1 de junho de 2017, 11:07

EXCLUSIVA Sob Temer, Fazenda trava empréstimo de R$ 1 bilhão para governo da Bahia

Foto: Divulgação/Arquivo

Governador Rui Costa labuta há meses para receber o dinheiro que ajudaria a financiar seu governo

O governador Rui Costa (PT) labuta há meses pela liberação de um empréstimo já autorizado junto ao Banco Europeu, da ordem de $ 200 milhões de euros, algo hoje em torno de R$ 1 bi. A dificuldade é obter uma simples assinatura do Ministério da Fazenda para que o dinheiro caia finalmente na conta do Estado, asfixiado pela crise. Há suspeitas de retaliação pelo fato de o governador ser adversário e crítico feroz do presidente Michel Temer (PMDB), supostamente incentivada pelo PMDB, o PSDB e o DEM baianos.

1 de junho de 2017, 09:47

EXCLUSIVA Acirramento de disputa leva candidata a cancelar festa de aniversário na ACB

Foto: Politica Livre/Arquivo

Rosema Maluf é candidata do grupo que comanda hoje a Associação Comercial da Bahia

O surgimento de uma candidatura adversária à do grupo que hoje comanda a Associação Comercial da Bahia já começou a embolar o jogo na entidade secular. Candidata do presidente Fernando Queiroz, Rosema Maluf, ex-secretária municipal de Obras Públicas, decidiu cancelar a festa de comemoração de seu aniversário que faria na entidade como parte também do lançamento de sua candidatura. Convites já haviam sido distribuídos. Rosema vai enfrentar como adversário o empresário Adary Oliveira, cujos articuladores dizem já contar com o apoio de pelo menos 30 colegas. Esta semana alguns diretores protestaram contra o fato de a sucessão no comando da Associação ter parado na imprensa. Muitos também não acreditavam que a eleição seria decidida em bate-chapa, o que não ocorre há décadas.

1 de junho de 2017, 08:39

EXCLUSIVA O primeiro desafio de ACM Neto, por Raul Monteiro

Foto: Reprodução/Metropress

Prefeito ACM Neto

ACM Neto (DEM) atendeu aos apelos de seu grupo político e finalmente anunciou que vai se candidatar ao governo do Estado em 2018. Foi na semana passada durante um encontro da Juventude de seu partido em Salvador. Entre os seus correligionários, era grande a pressão sobre o prefeito da capital baiana para que se definisse em relação à próxima sucessão estadual, na qual o governador Rui Costa (PT) é candidato natural à reeleição. Na prática, queriam que Neto admitisse publicamente o que já vinha fazendo em reservado com prefeitos, vereadores e lideranças políticas que passou a atender há alguns meses.

O princípio que norteou a decisão do prefeito de Salvador é manter o grupo unido em torno da chamada expectativa de poder que uma definição de sua parte com relação às eleições naturalmente produz. Com uma candidatura já colocada no tabuleiro sucessório, representada por Rui Costa, os correligionários do prefeito não vinham se sentido confortáveis com a ausência de um posicionamento claro do nome mais forte das oposições ao PT no Estado em relação ao que pretende fazer no prazo de pouco mais de um ano das eleições para o governo. A resposta Neto deu no encontro com a juventude democrata.

O posicionamento não significa, no entanto, que a candidatura do prefeito é imexível, uma condição reforçada pelo alto grau de imprevisibilidade que a política brasileira assumiu desde o impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff, reforçado pelo grampo que o empresário Joesley Batista, freguês contumaz dos financiamentos do BNDES nos governos petistas, fez há duas semanas do presidente Michel Temer (PMDB), hoje às voltas com o recrudescimento da sua impopularidade depois do episódio e a pressão dos opositores para sejam realizadas eleições diretas no país.

O próprio Neto já foi visto referindo-se a alguns nomes que alternativamente poderiam ocupar a cabeça da chapa oposicionista na hipótese de não ser ele o candidato, entre os quais se encontram o do atual ministro Antonio Imbassahy (Relações Institucionais), do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), e até do senador Otto Alencar, do PSD, este último numa composição com as oposições a partir de uma remotíssima possibilidade de romper com o governo do PT na Bahia, do qual é hoje um aliado considerado fundamental. Para ser bem-sucedida, a candidatura de Neto terá que responder a um grande desafio.

