Brasil que destoaram da tradição diplomática do País. O Brasil deixou o acordo de migração da ONU, questiona a existência de mudanças climáticas e passou a criar uma secretaria de Soberania no Itamaraty, enquanto o chanceler Ernesto Araújo prolifera textos em que aponta para um alinhamento com os EUA e tece críticas ao globalismo. O ministro, em seu discurso de posse, definiu o termo como “o ódio, através das suas várias ramificações ideológicas e seus instrumentos contrários à nação, contrários à natureza humana, e contrários ao próprio nascimento humano”. Schwab, em seu discurso nesta terça-feira para apresentar a edição de 2019 de Davos, também criticou o globalismo. Mas o definiu de uma forma diferente daquela feita pelo governo Bolsonaro. “Temos que diferenciar entre globalização e globalismo”, disse. “A globalização vai continuar, já o globalismo é apenas uma ideologia que tudo o que fazemos deve se submeter às leis do mercado. Nunca acreditamos nisso e eu, no passado, já alertei que isso não era sustentável”, declarou. No fundo, o que Schwab deseja que Davos se transforme é justamente na antítese defendida por alguns setores do governo brasileiro: cooperativo, mutilateral, com atores privados e sociedade civil e plural. O Fórum, porém, sabe que esse modelo está sob ataque e que eleições recentes tem colocado no poder líderes que questionam essa onda. “Temos de definir uma nova globalização, mais inclusiva”, defendeu Schwab. “Ela gera perdedores e ganhadores. Tivemos, de uma forma geral, mais ganhadores que perdedores. Mas agora temos de ir atrás daqueles que perderam. Ela precisa ser mais sustentável, num mundo de maior colaboração e mais inclusivo”, insistiu. Schwab também apontou para uma direção diferente do tom da nova diplomacia brasileira. “Estamos indo de um mundo unipolar para multipolar”, insistiu. “Precisamos entender o outro num mundo em que não compartilhamos valores, mas compartilhamos interesses”, disse. Com 3,2 mil participantes e 70 chefes de estado, Davos tem um objetivo ambicioso: moldar a agenda futura da globalização. “Esse é o evento mais completo do mundo”, defendeu o executivo, fazendo questão de reforçar a ideia de interdependência e multilateralismo. Entre os temas do ano em Davos estará o combate às mudanças climáticas, a busca de soluções comuns, imigração e mesmo na criação de uma solução para o “déficit de líderes” no mundo. Leia mais no Estadão.

Estadão Conteúdo

15 de janeiro de 2019, 17:35

MUNDO Parlamento brtânico rejeita acordo do Brexit e oposição pede votação para tirar May

