21 de setembro de 2017, 10:05

EXCLUSIVA Robinson Almeida leva dura rasteira com nomeação de Jusmari à Sedur

Foto: Reprodução/Arquivo

Robinson Almeida será obrigado a deixar mandato de deputado federal para voltar a ser suplente

A ida da ex-prefeita de Barreiras e ex-deputada federal Jusmari Oliveira (PSD) para a secretaria de Desenvolvimento Urbano é um duro golpe no deputado federal petista Robinson Almeida, que passa a ver seus planos de reeleição à Câmara, que já eram difíceis, se tornarem praticamente impossíveis. Suplente, Robinson terá que deixar a Câmara e voltar para Salvador, com o retorno do hoje secretário Fernando Torres (PSD) ao Parlamento.

No governo, a avaliação que se faz é a de que a saída de Robinson não foi intencional. O governo desejava ter Jusmari, fechando o círculo com o compromisso das mais importantes lideranças políticas do Oeste com a reeleição do governador Rui Costa (PT), e a porta que se abriu, ante a dificuldade de se negociar o ingresso da ex-deputada no PSB da senadora Lídice da Mata, foi a de uma secretaria comandada pelo PSD do senador Otto Alencar.

Além disso, nem Otto e muito menos o governo andavam satisfeitos com o trabalho de Torres. Mas Robinson paga pela rebeldia com que exerceu seu curto mandato, a qual, foi responsável pela grande exposição que o governador sofreu por ocasião de uma mal sucedida operação para rejeitar a primeira denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados em troca da liberação de recursos do Banco do Brasil para a Bahia.

Os deputados do governo baiano chegaram a dar quórum para ajudar Temer, o dinheiro até hoje não saiu, mas, por causa da resistência imposta por Robinson ao acordo costurado pelo senador Otto Alencar com o consentimento de Rui Costa, o governador acabou sendo forçado a explicitá-lo por meio da exoneração, na época, de Fernando Torres e do seu seu secretário de Articulação Política, Josias Gomes, o que não deixou de desgastá-lo.

Agora, quando Otto Alencar ofereceu uma das secretarias ocupadas pelo PSD para abrigar Jusmari, protegendo-a, inclusive do risco de prisão por força de uma ação decorrente do período em que foi prefeita, ninguém no governo pensou na rasteira que Robinson levaria. “E deveria?”, questionou ao Política Livre um importante membro do PT com acesso direto a ina, lembrando de forma irônica de que como o “deputado-suplente” foi “útil” quando o governo precisou dele pela primeira vez.

21 de setembro de 2017, 09:34

EXCLUSIVA “Motivos ignóbeis, gente decaída”, por Raul Monteiro

Foto: Reprodução

Fachada do STF

Um levantamento simples sobre o comportamento do Supremo Tribunal Federal (STF) em questões que envolvem políticos já apontaria que sua decisão sobre a segunda denúncia formulada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB) teria o destino de ontem: seria enviada à Câmara dos Deputados, conforme o placar de sete a um sinalizou no princípio da noite, ainda que a conclusão do julgamento tenha sido transferida para o dia de hoje, quando três ministros terão ainda que votar, provavelmente sem alterar o resultado, embora membros do STF que já votaram possam rever seus posicionamentos.

O STF também agiu assim na primeira denúncia feita pelo então procurador-geral Rodrigo Janot, cujo resultado todo o Brasil sabe qual foi: o país pagou um preço altíssimo por causa da instabilidade que gerou e por meio dos recursos, muitos públicos, empregados pelo presidente para se livrar das acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro entre os deputados, a maioria cobrando fatura caríssima para poder rejeitar a acusação que poderia levá-lo a uma condenação pelo próprio Supremo. Já se sabe que a denúncia de agora contra o peemedebista chega naturalmente mais enfraquecida para a apreciação dos deputados.

De lá para cá, solapou-se o injustificável acordo de delação premiada formalizado pela PGR com os irmãos Joesley e Wesley Batista, o primeiro dos quais responsável pelo auto-grampo que jogou por terra toda a estratégia até ali bem sucedida que montara para escapar ileso, junto com seus familiares e assessores, da cadeia, o que lançou suspeitas ainda mais fortes sobre as gravações conduzidas por ele que levaram às duas denúncias apresentadas por Janot, ambas apontadas não só por partidários ou defensores do presidente como inconsistentes e frágeis do ponto de vista da estrita técnica jurídica.