Ele precisará primeiro convencer a população baiana de que seu opositor não deve ter direito a um novo mandato, rompendo uma tradição já consolidada no eleitorado nacional de avalizar a reeleição quando o governante é bem avaliado, dedica-se à gestão e sabe passar ao largo de escândalos ou fortes escorregões políticos, caso em que se enquadra perfeitamente Rui Costa. Sem dúvida, será preciso oferecer mais, como contraponto ao desempenho do opositor, do que a gestão que ele próprio executa em Salvador, a qual fez quase 74% da população da capital premiá-lo com um segundo mandato.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

31 de maio de 2017, 17:13

EXCLUSIVA Cacá Leão e Mário Jr. são ausências mais notadas em reunião com governador

Foto: Montagem/Política Livre

Cacá Leão e Mário Negromonte Jr

Continua objeto de comentários a ausência dos deputados federais Cacá Leão e Mário Negromonte Jr., do PP, na reunião que o governador Rui Costa (PT) fez, na semana passada, com a bancada federal baiana que integra sua base no Estado. Além deles, apenas o petista Luiz Caetano faltou ao encontro, embora, como se diz no governo, por ser do PT, seja de casa, dispensando maiores justificativas para a ausência. Na reunião, Rui pediu apoio para o projeto de lei da co-validação dos incentivos fiscais, considerado por ele fundamental à política desenvolvimento do Nordeste, contra a qual o governo do Estado de São Paulo já se posicionou. O projeto se encontra hoje na Câmara dos Deputados, depois de ter sido aprovado no Senado e virar objeto de uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Quanto aos “garotos” do PP, parecem cada vez mais distantes do governador.

30 de maio de 2017, 11:34

EXCLUSIVA Rosema e Adary disputam comando da Associação Comercial da Bahia

Foto: Montagem Política Livre

Duas chapas devem concorrer à presidência da Associação Comercial da Bahia depois de décadas sem disputa. O atual presidente, Fernando Queiroz, desencorajou-se de concorrer, rompendo tradição antiga na Casa, optando por apoiar à sua sucessão a ex-secretária municipal de Serviços Públicos, Rosema Maluf. O outro candidato, que já conta com o apoio de 30 empresários, é Adary Oliveira. A disputa promete está só começando.

29 de maio de 2017, 07:37

EXCLUSIVA O candidato mais forte é Maia, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

Todos os nomes que apareceram até agora como alternativas para a disputa indireta à Presidência da República para a hipótese de queda do presidente Michel Temer (PMDB), alguns dos quais aureolados com o rótulo de notáveis, são nada eleitoralmente perto da figura do atual presidente da Câmara, o deputado carioca Rodrigo Maia (DEM). Sem fazer qualquer tipo de alarde ou demonstrar publicamente interesse na posição, Maia é, na prática, o preferido de um contingente que beira a casa dos 400, entre os 513 deputados do Congresso, para virar presidente até 2018.

Isso significa que terá mais votos do que o constitucionalmente exigido para assumir a Presidência do país, depois de ele próprio, no posto de presidente da Câmara, como manda a Constituição, convocar e comandar o processo de eleição indireta para o caso da saída de Temer. As conversas em torno da opção Maia estão, aliás, avançadíssimas em Brasília e, no caso concreto de ele se candidatar, poderá contar com o apoio de partidos que, inclusive, fazem hoje oposição cerrada ao atual presidente Temer, a exemplo do PCdoB e do PDT, que neste caso teriam participação destacada no governo.

Há que destacar a sabedoria dos legisladores que inscreveram o expediente da eleição indireta como rito para o caso da dupla vacância presidencial, hipótese que o país experimentará no caso de Temer cair. Eles carimbaram no texto constitucional a exigência segundo a qual, para se eleger, o novo mandatário terá que contar com a maioria absoluta do Congresso, o qual, no momento mesmo da votação, passa majoritariamente a avalizar a nova gestão, que se inicia com as condições de governabilidade fundamentais a transição tão extraordinária e delicada.