Foto: Reuters

A primeira-ministra britânica, Theresa May

A Câmara dos Comuns do Reino Unido rejeitou nesta terça-feira, 15, o acordo do Brexit entre o país e a União Europeia por 432 votos a 202. Negociado arduamente pela primeira-ministra britânica, Theresa May, o acordo enfrentou a resistência de um Parlamento hostil. Agora, a incógnita reside no que vai ocorrer após a derrota. A votação começou com a análise de quatro emendas apresentadas pelos deputados do documento de 585 páginas fruto de 17 meses de negociações com Bruxelas. Uma delas foi rejeitada e as outras três retiradas de votação. “Não, não é perfeito. E, sim, é uma fórmula de acordo”, tinha admitido a chefe de governo conservadora na segunda-feira, enquanto pedia aos legisladores para “voltar a examinar o texto” com espírito aberto. Em uma tentativa de salvá-lo ou pelo menos limitar a derrota, na esperança de conservar uma margem de manobra posterior, May apresentou uma carta na qual Bruxelas garante que a União Europeia (UE) quer evitar a aplicação de seu ponto mais conflituoso, o denominado “backstop”. Idealizado para evitar a reinstauração de uma fronteira física na ilha da Irlanda, por temor de ameaçar o Acordo de Paz de 1998, é um mecanismo pelo qual o Reino Unido permaneceria na união aduaneira europeia e a Irlanda do Norte continuaria sendo regida pelas regras do mercado único. Mas só deve entrar em vigor se não for encontrada uma solução melhor no âmbito de uma futura relação que ambas as partes devem negociar após o Brexit, estabelecido para 29 de março. As novas garantias de Bruxelas, contudo, não pareciam superar a rejeição. “Não poderemos respaldar o Acordo de Retirada nesta noite, queremos que a primeira-ministra volte à UE e diga que o ‘backstop’ deve desaparecer, porque não tem nenhum significado real”, alertou nesta terça Arlene Foster, líder do pequeno partido norte-irlandês DUP. Aliado-chave de May, que depende de seus 10 deputados para ter uma estreita maioria parlamentar, o DUP tinha a chave para esta votação: se aceitasse o acordo, poderia mudar a opinião de dezenas de eurocéticos do Partido Conservador. Isso, no entanto, não ocorreu. Mostrando a profunda divisão que reina no país, ativistas dos dois lados se concentraram desde de manhã à frente do Parlamento para passar sua mensagem aos deputados. “Votamos a favor do Brexit, queremos abandonar a União Europeia. E queremos que essa gente dentro da Câmara nos veja, nos escute e escute o que dizemos”, disse Sally Smith, do ramo da construção. “Pessoalmente, espero que o acordo seja rejeitado. Espero que todo o Brexit seja parado, que haja uma consulta popular, mas acho que os últimos dois anos política britânica demonstraram a loucura deste país”, disse outra manifestante, Elena Useinovic, cercada de ativistas com bandeiras europeias. Para reclamar a celebração de um segundo referendo, várias ONGs instalaram em frente ao Palácio de Westminster um barco em miniatura, batizado de “HMS Brexit”. Sobre ele, uma ativista caracterizada como Theresa May se dirigia a um iceberg, e sua única salvação parecia ser uma boia com a placa “Voto Popular”. Consciente de que se encaminhava para uma derrota retumbante, May tinha cancelado a primeira sessão de ratificação, prevista para 11 de dezembro, na esperança de obter alguma garantia adicional da UE. Contudo, cinco semanas depois, pouco parece ter mudado. O que está em jogo agora é por quantos deputados a primeira-ministra pode perder: se forem poucas dezenas, pode tentar convencê-los em uma segunda votação; se beirarem uma centena, ela fica à beira de uma moção de censura. Após a rejeição do texto, o governo de May deve apresentar um plano alternativo em até três dias úteis – ou seja, até segunda-feira, 21. Mas ele pode ser emendado pelos parlamentares com suas próprias propostas, então todas as opções estão abertas: um Brexit sem acordo, de consequências catastróficas, até um segundo referendo, com esperança de voltar atrás.

Estadão Conteúdo

14 de janeiro de 2019, 20:15

MUNDO Nicolás Maduro chama Bolsonaro de ‘Hitler dos tempos modernos’

Foto: Marco Belo/Reuters

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chamou nesta segunda-feira, 14, Jair Bolsonaro de “Hitler dos tempos modernos” e ironizou o apoio que recebe de grupos evangélicos do Brasil. “Bolsonaro é um Hitler dos tempos modernos. É isso. O que não tem é coragem e decisão próprias, porque é um fantoche desses grupos (evangélicos). Bolsonaro saiu de uma seita”, disse Maduro ao apresentar seu relatório anual da administração à Assembleia Constituinte. “Logo o povo brasileiro se encarregará dele”, declarou o líder socialista, a quem Bolsonaro chama de “ditador”. O Brasil é um dos países da América Latina que não reconhece o novo mandato de Maduro (2019-2025) e apoia as denúncias da oposição de que as eleições presidenciais na Venezuela foram fraudadas. Maduro foi reeleito no dia 20 de maio de 2018 em votação boicotada pelos principais partidos de oposição e não reconhecidas por Estados Unidos e União Europeia. O governo brasileiro não enviou representantes à posse de Maduro na quinta-feira passada, no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), por considerar “ilegítimo” o presidente venezuelano. Segundo a lei, Maduro deveria ser empossado no Parlamento, controlado pela oposição, que o TSJ declarou em desacato e anulou suas decisões a partir de 2016. O Brasil disse reconhecer o Legislativo como um órgão “democraticamente eleito” e avaliou que cabe à Assembleia “a autoridade executiva da Venezuela”. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia da Venezuela foi reduzida à metade durante o primeiro mandato de Maduro e deve recuar 5% apenas em 2019, com uma hiperinflação que chegará a 10.000.000%.