Neste meio tempo, o próprio Ministério Público Federal foi esfrangalhado por ações e acusações mútuas entre ex-assessores do ex-procurador geral da República envolvendo o caso da poderosa e rica JBS que acabaram por atingi-lo. Acusado de ter favorecido a empresa no bojo de uma operação paralela à Lava Jato, o procurador Angelo Goulart Villela, que se dizia íntimo de Janot, chegou a ficar preso 76 dias, por ordem do ex-amigo, saiu da prisão e deu uma entrevista à Folha, na última segunda-feira, acusando-o de ter urdido a derrubada de Temer para impedir que a procuradora Raquel Dodge o sucedesse. Janot retrucou ontem, chamando-o de corrupto.

“Que motivos ignóbeis, que gente decaída”, disse ontem o ministro Gilmar Mendes, abusando do ar de desprezo, numa alusão à revelação de Goulart Villela sobre Janot, de quem também é inimigo, e a quem, num momento do discurso, acusou ainda de ser mau caráter. Mendes lembrou também da situação de outro ex-auxiliar de Janot, Marcelo Miller, que deixou o cargo vitalício de procurador da República para se associar a um escritório de advocacia que defendia a JBS, hoje investigado sob a acusação de ter, antes, atuado nos dois lados do balcão – Procuradoria e empresa. Com certeza, não é só em relação ao Congresso que a sociedade precisa estar vigilante.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

20 de setembro de 2017, 08:33

EXCLUSIVA Lídice “implode” acordo com Jusmari e PSB pode não ter coligação com PT

Foto: Divulgação/Arquivo

Jusmari, novo pivô dos desentendimentos entre PSB e o governo

O Palácio de Ondina não atribui ao senador Otto Alencar (PSD), mas à senadora Lídice da Mata (PSB) a responsabilidade pelo recuo da ex-deputada e ex-prefeita Jusmari Oliveira (PSD) no ingresso no ninho socialista, passaporte para que se tornasse secretária de Ciência e Tecnologia na Bahia. Os comentários no governo são de que a lista de exigências que a turma de Lídice teria apresentado para aceitar a filiação da ex-deputada do Oeste foi tão grande que acabou amedrontando Jusmari. Nesse ponto, o conforto dado pelo senador acabou levando a ex-prefeita de Barreiras a repensar seus planos. Por este motivo, no âmbito governista, críticas são dirigidas à senadora, acusada de ter “visão estreita” e nem levar em conta a dificuldade que terá para fazer coligação para deputada federal tendo na chapa o colega Bebeto. “O PT, por exemplo, não aceitará fazer coligações com eles”, diz um quadro da direção do partido a este Política Livre. Pelos cálculos dos negociadores do acordo com Jusmari, saindo candidata a deputada estadual, ela daria pelo menos 30 mil votos numa dobradinha com Bebeto ou com a própria Lídice.

18 de setembro de 2017, 15:37

EXCLUSIVA Sonho de candidatura cede a desejo de Lula livre para “cabo eleitoral” em 2018

Foto: Reprodução/Arquivo

Livre, Lula poderá pelo menos exercer o papel de cabo eleitoral para candidatos do PT nos Estados em 2018

Mergulhado num verdadeiro baixo astral desde o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci, que ainda não firmou acordo de delação premiada, o PT, inclusive o da Bahia, só torce por uma coisa neste momento: que o ex-presidente Lula consiga escapar da prisão para pelo menos poder percorrer os Estados defendendo as candidaturas a governador do partido em 2018, com as armas de cabo eleitoral que lhe restarem. Porque na candidatura do petista à Presidência mesmo ninguém mais acredita.

18 de setembro de 2017, 09:33

EXCLUSIVA A dica de Rui Costa contra a corrupção, por Raul Monteiro

Foto: Mateus Pereira/Gov-Ba/Arquivo

Governador Rui Costa se manifesta indignado com quem constrói fortuna na vida pública

Com sua mente polêmica e ao mesmo tempo brilhante, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia falado, no auge das investigações da Lava Jato, que as revelações feitas pela maior operação contra a corrupção pública no país, com as descobertas sobre o nível a que havia chegado nas barbas das autoridades, apontavam para a falência dos órgãos de controle nacionais. Por mais que as críticas de Gilmar pudessem ter como alvo seu principal desafeto público, Rodrigo Janot, então procurador geral da República, não há dúvida de que têm seu fundo de verdade.