A consolidação da candidatura de Maia e sua eventual vitória não devem assustar a Bahia, cuja interlocução com ele se dará em altíssimo nível por meio da mais destacada liderança política de oposição no Estado e de um deputado federal baiano que tem se sobressaído de forma crescente no ambiente restrito das articulações mais importantes da República, entre as quais se increveu a própria eleição do presidente da Câmara. São eles, respectivamente, o prefeito ACM Neto (DEM), amigo íntimo de longa data do parlamentar carioca, e o deputado federal democrata Elmar Nascimento.

Antes de assumir a presidência da Câmara, Maia chegou a habitar em Brasília, por medida de economia, o apartamento de Elmar, cuja proximidade e empenho pela eleição do democrata o transformaram num dos seus mais diletos confidentes e articuladores. Um sinal de que a já tão carente Bahia não ficará desamparada, no caso de não restar outra alternativa a Temer que não deixar o governo, quer seja por renúncia, impeachment ou, hipótese mais provável, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julga um pedido da cassação da chapa que ocupou na condição de vice de Dilma Rousseff (PT).

* Artigo publicado originalmente no Jornal Tribuna da Bahia

26 de maio de 2017, 11:40

EXCLUSIVA Para governistas, substituir Zé Neto não vai melhorar crise na Assembleia

Foto: Divulgação/Arquivo

Para bancada, Zé Neto tem feito o que pode, mas não possui "instrumentos" para impedir a rebelião

Ao avaliar a possibilidade de substituir seu líder na Assembleia Legislativa, Zé Neto (PT), por causa da rebelião silenciosa na base que impede as votações na Casa há mais de 30 dias, o governo busca tratar a doença e não a sua causa, dizem deputados governistas consultados por este Política Livre.

Para eles, Zé Neto está longe de ser o responsável pela crise. “Sem dar as condições (para que o líder trabalhe), não tem porque trocar. Agora se der, aí você pode cobrar do líder, ver se ele é o problema”, diz um deputado da base, avaliando que o petista tem sido vítima “da baixa atuação política” do governo na Casa.

Segundo ele, qualquer um na posição do líder enfrentaria as mesmas dificuldades, uma vez que o problema é o governo entender que os deputados precisam de “carinho”. O parlamentar refere-se principalmente à não liberação dos recursos relativos às emendas impositivas dos deputados, que não saem do papel desde 2015.

Pelos cálculos de um outro deputado, o governo deve cerca de R$ 2,7 milhões a cada deputado em emendas. “É recurso que, injetado nos municípios abatidos pela crise vira uma fortuna. Imagine uma via construída, uma ambulância comprada, qualquer obra é uma dádiva neste momento”, afirma ele.

Um deputado petista como Zé Neto afirma que “com uma crise dessa, se um deputado conseguir colocar um milhão no município, é a única coisa que o prefeito terá”. Para ele, “meu governo” sofre de um problema seríssimo, ao qual dá o nome de a “Síndrome de Paulo Souto em 2006″.

Em sua avaliação, a articulação política do governo Rui Costa passou a fazer uma avaliação, em sua análise equivocada, de que, “realizando um governo bom, os políticos virão por gravidade”. Para ele, o caso Paulo Souto mostra que a articulação de Rui não poderia estar fazendo avaliação mais equivocada do processo.

26 de maio de 2017, 10:06

EXCLUSIVA Presidente da Fieb deixa entidade ser entubada no Dia da Indústria

Foto: Valter Pontes

Cresceu na Fieb (Federação das Indústrias da Bahia) o sentimento de indignação contra o presidente Ricardo Alban

Cresceu na Fieb (Federação das Indústrias da Bahia) o sentimento de indignação contra o presidente Ricardo Alban devido à sua postura durante a solenidade de comemoração do Dia da Indústria, ontem. Esperava-se mais ênfase, em seu discurso, na defesa das reformas trabalhista e previdenciária, as quais passaram a perigar imensamente com a crise e o processo de fragilização do presidente Michel Temer (PMDB). As críticas contra Alban ocorrem especialmente por causa do show que figuras como o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), deram na festa, onde roubou a cena ao criticar, na casa dos empresários, as medidas que o segmento considera fundamentais para tirar o país do buraco. Colegas de diretoria de Alban alegam que ele deixou a entidade ser simplesmente entubada pelo ex-governador.