Estadão Conteúdo

14 de janeiro de 2019, 18:55

MUNDO ‘Não queríamos vingança; só Justiça’, afirma irmão de vítima de Battisti

Foto: Divulgação/Polícia da Bolívia

O italiano Cesare Battisti no momento em que foi preso na Bolívia

Quarenta anos depois da morte de seu irmão, Andrea Campagna, pelas mãos de Cesare Battisti, Maurizio Campagna se diz “aliviado”. Em entrevista ao Estado por telefone, ele insiste que, ao ver as imagens da chegada do italiano pela TV, lembrou do irmão. Mas garante: não tem um sentimento de vingança. Andrea Campagna foi uma das vítimas dos assassinatos cometidos por Cesare Battisti. Andrea era um policial que havia realizado a prisão de companheiros de Battisti. Em 1979, ele foi abatido com cinco tiros pelo italiano e um outro homem. Battisti foi condenado à prisão na Itália por esse crime. “Quatro décadas depois, o ciclo da vida está encerrado”, disse.

Como estão vivendo as famílias das vítimas de Battisti neste momento?

Estamos aliviados. Quero lembrar, antes de mais nada, que Battisti fugiu da Justiça. Ele matou quatro pessoas. Meu irmão foi morto por ele com cinco tiros por parte de uma pistola magnum. Minha família está hoje muito satisfeita. Quatro décadas depois, o ciclo da vida está encerrado. Foi em 1979 que ele foi morto, em 1993 a Justiça o condenou à perpetuidade e agora, 40 anos depois, Battisti começa a cumprir sua pena. Agora o ciclo dessa novela está encerrado e minha família tem o sentimento de que a Justiça foi feita.

O que o senhor hoje deseja?

Não queríamos vingança. Só Justiça. E ela foi feita. Se ele ficar um dia, um ano ou 30 anos, para mim tanto faz. Cabe à Justiça determinar. Se a Justiça disser que ele pode ser livre e que pagou pelo que fez, não vejo problema.

Quando o senhor ouviu que ele foi preso no fim de semana, o que o senhor pensou?

Quando ouvi a notícia de que a prisão ocorreu na Bolívia, fiquei preocupado. Vi que ele havia sido capturado na Bolívia e pensei: ah não. Vai ser muito difícil extradita-lo para a Itália. Levaremos mais 20 anos de uma novela sem fim.

Por qual motivo o senhor acredita que o voo de Battisti não passou pelo Brasil?

Não sei. O que sabemos é que o governo italiano queria que a transferência ocorresse o mais rapidamente possível. Salvini preferia isso, entre Bolívia e Itália diretamente.

Por todos esses anos, um dos argumentos da defesa de Battisti era de que ele sofria uma perseguição política.

Olha, Battisti matou quatro pessoas. Não acredito que o grupo terrorista do qual ele fazia parte era de fato de uma vertente política comunista. Eles eram apenas criminosos, delinquentes. Os homicídios não tinham nada de político. Eles mataram comerciantes. O que tinha de político em matar um comerciante? Sim, meu irmão era um policial. Mas não era um investigador. Era um garoto jovem de 24 anos. Battisti matou meu irmão de forma covarde. Ele matou um garoto. O que tinha de político nisso?

Como o senhor avaliou a decisão do governo de Lula de rejeitar a extradição de Battisti?