Afinal, o que fazia a casta do funcionalismo público mais bem pago do país, formada por procuradores, promotores, juízes e auditores, além dos inúmeras corregedorias das estatais pegas nas garras dos maiores esquemas de lavagem e desvio de dinheiro no país, que nunca viu ou sequer tomou providências efetivas para coibir o grau de promiscuidade a que o público e o privado chegou no Brasil, a ponto de começar a ser desbaratado por operações policiais que parecem não ter mais fim? Contavam apenas o valor dos seus régios salários no final de cada mês?

Em encontro recente com jornalistas, hábito a que deveria se dedicar com mais frequência, o governador Rui Costa (PT) acabou citando indiretamente o ministro Gilmar e sua cobrança de atuação dos órgãos de controle, ao dirigir duras críticas a quem usa a vida pública para fazer fortuna. Rui aludia ao caso mais escabroso e escandaloso de propina já descoberto na Bahia e no país, representado pela revelação de que o ex-ministro Geddel Vieira Lima mantinha em Salvador, segundo a Polícia Federal, um bunker no qual escondia a fortuna de R$ 51 milhões, assunto que ganhou todas as rodas sociais.

Mas não falava só dele. Dirigia-se a figuras mais jovens que, em sua avaliação, têm revelado uma evolução patrimonial para a qual não há explicação plausível nem justificável do ponto de vista do trabalho que executam. Neste momento, destacou que, caso o COAF e a Receita Federal cumprissem bem o seu papel, especialmente sobre a categoria dos agentes públicos, que vão de servidores simples à classe política, provavelmente muito dos desvios a que o país habituou-se a assistir estarrecido não pudessem ter ocorrido ou estar ocorrendo. Não deixa de ser uma lembrança de grande valor.

De fato, se acompanhassem com muito mais cuidado desde os sinais exteriores de riqueza até a movimentação financeira de quem entra na vida pública ou faz dela profissão, além dos servidores, ao invés de dirigir a burocracia estatal para tentar aumentar a arrecadação via exclusivamente a cobrança de impostos, muitos imensamente injustos, órgãos como a Receita Federal poderiam estar cumprindo papel fundamental no combate à corrupção no país. Tudo com a ajuda do Ministério Público, a quem dados sobre quem enrique indevidamente precisam ser enviados para que as providências sejam tomadas, evitando o descalabro a que assistimos.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.

Raul Monteiro*

15 de setembro de 2017, 11:10

EXCLUSIVA Arthur Maia é o mais novo candidato a assumir PMDB da Bahia; ele nega

Foto: Divulgação

Deputado federal Arthur Maia (PPS)

Com o afastamento dos irmãos Vieira Lima do comando do PMDB da Bahia, surge o nome de um novo grupo que poderia tomar o partido no estado. Ele seria liderado pelo deputado federal Arthur Maia (PPS). Relator da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Maia teria se tornado tão próximo do presidente Michel Temer (PMDB) quanto o ministro Antonio Imbassahy (da secretaria do Governo), outro interessado em assumir o controle da legenda no Estado. A possibilidade de uma mudança no comando do PMDB baiano, suprindo a lacuna deixada pelo inferno astral dos irmãos Vieira Lima Lúcio e Geddel, surge no momento em que outras sessões estaduais do PMDB, a exemplo das de Pernambuco e do Paraná, estão passando por mudanças lideradas pelo senador Romero Jucá (RR). De qualquer forma, tudo permanece em suspense no PMDB da Bahia até a provável delação do ex-ministro Geddel. Por meio de sua assessoria, o deputado federal Arthur Maia negou qualquer articulação neste sentido e disse que está muito bem acomodado em seu partido, o PPS, do qual é presidente na Bahia.
Atualizado às 14h24.

15 de setembro de 2017, 07:42

EXCLUSIVA Destino do PMDB baiano depende de eventual delação de Geddel

Foto: Reprodução

Só depois do que Geddel disser em delação, Michel Temer deve tratar da situação do PMDB da Bahia

Os grupos políticos que se interessam pelo espólio de Geddel Vieira Lima no PMDB da Bahia terão que aguardar ainda um bom tempo se quiserem efetivamente lutar pela tomada do partido. É que gente próxima ao presidente Michel Temer (PMDB) garante que ele só autoriza qualquer tipo de movimento na direção de uma das siglas mais importantes da Bahia depois de uma eventual e cada vez mais provável delação do político peemedebista, preso pela segunda vez, na semana passada, sob a acusação de ser dono de R$ 51 milhões em dinheiro vivo. “Temer só vai tratar desse assunto (PMDB da Bahia) depois da delação de Geddel, que todo mundo considera provável”, diz um deputado governista que conversou sobre o assunto com o presidente esta semana.