26 de maio de 2017, 08:33

EXCLUSIVA Neto poderia ter sido mais enfático contra as propostas mirabolantes

Foto: Reprodução/Instagram

Prefeito ACM Neto

Em encontro com jornalistas ontem, durante a inauguração da Via Alternativa, construída pela Prefeitura, o prefeito ACM Neto (DEM) defendeu a Constituição, que prevê eleição indireta no caso de queda de Michel Temer (PMDB) por renúncia, impeachment ou julgamento da chapa presidencial de 2014 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), hipótese hoje considerada mais provável para a saída do primeiro mandatário. Neto poderia ter sido mais enfático contra as propostas inconstitucionais hoje em curso, como a de eleição direta ou a de antecipação da sucessão de 2018 para a turma toda, que, além de mais demoradas, só vão provocar gastos públicos desnecessários, mantendo a mesmíssima classe política no poder.

25 de maio de 2017, 19:02

EXCLUSIVA PT acredita que perde Geraldo Simões e Luiz Caetano para eleição de 2018

Foto: Montagem/Política Livre

Ex-deputado federal Geraldo Simões e o deputado federal Luiz Caetano

No PT, já se avalia como natural a eventual saída de quadros como o ex-deputado federal Geraldo Simões e o deputado federal Luiz Caetano. Os dois devem procurar partidos onde suas condições de elegebilidade sejam melhores para 2018. Caetano, entretanto, tem sido criticado no atual comando do PT por ter tentado realizar uma manobra para assumir a presidência do partido em lugar do presidente Everaldo Anunciação, que acabou se reelegendo com o apoio, muito discreto, do governador Rui Costa.

25 de maio de 2017, 11:55

EXCLUSIVA Com Temer, devem cair Antonio Imbassahy, Luislinda Valois e Sylvio Pinheiro

Foto: Montagem/Política Livre

Deputados baianos acreditam que a virtual queda do presidente Michel Temer (PMDB), quer por renúncia, descartada por ele, ou por sua cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em sessão marcada para o próximo dia 6, além de levar a um sucessor cujo nome ninguém hoje sabe quem será, promoverá uma mudança completa no ministério, independentemente de os partidos que o apóiam hoje se manterem na base de apoio do novo governo. “Manter nomes de agora num novo governo seria desmoralizante”, diz uma fonte de Brasília do Política Livre. Por esta razão deputados baianos de todos os partidos, acham que, com a saída Temer, deixam o ministério figuras como o secretário de Relações Institucionais, Antonio Imbassahy, e Luislinda Valois (da pasta de Direitos Humanos), além de Sylvio Pinheiro, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

25 de maio de 2017, 07:38

EXCLUSIVA Atentados à liberdade de imprensa, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

Procuradoria-Geral da República (PGR)

Enquanto Michel Temer (PMDB) não cai, possibilidade que parece cada vez mais forte à medida que os dias se arrastam e a Rede Globo mantém a carga sobre o presidente, quem se excede em todos os sentidos é a República de Procuradores, que está jogando papel fundamental no enterro político do mandatário. Não bastasse a absolvição sumária que deram aos irmãos caipira Joesley e Wesley Batista, liberados para curtir a vida no exterior, onde a família comprou recentemente um apartamento por US$ 125 milhões, em troca do grampo presidencial e de delações em que revelam sua própria rede de corrupção, atentaram literalmente contra a liberdade de imprensa.

Desta vez, o alvo foi o jornalista Reinaldo Azevedo, que teve uma conversa com a irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Andréia, grampeada e divulgada pela Procuradoria Geral da República. No grampo, Azevedo critica a Veja, revista em que trabalhava e da qual não lhe restou alternativa senão pedir demissão depois do vazamento. O colunista não é alvo da Operação Lava Jato e sua conversa com Andréia não tem o menor interesse público, conforme atestaram os órgãos de classe de jornalistas que, assustados, protestaram contra a divulgação do áudio, mas o estrago já foi feito, com uma lamentável violação à liberdade de imprensa.

Até no Supremo Tribunal Federal (STF), cujos membros jogam muitas vezes de forma combinada com a PGR, registrou-se justa indignação contra o arbítrio dos procuradores, destaque-se, em especial, os protestos da presidente da Corte, a ministra Carmem Lúcia, e do seu colega ministro Gilmar Mendes, que chegou a mencionar sua “vergonha” com o episódio. Meses atrás, o juiz Sérgio Moro, cujo trabalho na Lava Jato pode ser considerado inestimável, também conduziu coercitivamente para depor um blogueiro a quem acusara de passar informações ao ex-presidente Lula, apesar da defesa do profissional de que se limitara a exercer seu trabalho.