Lula também está preso hoje e condenado. Lembro-me que um dos argumentos era de que o Brasil não mandaria Battisti para a Itália por conta do sistema maluco que teria o nosso país, injusto. E por isso seria mantido no Brasil. Lula não é uma pessoa honesta. Não era sincero o que dizia. A Itália é uma democracia. Depois do fascismo, não tivemos mais um governo militar. Sim, tivemos terrorismo. Mas a Justiça funciona. Ainda acredito que se Lula lesse o processo de Battisti do Tribunal italiano, ele entenderia que não poderia tomar uma decisão política de mante-lo no Brasil. Acredite em mim: não há motivo político para não entrega-lo à Justiça. Os membros daquele grupo de pessoas nos anos 70 eram delinquentes. Hoje, as famílias daqueles mortos nas mãos de Battisti estão aliviadas.

O que o senhor achou da decisão do Brasil de rever a situação de Battisti?

Tenho muitos amigos no Brasil. E recebi ao longo dos anos muitos emails e mensagens de apoio da parte do Brasil. Só posso agradecer a todos, inclusive ao governo. Bolsonaro foi eleito em uma democracia. Hoje, ele governa por quatro anos. Se não fizer as coisas bem feitas, ele sai nas próximas eleições. Tchau. Na Itália, temos Salvini no governo e os demais partidos o acusam de populismo. Sim, se ele não fizer nada de bom, tchau! Assim é a democracia.

Estadão Conteúdo

14 de janeiro de 2019, 16:03

MUNDO Casa Reclusione di Oristano, o novo endereço de Battisti

Foto: Reprodução

Reprodução de imagem de satélite do Google Maps

Cesare Battisti chegou ao presídio de Oristano, na região da Sardenha, onde irá cumprir sua pena de prisão perpétua, às 17h25 do horário local. Segundo informações do jornal Corriere Della Sera, a prisão de Oristano foi aberta em 2012 e abriga 266 detentos, quase todos condenados por crimes comuns. Do total, 85% estão submetidos ao regime de segurança máxima. Nunca houve casos de fuga. Preso na Bolívia neste sábado, 12, o italiano iria, inicialmente, à prisão de Rebibbia, na zona urbana de Roma, mas, por questões de segurança, o governo da Itália decidiu levar Battisti para Oristano. O jatinho da Itália, que partiu no início da noite do domingo, 13, de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, pousou no Aeroporto de Ciampino, em Roma. Battisti e sua escolta era aguardados pelos ministros Matteo Salvini, do Interior; e Alfonso Bonafede, da Justiça. Battisti foi sentenciado na Itália por quatro assassinatos nos anos 1970. Durante muitos anos ele ficou no Brasil, na condição de refugiado por ato do ex-presidente Lula. Em dezembro, o ministro Luiz Fux, do Supremo, mandou prender Battisti. Ele fugiu para a Bolívia, onde foi capturado sábado, 12.

Estadão

14 de janeiro de 2019, 09:25

MUNDO Battisti chega a Roma após quase 40 anos foragido da Justiça

Foto: Max Rossi/Reuters/Direitos reservados

Battisti chegou a Roma e foi levado para um presídio onde cumprirá pena de prisão perpétua

Cesare Battisti, 64 anos, chegou hoje (14) ao aeroporto de Ciampino, em Roma. Vestindo calça jeans e uma jaqueta marrom, ele desceu do avião sem algemas e foi recebido por agentes do grupo operacional móvel da polícia penitenciária. Logo depois, Battisti foi levado para a prisão de Rebibbia, na capital italiana, onde será colocado na ala de segurança máxima para cumprir pena de prisão perpétua. Battisti foi capturado no último sábado (12) nas ruas de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, por agentes bolivianos em parceria com italianos. Segundo um vídeo feito no momento da prisão, ele usava barba, óculos de sol, jeans e camiseta azul. Não mostrou resistência, não apresentou documentos e respondeu a algumas perguntas em português. Condenado à prisão perpétua na Itália, Battisti foi sentenciado pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, um braço das Brigadas Vermelhas. Ele se diz inocente. Para as autoridades brasileiras, é considerado terrorista. No Brasil desde 2004, o italiano foi preso três anos depois. O governo da Itália pediu sua extradição, aceita pelo Supremo Tribunal Federal. Contudo, no último dia de seu mandato, em dezembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que Battisti deveria ficar no Brasil.

Agência Brasil