14 de setembro de 2017, 15:21

EXCLUSIVA PMDB costura sucessão interna para evitar tomada de assalto do partido na Bahia

Foto: Divulgação/Arquivo

Com credibilidade e trânsito entre aliados, Pedro Tavares, presidente interino, pode ser saída para PMDB seguir adiante

O medo de o PMDB da Bahia sofrer uma intervenção ou passar a ser controlado abruptamente por outro grupo político, depois da bomba que atingiu a família Vieira Lima, levou os deputados estaduais do partido a se unirem em torno da construção de uma saída sóbria e menos traumática para a sucessão interna que permita à legenda virar a página e seguir adiante de cabeça erguida, garantindo espaço e voz de comando para seus quadros antigos e historicamente identificados com a legenda.

A idéia é confirmar definitivamente no comando do partido o deputado estadual Pedro Tavares, vice que assumiu a presidência estadual interinamente substituindo Geddel desde julho, quando o ex-ministro foi preso pela primeira vez, acusado de fazer parte de um esquema de corrupção em uma das vice-presidências da Caixa. Uma avaliação que os parlamentares têm feito internamente é que o PMDB é maior que as pessoas e pode seguir em frente desde que renove imediatamente seu comando.

Isso não significa que o partido precise ser tomado de assalto por um novo grupo, mas fundamentalmente passe a ser dirigido por gente de seus próprios quadros, com credibilidade e capacidade de relacionamento com os partidos parceiros, perfil em que Tavares se enquadra perfeitamente. A solução dá uma relativa tranquilidade a aliados que atuam no mesmo campo político, preocupados com a possibilidade de uma mudança brusca que impacte, inclusive, em negociações para a sucessão de 2018.

Também permite que fique no âmbito do partido a indicação para a vaga ao Senado na chapa com que o prefeito ACM Neto (DEM) deve concorrer ao governo, em 2018, evitando que prosperem idéias como a de ingresso no PMDB do atual ministro Antonio Imbassahy (secretaria de Governo) com o objetivo de utilizar a legenda como um trampolim para concorrer a senador, já que no PSDB, seu partido atual, as chances de garantir espaço com este objetivo são improváveis.

Outra consequência seria também a de impedir que o grupo do prefeito ACM Neto (DEM) assuma o controle do partido por meio de seu vice-prefeito, Bruno Reis, que ingressou no PMDB orientado por ele anos atrás e conseguiu se viabilizar candidato em sua chapa, ou do prefeito de Feira, José Ronaldo (DEM). Com seu cobiçado tempo de TV, o PMDB seria uma mão na roda para Neto, mas, na visão de aliados, o fortaleceria demais, permitindo que relativizasse ainda mais o papel dos aliados em sua coalizão.

Neste novo cenário, o ex-ministro Geddel Vieira Lima ficaria definitivamente fora das atividades partidárias, das quais já foi afastado, inclusive, no âmbito nacional do partido, mesmo que seja posto de novo em liberdade, tratando de sua defesa, e o deputado federal Lúcio Vieira Lima seguiria dedicando-se exclusivamente a seu mandato e também defendendo-se, uma vez que seu nome também já aparece sob suspeita da Justiça de ter colaborado para esconder os milhões encontrados no bunker do irmão.

13 de setembro de 2017, 18:12

EXCLUSIVA Imbassahy promete 20 ambulâncias a deputados fiéis a Temer e dar troco em Otto

Foto: Brizza Cavalcanti/Arquivo

Ministro Antonio Imbassahy prometeu ainda R$ 5 milhões para municípios de parlamentares fiéis a Temer

O ministro Antonio Imbassahy (secretaria de Governo) prometeu retaliar o senador Otto Alencar, tomando “todos os prefeitos do PSD”, durante reunião esta semana com deputados da bancada baiana. Os parlamentares não conseguiram entender o motivo da birra do ministro com o político do PSD, mas a atribuíram ao fato de Otto ter, recentemente, deixado a CPMI da JBS, sob a alegação de que não serviria de massa de manobra do governo Michel Temer (PMDB). No encontro, Imbassahy prometeu entregar a cada deputado que votou a favor da rejeição da primeira denúncia do procurador Rodrigo Janot contra o presidente na Câmara dos Deputados 20 ambulâncias. Além disso, assegurou a concessão de um crédito de R$ 5 milhões para negociar dívidas de cada um de seus respectivos municípios.