Fatos como esse só mostram que toda a vigilância sobre esta turma, por mais que faça um trabalho importantíssimo contra a prática impune histórica da corrupção no país, é pouca. Foi graças à imprensa que a sociedade ficou sabendo que, em troca dos grampos e das delações dos irmãos Batista, eles praticamente garantiram sua absolvição de crimes graves, o que tem provocado a suspeita de que se praticou um claro e injustificável favorecimento à dupla, já que nenhum dos executivos ou empresários investigados pela Lava Jato até agora lograram ter o mesmo tipo de tratamento VIP como o dedicado aos donos da JBS.

A reação popular às regalias obtidas pelos empresários tem sido tão forte que levou o procurador geral da República Rodrigo Janot a defender as medidas adotadas contra os dois num artigo publicado na última quarta-feira, no qual queixou-se da importância dada pela imprensa ao fato. Para Janot, esqueceu-se de todo o trabalho desenvolvimento pela Força-Tarefa, principalmente da imensa contribuição da delação dos empresários às investigações. Como se a colaboração com a Justiça não fosse uma obrigação de pessoas que enriqueceram e às suas empresas às custas de recursos públicos e, segundo eles próprios, com a ajuda de muita propina distribuída a agentes públicos.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*

23 de maio de 2017, 19:39

EXCLUSIVA Em recado a Rui, base governista boicota votações há 30 dias na Assembleia

Foto: Divulgação/Arquivo

Base estaria insatisfeita com a não liberação de recursos relativos às chamadas emendas impositivas

Uma rebelião silenciosa na base governista está sendo apontada como responsável pelas quedas sucessivas das sessões plenárias na Assembleia Legislativa da Bahia. Ontem, mais uma vez, apesar de representar a minoria, a oposição conseguiu derrubar a sessão com uma espécie de conivência tácita dos governistas. Com isso, já chega a mais de 30 dias o período em que nada se vota na Casa.

Pela primeira vez, o presidente da Assembleia, deputado Angelo Coronel (PSD), admitiu que as sessões têm sido praticamente boicotadas pela bancada governista, que detém a maioria na Casa. O motivo seria a resistência do governo Rui Costa (PT) em pagar o dinheiro relativo às emendas impositivas dos parlamentares.

Desde 2015, os recursos com que os deputados pretendem contemplar as bases com pequenas obras ou mesmo equipamentos, como ambulâncias, não são liberados, totalizando, segundo cálculos dos próprios políticos, cerca de R$ 2,5 milhão para cada um deles. “O governo foca nas suas obras tamanho G e esquece que o deputado depende da obra tamanho P”, afirma Coronel.

Trata-se de referência irônica à propaganda oficial do Estado que classifica de G (de grande) as obras do governo Rui Costa. Na semana passada, preocupado com o clima de insatisfação que tem percebido na base, Coronel mandou uma mensagem para o governador, que respondeu dizendo que o atenderia esta semana para uma conversa.

Apesar de não admitir diretamente que o bloqueio dos recursos relativos às emendas impositivas tem sido o motivo para a queda das sessões, o deputado Zé Neto (PT), líder do governo na Assembleia, reconhece que há clima de insatisfação na Casa. “Há insatisfações sim, e temos que resolver, encontrar caminhos”, afirma o petista.

Ao Política Livre, ele admitiu que foi surpreendido pela queda da sessão de hoje à tarde, uma vez que havia acordado com a bancada governista a votação de pelo menos dois projetos para ajudar a destravar a pauta. Pelo menos quatro projetos sobrestam a pauta neste momento na Casa.

Para o líder da oposição na Assembleia, deputado Leur Jr. (PMDB), a situação é o retrato da fragilidade política do governo Rui Costa. “Aquela idéia do Rui correria, que não pára e trabalha o tempo todo, está cedendo à realidade e deixando os deputados que apóiam o governo desconfiados do seu sucesso”, afirma.