11 de setembro de 2017, 18:11

EXCLUSIVA Andrea Mendonça pode substituir Victor Bonfim na secretaria de Agricultura

Foto: Divulgação/Arquivo

Secretário Victor Bonfim está em vias de deixar o governo

Está na corda bamba o secretário estadual de Agricultura, Victor Bonfim. Menos por causa de dificuldades na relação interna com o governo do que em seu próprio partido, o PDT, conduzido na Bahia pelo deputado federal Félix Mendonça. Félix pensa em colocar no lugar de Victor a irmã, Andrea Mendonça, que já foi secretária de Ciência e Tecnologia na gestão do ex-governador Jaques Wagner (PT). O problema é que, no governo, ninguém quer assumir o ônus do desligamento de Bonfim, avaliando que trata-se de tarefa do próprio PDT. É aguardar para ver os desdobramentos do “pequeno” conflito.

7 de setembro de 2017, 09:19

EXCLUSIVA A desmoralização do acordo Janot-Joesley, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo

Joesley e Janot, nomes que remetem a dupla caipira em xeque perante o país

Diz o ditado que nada que começa errado pode acabar certo. E ele cai como uma luva para este absurdo que foi o acordo de delação premiada celebrado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, com os irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, agora em xeque exclusivamente por gravações acidentais feitas pelo primeiro com o auxílio de um subordinado também delator. Não podia prosperar um acerto excessivamente benevolente com empresários tão corruptos quanto falastrões que fugiu do padrão de todos os outros acertados anteriormente pela Procuradoria Geral da República e representa mais um aceno à impunidade.

Pelo contrário, exatamente pelo poderio financeiro adquirido pelos donos da JBS, tudo decorrente de aportes fantasticamente generosos feitos pelo BNDES à holding nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, que chegaram à cifra de R$ 8 bilhões, é que sobre eles deveria ter se fechado de forma mais rápida e dura o cerco por parte do procurador-chefe. Não bastasse isso, nunca pareceu pacífico que um procurador da República e braço direito de Janot, renunciasse a seu cargo vitalício e muito bem pago para se tornar, de uma hora para outra, sócio da empresa de advocacia que defendia os irmãos Batista.

E o pior de tudo: defendendo a empresa sobre cujo acordo de leniência trabalhara diretamente enquanto atuou na PGR. Da mesma forma que não podiam ser aceitos como razoáveis os argumentos de Janot segundo os quais a revoltante imunidade penal que impediu os corruptores de irem para a cadeia, punição a que foram submetidos tantos outros empresários cujo nível de corrupção da classe política nem se comparou ao exercido pelos donos da JBS, lhes fora dada exatamente porque eles condicionaram a entrega de informações importantes à garantia de que deveriam ficar livres e impunes.

Como se a bandidos e corruptores comprovados fosse dado o direito de impor à Justiça e à lei suas próprias exigências. Tudo isso, curiosamente, passando batido pela mídia, em especial a Rede Globo, que impõe a agenda política do país e, associando-se a Janot e aos Batista numa campanha determinada pela deposição do presidente Michel Temer (PMDB), deu o aval e a proteção às ações do procurador que bloquearam, em nível nacional, qualquer discussão crítica sobre o que se processava. Tudo errado, a começar do grampo que os Batista fizeram de Temer e de outros políticos, quando deveriam, primeiro, delatar tudo o que haviam praticado.

A sensação que se tem hoje, corroborada pela desmoralização de tudo o que se fez no plano do Ministério Público Federal em relação à poderosa JBS, é que, independentemente da fragilidade moral de Michel Temer, tanto ele quanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG), outro de que não se pode fazer qualquer tipo de defesa, foram utilizados, a partir dos grampos de que foram alvo da parte de Joesley, como uma verdadeira cortina de fumaça para encobrir o plano de fuga e liberdade dos Batista para os Estados Unidos. Como o Brasil é o país do imponderável, um acidente ocorre, impondo a imediata revisão do acordo, o que deve levar os donos da JBS à cadeia, onde já deveriam estar há muito tempo.