22 de maio de 2017, 16:22

EXCLUSIVA Congresso do PT: Afonso tenta pegar Yuri, que é defendido por “Braço de Aço”

Foto: Facebook

Yuri Brito teria estressado o deputado Afonso Florence

No agitado Congresso em que o PT baiano reelegeu para a presidência Everaldo Anunciação, neste final de semana, teve espaço até para enfrentamento físico. O deputado federal Afonso Florence, por exemplo, não aceitou ouvir críticas de Yuri Brito, da diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) e, segundo participantes do encontro, partiu para cima do jovem, apontado como uma das novas lideranças petistas. No sábado à noite, Yuri contestou o nome da chapa defendida por Afonso e liderada pelo candidato a presidente Valdenor Pereira, a “Muda Brasil”, que acabou derrotada no Congresso, lembrando que o deputado votara pela eleição do democrata Rodrigo Maia (RJ) à presidência da Câmara. “Como é que pode se chamar Muda PT se votou no cara (Rodrigo Maia)?”, questionou o estudante. Afonso, então, teria partido para cima dele. Yuri foi defendido pelo deputado federal Valmir Assunção. Conhecido no PT como “Braço de Aço”, Valmir se interpôs entre o colegado e diretor da UNE e, com jeito desafiador, afirmou: “Ninguém encosta um dedo no menino”. A turma rapidamente racionalizou e mudou de conversa.

22 de maio de 2017, 07:50

EXCLUSIVA Eleição direta agora é golpe, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação

Uma das instituições mais importantes do Brasil é sua Constituição. A carta magna é que tem, com sua previsão de direitos e deveres civis e políticos, apontado as saídas para os quase constantes momentos de turbulência e crise vividos pelo país, a exemplo deste novo em que a Nação acabou de entrar na semana passada, a partir dos grampos divulgados pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, empresa que se transformou na maior produtora de alimentos do mundo graças ao favorecimento explícito praticado por meio do BNDES e dos Fundos de Pensão pelos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff.

Foi da Constituição que o país se socorreu quando efetuou o impeachment recente, permitindo a ascensão de um novo governo que, se não era da preferência nacional nem inspirava qualquer confiança moral, ao menos se dispôs a enfrentar o descalabro fiscal, conseguindo sinalizar uma saída para a grave crise que havia sido produzida pela antecessora, da qual já emergiram mais de 14 milhões de desempregados, como mostram todos os indicadores econômicos à disposição de quem quiser deles se servir. Ter seguido o que prescrevia a Carta Maior garantiu ao Brasil as condições para que, apesar dos riscos, iniciasse mais uma travessia.

Não faz sentido, portanto, agora, quando já não se sabe quanto tempo durará o governo Michel Temer (PMDB), tentar descartar o texto constitucional, sob qualquer esdrúxulo argumento, para defender eleições diretas no país. A Constituição é clara quando estabelece que, em caso de vacância do vice, nos últimos dois anos de mandato, cabe ao Congresso criar as condições para a escolha indireta do novo presidente, firmando entre os pré-requisitos para a inscrição das candidaturas o mínimo de 35 anos de idade, filiação a um partido político e a não condenação por órgão judicial colegiado.

Como o governo que ora balança, mais para cair do que para ficar, o Congresso está longe de inspirar credibilidade na mesma população que o elegeu e, curiosamente, não se responsabiliza por ele. Mas, querer tirar-lhe a chance de mais uma vez construir uma saída política para o país, depois da grande lição que ofereceu à Nação ao votar o impeachment, é, perdoem os defensores da proposta, golpe. Principalmente quando se sabe que, para construir a exótica saída, será preciso votar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), medida que, para ser aprovada, precisará de quórum qualificado e tempo de votação com que, sob esta forte crise econômica, o país não não pode contar.

Para completar, o projeto tem como seu principal defensor o ex-presidente Lula, certamente convencido de que se torna cada vez mais exíguo o tempo de que dispõe para concorrer de novo à Presidência, um sonho que acalenta desde 2014, mas foi frustrado pela pupila Dilma Rousseff, antes de ser preso ou mesmo considerado inelegível por força de alguma das eventuais condenações, em segunda instância, da Lava Jato. Basta lembrar que uma das bandeiras de Lula é exatamente extinguir a Lava Jato, plano para o qual conta com o apoio até de adversários igualmente investigados pela Força-Tarefa e vêem no líder petista a única figura capaz de fazê-lo.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

Raul Monteiro*