6 de setembro de 2017, 18:01

EXCLUSIVA “Morte política” dos Vieira Lima pode colocar PMDB no colo de Imbassahy

A decretação da “morte política” da família Vieira Lima, como vem sendo encarada pela classe política a descoberta pela Polícia Federal de um bunker onde o ex-ministro Geddel (PMDB) supostamente mantinha escondidos R$ 51 milhões, deve reanimar os planos do ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) de ingressar no partido e, eventualmente, inclusive assumir o seu controle na Bahia.

A análise circulou hoje em meios políticos importantes de Brasília, um dia depois da revelação de que o peemedebista possuía, guardada num apartamento de um amigo, uma verdadeira fortuna cuja origem não foi até agora explicada, mas seria originária de propina. Imbassahy consumaria seu plano com a ajuda de Michel Temer (PMDB), de quem se tornou um auxiliar imprescindível, segundo se comenta na Esplanada dos Ministérios.

Junto com o presidente da República, ele teria avaliado que o PMDB perde naturalmente sua representação mais importante na Bahia, formada pelos irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima, depois do “estouro” do bunker atribuído ao ex-ministro. Para quem analisa os últimos fatos sob esta perspectiva, como irmão, Lúcio também teria saído ferido de morte no episódio, o que significa que pode não conseguir sequer se reeleger em 2018.

A análise obedece a uma conclusão unânime: a de que a imagem de tanto dinheiro, ainda mais sem qualquer explicação, atribuído a um político, mesmo que ele seja rico, nunca é bem vista pela população e termina destruindo completamente planos eleitorais, principalmente aqueles que ocorrem tão próximos a fatos que escandalizam a sociedade.

Imbassahy tentara o movimento há cerca de um mês, buscando um espaço onde pudesse viabilizar sua candidatura a senador na chapa que ACM Neto (DEM) deve liderar ao governo, em 2018, mas fora enfrentado pelo próprio Lúcio, que afirmara, na época, para todo mundo ouvir, que ele era bem vindo, mas teria que entrar na fila, se sua intenção fosse sair candidato ao Senado pelo PMDB.

Agora, profundamente enfraquecido por mais um escândalo envolvendo o irmão, o deputado, no entanto, perdera todas as condições de enfrentar o tucano. “O campo está aberto para Imbassahy. Mesmo que lutem e se debatam, os Vieira Lima terão muita dificuldade de se manter no poder no PMDB”, dizia hoje uma fonte do partido ao Política Livre, avaliando que os dois se tornaram figuras “politicamente tóxicas”, dos quais ninguém quer ficar mais perto.

Isso significa que dificilmente Geddel e Lúcio conseguirão exercer o poder que tinham no PMDB para tratar de assuntos estratégicos como as próximas eleições. A mesma fonte lembrava que não foram poucos os aliados e amigos da família que sinalizaram ontem claramente que não poderiam manter apoio a eles depois da descoberta do bunker da Graça.

Um deles, o radialista Mário Kertész, uma das vozes políticas mais influentes da mídia na Bahia, revelando seu choque com o achado da Polícia Federal, chegou a dizer que não havia como explicar a origem da fortuna, mesmo se declarando amigo de Geddel. Kertézs foi candidato a prefeito de Salvador pelo PMDB contra ACM Neto (DEM) em 2012, atendendo a convite do ex-ministro.

A mesma reação de perplexidade teve o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, do PMDB, avisando que Geddel teria que pagar pelo que fez. O vácuo seria, portanto, a oportunidade de ouro para Imbassahy não só ingressar no PMDB como assumir o controle da legenda, desde que conte com o apoio do presidente da República.

6 de setembro de 2017, 09:21

EXCLUSIVA PF agora quer saber se dinheiro era só de Geddel; ele pode ser preso de novo

Foto: Metro1/Arquivo

Geddel Vieira Lima está em prisão domiciliar conseguida por meio de habeas corpus

Depois de “estourar” o bunker atribuído a Geddel Vieira Lima em que foram encontradas malas e caixas com R$ 51 milhões, a Operação “Tesouro Perdido”, derivada da “Cui Bono”, que investiga esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013, período em que o peemedebista exercia o cargo de vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição, tenta descobrir se a fortuna era exclusivamente dele ou pertenceria a uma organização criminosa para a qual ele operaria. Não está descartado um novo pedido de detenção do ex-ministro dos governos Lula (PT) e Michel Temer (PMDB) que revogue o habeas corpus pelo qual ele conseguiu permanecer em prisão domiciliar.

6 de setembro de 2017, 06:57

EXCLUSIVA “Só vi isso na série Narcos”, diz político baiano sobre fortuna atribuída a Geddel

Foto: Divulgação/PF

"Tesouro perdido" atribuído a Geddel deixou políticos baianos pasmos

A maioria dos políticos ouvidos por este Política Livre sobre o bunker descoberto ontem pela Polícia Federal atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) está simplesmente pasma. Diz que nunca viu tanto dinheiro junto nem imaginou que o peemedebista pudesse acumulá-lo num apartamento simples, a poucos quilômetros de casa.

O espanto de todos eles começou a aumentar quando a contagem das notas bateu a casa dos R$ 21 milhões. Era início da noite e as máquinas da Polícia Federal não paravam. Até ali, os palpites eram de que a quantia que a PF dizia pertencer ao ex-ministro dos governos Lula (do PT), e Michel Temer (PMDB) não passaria dos R$ 30 milhões.

Ledo engano. Quando as máquinas totalizaram a quantia em R$ 51 milhões, pouco mais de R$ 8 milhões deles em dólar, depois da 1h da manhã desta quarta-feira, quem estava acordado acompanhando o noticiário se rendeu à evidência de que “o mundo acabou para o ex-ministro”.

Pela simples razão de que não há explicação plausível para tamanha fortuna, ou “tesouro perdido”, nome da operação que estourou o bunker, muito apropriada para a situação, já que a dinheirama que pertenceria a Geddel Vieira Lima será toda encaminhada para um banco na forma de depósito judicial.

Um político petista que não quis se identificar disse que a descoberta da Polícia Federal contamina todo o entorno do ex-ministro, mas é ruim para a classe política de forma geral, inclusive, nacionalmente. Afinal, como lembrou, trata-se da maior apreensão de dinheiro já efetuada pela PF “e o achado envolve exatamente um político”.

“Só vi um negócio desses na série Narcos”, disse um outro político, referindo-se à série da Netflix que entra em sua terceira fase retratando a história do narcotraficante Pablo Escobar e, posteriormente, do cartel de Cali, na Colômbia. Por mais que afirmem que não há o que explicar, há ansiedade em torno de como o ex-ministro irá se posicionar.

“Será que ele vai dizer que o dinheiro é de herança?”, especulava uma fonte que, apesar de ter convivido politicamente com Geddel até a sua prisão, sempre manteve dele “distância regulamentar”, conforme faz questão de ressaltar. Não passou despercebido de todos um detalhe.

Os defensores jurídicos do ex-ministro, considerados extremamente competentes por terem conseguido converter sua prisão em domiciliar, e que vinham alegando desde o princípio que ele não cometera crime algum, evitaram se posicionar ontem no Jornal Nacional, o que, para a maioria, foi um péssimo sinal.

2 de setembro de 2017, 09:26

EXCLUSIVA Desespero é tamanho que Ciência e Tecnologia entrou no mantra de Tiririca

Foto: Divulgação/Arquivo

Secretário Vivaldo Mendonça é unanimidade na secretaria de Ciência e Tecnologia

Embora teimam a chegada da ex-prefeita de Barreiras e ex-deputada Jusmari Oliveira, dada a sua completa ignorância em relação à área, funcionários e setores ligados à secretaria estadual de Ciência e Tecnologia andam tão exasperados com a gestão do atual titular Vivaldo Mendonça que passaram a entoar o mantra do deputado federal Tiririca (PP): Pior que tá não fica!, o que não deixa de ser um sinal de apoio, ainda que desesperado, à nova candidata à pasta. Vivaldo, definitivamente, não goza de prestígio entre os pares na secretaria. É acusado de falar demais, criar casos desnecessários e ainda de não executar o que a secretaria demanda. A Fundação de Apoio à Pesquisa (Fapesb), que corresponde a 70% da secretaria, segundo funcionários, até hoje não teve seu diretor-presidente escolhido pelo secretário, que assumiu o cargo em janeiro deste ano, na última reforma administrativa conduzida pelo governador Rui Costa (PT), indicado pelo PSB da senadora Lídice da Mata. A gestão de toda a secretaria também é atribuída ao diretor-geral, Lázaro Cunha, que colegas dizem estar assoberbado com a necessidade de cumprir funções que deveriam ser assumidas pelo Vivaldo Mendonça.